Nova fase no combate ao câncer prioriza tratamentos menos invasivos
Dr. Eriksen Gonçalves explica como a oncologia moderna oferece tratamentos mais precisos e com menor impacto ao paciente.
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Eu sou formado pela Universidade Federal do Pará, residência clínica médica pela Santa Casa de São Paulo e oncologista clínico pelo HC Unicamp e comecei a atuar na especialidade em 2016.
O que mudou nos últimos anos e permite tratamentos menos invasivosAcredito que temos diversas frentes que permitiram essas mudanças. A evolução da tecnologia cirúrgica com utilização de robôs com cirurgias efetivas e menos invasivas, permitindo recuperações mais rápidas. A incorporação de terapias direcionadas. Hoje tem situações em que utilizamos terapia alvo como em câncer de pulmão a qual, em algumas situações, podemos ter tratamentos mais efetivos e com menor efeito colateral.
A consolidação da imunoterapia em diversos cenários e a sua atuação em cenários mais precoces com benefício comprovado e na prevenção temos a incorporação de DNA-HPV no rastreio do vírus em situações pré malignas para câncer de colo uterino e a evolução de vacinação contra HPV e outros vírus que podem causar câncer. A ressalva é termos campanhas incentivando a vacinação de uma maior porcentagem da população.
Como funciona a imunoterapia e o que a diferencia da quimioterapiaA imunoterapia foi a vedete da última década, contribuiu para progresso de tratamento de diversos tumores sólidos (pele, mama, pulmão, estômago, esofago) e funciona retirando os mecanismos que o câncer utiliza para se esconder do nosso sistema imunológico, estimulando-o a atacar as células malignas, porém ao ser ativadas podem gerar reações auto imune gerando tireoidite, colite. pneumonite, dentre outras complicações.
Já o tratamento tradicional se baseia no ciclo de divisão celular, em geral mais acentuado nos tumores e costumam atacar outras células saudáveis com alta taxa de proliferação (couro cabeludo, medula óssea, mucosa do trato gastrointestinal) gerando toxicidade como alopecia, anemia, neutropenia, náuseas e vômitos e constipação/diarréia.
Técnicas minimamente invasivas no tratamento oncológicoTécnicas minimamente invasivas tem se popularizado em diversos pontos, temos desde de micro cirurgias para retirada de tumores em sistema nervoso central, cirurgias endoscópicas (mucosectomias) , cirurgia torácica uniportal e cirurgia robótica. O principal benefício seria alcançar resultados tão bons quanto as técnicas tradicionais e com menos complicações. tempo de internação e recuperação abreviadas.
Isso é possível e melhor utilizado em situações de diagnóstico precoce, mantendo a investigação de acordo com os screenings para diversos tumores e realizando exames de acordo com recomendado pelas sociedades médica, por exemplo, mamografia a partir de 40 anos, colonoscopia e endoscopia digestiva alta a partir de 45 anos. dentre outras recomendações.
Impactos dos avanços na recuperação e qualidade de vidaCom a imunoterapia e demais medicações novas aumentamos a taxa de pessoas curadas ou com doença controlada por um período mais prolongado. Em relação às cirurgias, mantivemos o benefício cirúrgico com melhora precoce na qualidade de vida e reduzindo riscos de sequelas maiores.
Quais cânceres já se beneficiam dessas novas abordagensPelos avanços atuais, o câncer é uma doença com alterações moleculares que podem dividir doenças em uma mesma topografia. Isso pode ser exemplificado em pacientes com tumores de mama, tendo a mesma idade e mesmo estadiamento anatômico, mas ter doenças moleculares que podem modificar o tratamento.
Caso essas pacientes sejam submetidas ao mesmo tipo de cirurgia, ainda assim, podem diferir na necessidade ou não de quimioterapia, utilizando ou não imunoterapia associada ou terapia com bloqueio endócrino.
O avanço maior está em entender a biologia de cada doença e cada vez mais individualizar o tratamento conforme cada caso.
Talvez ainda tenhamos desafios em glioblastomas, cânceres de pâncreas e sarcomas, apesar que após décadas tivemos novidades no maior congresso de oncologia realizado em junho/26 desses últimos tipos citados.
A importância do diagnóstico precoceIndependente dos avanços, nada aumenta a chance de cura que identificar a doença no início. Isso vale para qualquer tumor maligno.
Uma mensagem para pacientes e familiaresA mensagem é não se deixar levar pelo receio de encontrar alguma doença maligna e procurar atendimento enquanto não se tem sintomas, para rastrear o mais precocemente de acordo com as orientações médicas.
E os pacientes que iniciam o tratamento recente, que eles não estão sozinhos nessa jornada, podem contar cada vez mais com os profissionais da equipe multiprofissional para auxiliar nessa jornada.
Dr. Eriksen Gonçalves
Oncologista
CRM: 12944 | RQE: 4969