Sou formado em Medicina desde 2015 pelo Centro Universitário do Estado do Pará (CESUPA). Desde a graduação, já tinha a convicção de que seguiria uma especialidade cirúrgica.
Realizei minha residência em Cirurgia Geral na Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará (FSCMPA), período em que tive contato mais próximo com a Urologia e me encantei pela área por unir procedimentos cirúrgicos de alta complexidade ao acompanhamento clínico dos pacientes.
Com essa decisão, ingressei na residência de Urologia no Hospital Ophir Loyola (HOL), referência em oncologia na Região Norte, concluindo minha formação em 2021.
O que mais me atrai na especialidade é a possibilidade de atender pacientes de todas as idades, desde crianças até idosos, além de homens e mulheres, atuando em diferentes áreas da saúde.
Como em toda patologia oncológica, a detecção precoce é o fator primordial para alcançarmos a cura, que pode chegar a 90% dos casos quando o diagnóstico é feito cedo.
No entanto, na correria do cotidiano, acabamos negligenciando o autocuidado. As campanhas de conscientização, como o Junho Verde, são vitais justamente para interromper esse ciclo, servindo como um alerta necessário para que a população retome o hábito de realizar o check-up.
O câncer de rim, em suas fases iniciais, frequentemente não apresenta sintomas evidentes, o que torna a doença silenciosa.
Por não manifestar sinais claros de alerta no início, a realização do check-up anual com exames de imagem torna-se a nossa ferramenta mais poderosa para a detecção oportuna.
O principal fator de risco para o desenvolvimento do câncer de rim é o tabagismo, que pode aumentar em duas a três vezes a probabilidade de surgimento da doença.
Além disso, histórico familiar, obesidade, hipertensão e predisposição genética também estão entre os fatores que aumentam o risco de desenvolver a doença.
A investigação inicial é geralmente feita através de uma ultrassonografia de abdômen total ou específica para rins e vias urinárias.
Caso sejam identificados nódulos renais nesse exame de triagem, o paciente deve, prontamente, buscar um urologista. Nós somos os especialistas responsáveis por conduzir a investigação complementar e confirmar, com precisão, o diagnóstico.
O urologista participa de todas as etapas do cuidado ao paciente com câncer de rim, desde o diagnóstico e planejamento terapêutico até a realização da cirurgia e o acompanhamento após o tratamento.
No entanto, o tratamento do câncer é multidisciplinar e, em muitos casos, requer a atuação conjunta de oncologistas, nefrologistas, psicólogos, assistentes sociais e outros profissionais de saúde, garantindo uma assistência completa e individualizada.
Nos últimos anos, houve avanços importantes no tratamento do câncer de rim.
Nos casos diagnosticados precocemente, técnicas cirúrgicas minimamente invasivas, como a cirurgia robótica, proporcionam maior precisão, segurança e recuperação mais rápida para o paciente.
Já nos casos mais avançados ou com recorrência da doença, o desenvolvimento de novas terapias-alvo, imunoterapias e tratamentos sistêmicos tem contribuído significativamente para o aumento da sobrevida e da qualidade de vida dos pacientes.
Minha mensagem é um convite à prevenção.
Como o câncer de rim muitas vezes é silencioso, não espere sentir dor ou notar algo diferente para buscar ajuda. A saúde é um patrimônio que exige manutenção.
Aproveite este Junho Verde para priorizar seu check-up anual, conversar com um urologista e adotar hábitos saudáveis, como cessar o tabagismo.
A prevenção e o diagnóstico precoce não são apenas recomendações médicas; são as estratégias mais eficientes para garantir longevidade e qualidade de vida.