Semana Mundial da Alergia evidencia a importância da prevenção e do diagnóstico precoce para reduzir os impactos.

Dra. Bianca Pinheiro explica como a prevenção, a investigação adequada e o diagnóstico precoce contribuem para o controle das doenças alérgicas e para a qualidade de vida dos pacientes.

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  Minha trajetória na Alergologia

Sempre quis ser médica. Durante a faculdade, me interessei por várias áreas, desde Pediatria até a Psiquiatria. Porém, nesse período, minha mãe desenvolveu um quadro grave e persistente de alergia (que hoje sei tratar-se de uma urticária crônica). Essa experiência despertou meu interesse pela Alergologia, que, há cerca de 20 anos, ainda era uma especialidade pouco conhecida. Acabei me apaixonando por uma área que exige investigação cuidadosa, raciocínio clínico e muita atenção aos detalhes.

A importância da Semana Mundial da Alergia

O diagnóstico correto sempre é um desafio para o paciente, para o médico e para os que convivem com alguém que vive ou passou por alguma condição alérgica.

Quando falamos de prevenção, podemos pensar em duas situações. Uma é a prevenção de novas reações, que passa por um diagnóstico correto, pela orientação no reconhecimento de sinais, sintomas e situações de risco, além da indicação de um plano de ação para o correto tratamento da crise alérgica.

Outra abordagem se refere às ações que podem ser tomadas para prevenir o desenvolvimento de alergias. Entre elas estão o incentivo ao parto normal, ao aleitamento materno, a não exclusão de alimentos supostamente alergênicos na fase de introdução alimentar, a redução do uso de alimentos ultraprocessados e o uso racional de antibióticos. Esses são alguns fatores que já apresentam evidências científicas na prevenção primária de doenças alérgicas.

Por que os casos de alergia estão aumentando?

Sim, é verdade. Há indícios de que o estilo de vida moderno, o abuso no uso de antibióticos, o aumento da ingestão de alimentos ultraprocessados, a exposição a diversos produtos (detergentes, antissépticos...), a poluição e até as mudanças climáticas estejam implicados em uma maior predisposição ao desenvolvimento de doenças alérgicas.

Além disso, o aumento do conhecimento sobre essas doenças e a maior procura por especialistas também contribuem para que mais casos sejam diagnosticados atualmente.

As alergias mais frequentes no consultório

No consultório, os quadros mais frequentes são rinite alérgica, asma, dermatite atópica, urticária, alergias alimentares e alergias a medicamentos.

Em geral, o paciente procura atendimento porque os sintomas passam a interferir na qualidade de vida ou porque apresenta reações recorrentes cuja causa ainda não foi esclarecida.

O que dificulta o diagnóstico das alergias

Essa falta de diagnóstico se dá pelo desconhecimento da especialidade, pela dificuldade de acesso ao especialista e também pela presunção de certas causas, muitas vezes equivocadas.

Nem toda reação após um alimento, medicamento ou contato com alguma substância significa alergia. Por isso, evitar produtos sem investigação adequada pode levar a restrições desnecessárias e até atrasar o diagnóstico correto.

Além disso, o uso de automedicação é outro fator relevante que, além de atrasar o correto diagnóstico, pode levar a efeitos colaterais sérios.

Como é feita a investigação alergológica

Nem toda reação é alergia e nem toda alergia precisa de exames. O diagnóstico depende principalmente da história clínica e da avaliação do especialista.

A investigação sempre inicia com uma boa anamnese, ou seja, pela avaliação minuciosa do histórico do paciente, considerando quais sintomas apresenta, o tempo de início e a correlação com fatores como infecções, alimentos e exposição ambiental.

O segundo passo é o exame físico para avaliar e diferenciar lesões de pele e sinais relacionados ao sistema respiratório.

Somente então é definida a necessidade de exames laboratoriais e/ou testes alérgicos, que vão variar conforme a suspeita diagnóstica.

Os riscos de uma alergia sem tratamento

Os riscos variam desde comprometimento nutricional, quando são excluídos diversos alimentos sem uma orientação adequada, até comprometimento social, pois muitas vezes o paciente se isola devido às restrições ou pelo não controle dos sintomas.

Em pacientes com asma, por exemplo, a falta de tratamento adequado aumenta o risco de exacerbações, internações e até de óbito.

Já na rinite, além do impacto na qualidade de vida, podem ocorrer alterações no sono, pior desempenho escolar e profissional e maior risco de sinusites recorrentes.

Também existem situações potencialmente fatais, como a anafilaxia, uma reação alérgica grave que exige reconhecimento imediato e tratamento adequado.

A importância de buscar um diagnóstico

Não normalize sintomas recorrentes. Coceira persistente, urticária, crises respiratórias, dermatites ou reações após alimentos ou medicamentos merecem investigação.

Quanto mais cedo o diagnóstico é feito, maiores são as chances de controlar a doença, prevenir complicações e proporcionar uma melhor qualidade de vida.