Micropênis é raro e não deve ser diagnosticado em casa 

Especialistas desmentem suposta “epidemia” de micropênis nas redes sociais. A condição é rara e exige avaliação médica. Saiba mais.

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O micropênis é uma condição em que o pênis é perfeitamente formado, mas apresenta um comprimento de 2,5 cm abaixo da média esperada para a idade e etnia. Cada população possui as suas próprias medidas e curvaturas de crescimento. No Brasil, para recém-nascidos, é considerado micropênis quando o comprimento do membro esticado é inferior a 2,7 cm e, para adultos, quando mede menos de 7,5 cm a 10,5 cm. Recentemente, disseminou-se nas redes sociais a ideia de que o mundo estaria passando por uma “epidemia” de micropênis. No entanto, a medição do pênis tem altas taxas de erros quando feita por pessoas leigas, exigindo a avaliação de um profissional e o uso de instrumentos adequados. Além disso, a condição é extremamente rara, atingindo de 0,6% a 0,8% da população masculina global. Por que a medição não pode ser feita em casa? Um estudo realizado pelo Departamento de Urologia Pediátrica da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) com 99 crianças demonstrou que a diferença entre a medição caseira feita por pais e a medição feita por um profissional é de quase 3 centímetros. De todos os casos avaliados, de acordo com os pais, metade teria diagnóstico de micropênis quando, na realidade, nenhum possuía a condição. Essas interpretações equivocadas podem gerar ansiedade desnecessária, estresse físico e busca por tratamentos hormonais, como a reposição de testosterona, que podem prejudicar a saúde da criança. Diagnóstico adequado “O nosso maior lema é: não meça em casa. Se tiver dúvida, leve [a criança] ao especialista para evitar tratamentos desnecessários e não rotular a criança como doente. Ela pode apenas apresentar variações de formação, como o pênis embutido, que tem um tamanho completamente normal, mas fica escondido na gordura corporal acima do púbis. Há também o pênis que chamamos de ‘preso’ (trapped), que possui uma trave de pele ventral e, em repouso, fica internalizado. O aspecto visual faz parecer pequeno, mas na ereção ou quando medido corretamente, o tamanho é completamente normal”, explica Veridiana Andrioli, coordenadora do Departamento de Urologia Pediátrica da SBU. Geralmente, o micropênis está associado a alguma alteração genética e pode ser identificado ainda na maternidade ou nas primeiras consultas com o pediatra. Nesses casos, o ideal é encaminhar para o profissional especializado, o urologista pediátrico, para descobrir a causa. Causas de micropênis são genéticas “Existem várias causas genéticas. A mais comum delas é o hipogonadismo hipogonadotrófico, que pode ser congênito. É uma alteração do eixo hipotálamo-hipofisário-gonadal, em que, em algum momento, não se ativa o eixo e não há a produção hormonal ou a gônada não funciona e o hormônio não é produzido. Ou também podemos ter deficiências de captação do hormônio no tecido, que são as síndromes de insensibilidade androgênica. No passado, isso até foi chamado de hermafroditismo. Então, [a criança] é XY, mas não tem receptores de testosterona, por exemplo, na região genital, e por isso não desenvolve”, elenca Andrioli. Pode haver ainda aneuploidias (quando o indivíduo apresenta um número de cromossomos diferente dos 46 habituais na espécie humana), alterações de cariótipo (quando há mudanças no número ou na estrutura do DNA) e outras síndromes raras. Tratamentos possíveis O tratamento depende da causa. No caso do hipogonadismo hipogonadotrófico, o mais comum, é preciso acompanhar todos os níveis hormonais até que a criança chegue à idade e às características da puberdade para, só então, iniciar a reposição de testosterona. “Agora, por exemplo, se o paciente for alguém com uma insensibilidade androgênica, em que não há o receptor de testosterona, eu posso dar a testosterona que for que não vai impregnar no tecido, porque o tecido não tem esse receptor. Aí, pensando em funcionalidade, existem técnicas cirúrgicas de alongamento peniano e de melhora do aspecto da exposição peniana, mas com uma baixa resposta hormonal”, acrescenta a especialista. É importante lembrar que, exceto no sexto mês de vida, quando ocorre a “mini-puberdade” tanto em meninas quanto em meninas, as crianças não produzem testosterona. Não se deve, portanto, dosar o hormônio nem fazer reposição nessa idade. Rotular desnecessariamente uma criança com uma síndrome pode ser muito estressante e ter consequências para a sua saúde mental. Quando realmente houver o diagnóstico de micropênis, a rotina de exames e investigações, além dos aspectos emocionais e de autoestima, fazem necessário um tratamento multidisciplinar. Além do urologista, o endocrinologista, o pediatra e o psicólogo são figuras importantes nesse processo. “Temos que respeitar todo o desenvolvimento, inclusive o desenvolvimento sexual, porque essa criança terá desejos e condições. Acho isso importantíssimo”, afirma Andrioli. Veja também: Até que idade o pênis cresce? The post Micropênis é raro e não deve ser diagnosticado em casa  first appeared on Portal Drauzio Varella.

Este artigo tem como fonte DRAUZIO VARELLA UOL

FONTE: https://drauziovarella.uol.com.br/urologia/micropenis-e-raro-e-nao-deve-ser-diagnosticado-em-casa/