Câncer de peritônio: conheça os sintomas, o diagnóstico e as formas de tratamento 

O câncer de peritônio é raro e causa sintomas pouco específicos. Entenda como é feito o diagnóstico e quais são os tratamentos.

Por
0 6 Min
O câncer de peritônio é uma doença rara que afeta o peritônio, uma fina membrana que reveste a parte interna do abdômen e envolve as estruturas dessa região. Em alguns casos, o tumor começa na própria estrutura; em outros, ela é atingida pela disseminação de um câncer que teve origem em outra parte do corpo. De forma geral, além de proteger os órgãos abdominais, o peritônio participa da proteção imunológica da cavidade abdominal e ajuda na lubrificação e sustentação dos órgãos da região. “Há dois principais tipos de câncer de peritônio. O primário começa nas células do próprio peritônio e tem características semelhantes às do câncer de ovário. Já o metastático ocorre quando a doença se espalha de outros órgãos, principalmente do abdômen, causando a chamada carcinomatose peritoneal”, explica Oren Smaletz, oncologista do Einstein Hospital Israelita, em São Paulo (SP).   Tipos de câncer de peritônio Os tumores que realmente começam no peritônio são raros. Os principais são o carcinoma seroso primário, semelhante ao câncer de ovário, e o mesotelioma peritoneal maligno, que se desenvolve no tecido que reveste essa membrana. Na carcinomatose peritoneal, células do tumor de origem podem se desprender, alcançar a cavidade abdominal e se instalar nessa membrana. Esse tipo de disseminação é mais frequente em cânceres de ovário, estômago, intestino grosso e apêndice.    Fatores de risco  Alguns casos de câncer primário do peritônio estão associados a alterações nos genes BRCA1 e BRCA2, que também aumentam o risco de outros tipos de câncer, como os de ovário, mama e pâncreas. Por isso, pessoas com histórico familiar desses tumores precisam de uma avaliação mais cuidadosa. Outros fatores que estão relacionados ao surgimento do câncer de peritônio são idade mais avançada, uso de terapia hormonal após a menopausa, excesso de peso e histórico de endometriose. No caso do mesotelioma peritoneal, a exposição ao amianto (asbesto) também é um fator de risco conhecido. O material, usado por muitos anos na construção civil e em algumas atividades industriais, está associado ao desenvolvimento desse tipo de tumor. Veja também: Como se prevenir do câncer?   Principais sintomas do câncer de peritônio Os sintomas do câncer de peritônio nem sempre aparecem no início. Em alguns casos, a doença evolui de forma silenciosa e apenas provoca sinais mais claros quando há maior comprometimento da membrana ou de órgãos próximos. Entre os sintomas que podem surgir, estão: aumento do volume abdominal, devido ao acúmulo de líquido dentro do abdômen, chamado ascite, ou pela própria progressão da doença na região; dor, pressão ou desconforto abdominal; perda de apetite e sensação de saciedade rápida; náuseas, vômitos e alterações no funcionamento do intestino, como prisão de ventre, diarreia ou dificuldade para eliminar gases; perda de peso sem explicação e cansaço excessivo; alterações na frequência ou dificuldade para urinar; falta de ar (em fases mais avançadas).   Diagnóstico do câncer de peritônio O diagnóstico do câncer de peritônio costuma ser desafiador, já que algumas alterações nessa membrana são pequenas e nem sempre aparecem claramente nos exames de imagem. A doença pode causar espessamento do peritônio ou pequenos focos de células tumorais espalhados pela membrana, que passam despercebidos em alguns casos. “A tomografia pode não identificar pequenos focos de células tumorais no peritônio. A ressonância com difusão é mais sensível, mas nem sempre está disponível. Frequentemente precisamos de laparoscopia e biópsia para definir a origem e o subtipo do tumor”, explica Felipe José Fernández Coimbra, cirurgião oncológico, secretário-geral da Sociedade Mundial de Cirurgia Oncológica (WSSO) e diretor da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO). A laparoscopia permite observar diretamente a cavidade abdominal e retirar amostras do tecido para análise em laboratório, etapa fundamental para confirmar o diagnóstico e identificar a origem da doença. Outro recurso que auxilia na investigação é o CA 125, um marcador tumoral medido por exame de sangue. Ele pode estar elevado em alguns cânceres que atingem o peritônio, especialmente os de origem ginecológica, mas não confirma sozinho a presença da doença, pois também aumenta em situações benignas, como a endometriose e outros processos inflamatórios.   Tratamento  O tratamento do câncer de peritônio depende de vários fatores, como o local onde a doença começou, o quanto ela se espalhou pelo abdômen e as condições de saúde do paciente. Por isso, não existe uma única abordagem para todos os casos. “Mais importante do que confirmar o câncer é saber qual tumor está sendo tratado, qual seu grau e se toda a doença visível pode ser removida. A doença pode recobrir intestinos, mesentério e outros órgãos, causando ascite, obstrução e desnutrição”, destaca Coimbra. Quando possível, uma das estratégias é a cirurgia para retirar as áreas afetadas pelo tumor. Em alguns casos, esse procedimento é combinado com a quimioterapia intraperitoneal hipertérmica (HIPEC), uma técnica em que a quimioterapia aquecida é aplicada diretamente no abdômen para atingir possíveis células tumorais que permaneceram após a cirurgia. Em outras situações, principalmente quando a cirurgia não é indicada, são utilizados tratamentos como quimioterapia e terapias específicas para cada tipo de tumor. Veja também: Metástase: por que um câncer se espalha?The post Câncer de peritônio: conheça os sintomas, o diagnóstico e as formas de tratamento  first appeared on Portal Drauzio Varella.

Este artigo tem como fonte DRAUZIO VARELLA UOL

FONTE: https://drauziovarella.uol.com.br/oncologia/cancer-de-peritonio-conheca-os-sintomas-o-diagnostico-e-as-formas-de-tratamento/