Rosácea: dermatologista alerta que condição inflamatória crônica se agrava sem tratamento
A Dra. Mariana Bastos Amanajás explica os principais sinais da rosácea, seus fatores agravantes e como o tratamento ajuda a controlar a doença e evitar sua progressão.
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A vermelhidão persistente da pele na face nem sempre é característica natural da pele ou apenas consequência da intensa exposição solar. O quadro, quando associado a sensação de calor, ardor, pequenos vasos aparentes, pode indicar uma doença inflamatória crônica que exige acompanhamento médico, que é a rosácea. (1)
A rosácea não tem cura, mas possui tratamento eficaz e, quando diagnosticada precocemente, pode permanecer controlada por longos períodos. O problema é que muitos pacientes demoram a procurar ajuda ou a confirmar diagnóstico, permitindo que a inflamação progrida e comprometa não apenas a pele, mas também a qualidade de vida (1,2).
Quem pode desenvolver rosácea?O padrão de acometimento da doença são lesões, principalmente na região central da face, como bochechas, nariz, queixo e testa. As mulheres, em torno de 30 anos, são mais frequentemente acometidas. Entretanto, pode afetar pessoas de qualquer sexo, idade e fototipo, inclusive indivíduos de pele mais escura, nos quais o diagnóstico pode ser mais difícil devido à menor percepção do eritema. Estudos recentes reforçam que a doença provavelmente é subdiagnosticada nesses pacientes (1-4).
Apesar de sua causa exata ainda não ser completamente conhecida, sabe-se que a rosácea resulta da interação entre predisposição genética, alterações do sistema imunológico, desregulação neurovascular e fatores ambientais. Esses mecanismos tornam a pele mais sensível, favorecendo uma resposta inflamatória exagerada (2,3).
Principais sinais e sintomasOs sintomas variam de acordo com o paciente. Em muitos casos, o primeiro sinal é o flushing, caracterizado por episódios de vermelhidão intensa e transitória, frequentemente acompanhados de sensação de calor ou queimação.
Com a evolução da doença, essa vermelhidão pode tornar-se permanente, com surgimento das telangectasias (vasos dilatados), pápulas e pústulas. Alguns pacientes ainda apresentam ressecamento importante, aumento da sensibilidade cutânea e desconforto ao utilizar cosméticos (1).
Em casos mais avançados, especialmente quando não há tratamento adequado, o rinofima pode estar presente, que é o espessamento progressivo da pele no nariz.
Além disso, cerca de metade dos pacientes pode desenvolver comprometimento ocular, manifestado por olhos secos, irritação, sensação de areia, blefarite ou conjuntivite recorrente. Por isso, sintomas oculares nunca devem ser negligenciados (1,4).
Fatores que podem desencadear crisesDiversos fatores são capazes de desencadear crises inflamatórias. Entre os mais conhecidos estão a exposição solar, calor intenso, mudanças bruscas de temperatura, bebidas alcoólicas, alimentos muito condimentados, bebidas quentes, exercícios físicos intensos e estresse emocional (1,3).
No Brasil, um estudo multicêntrico recente mostrou que 96% dos pacientes identificavam algum fator agravante da doença. As exposições climáticas, o consumo de bebidas alcoólicas e as alterações emocionais foram os desencadeantes mais frequentemente relatados.
Entre os alimentos, destacaram-se pimenta, outros condimentos e bebidas quentes. Esses dados reforçam a importância de individualizar as orientações para cada paciente (4).
Como é feito o diagnóstico?O diagnóstico da rosácea é essencialmente clínico. Atualmente, a classificação da doença considera diferentes fenótipos, permitindo avaliar com maior precisão as manifestações predominantes de cada paciente e direcionar um tratamento personalizado (1,2).
Tratamento e cuidados com a peleO tratamento é definido conforme as características clínicas e a gravidade de cada caso. Podem ser utilizados medicamentos tópicos, medicamentos orais e tecnologias como lasers e luz intensa pulsada para reduzir a vermelhidão e os vasos aparentes.
Entretanto, tão importante quanto tratar as lesões é restaurar a barreira cutânea. Por isso, recomenda-se o uso diário de protetor solar de amplo espectro, hidratantes adequados para peles sensíveis e produtos de limpeza suaves, evitando cosméticos irritantes (1,3).
O impacto da rosácea na autoestimaAlém das manifestações físicas, a rosácea exerce impacto significativo na autoestima. Como afeta uma região de grande exposição, muitos pacientes relatam constrangimento, ansiedade, redução da confiança e prejuízos nas relações sociais e profissionais.
Esse impacto emocional deve ser valorizado e faz parte da abordagem integral da doença (4).
Sem tratamento, a rosácea pode evoluirÉ importante destacar que a rosácea não desaparece espontaneamente. Sem tratamento, a tendência é que a inflamação se torne mais persistente, favorecendo o aparecimento de novos vasos, aumento da vermelhidão e evolução para formas mais graves.
Felizmente, quando diagnosticada precocemente e acompanhada regularmente pelo dermatologista, é possível controlar os sintomas, reduzir as crises e proporcionar longos períodos de remissão, melhorando significativamente a qualidade de vida do paciente (1-4).
Referências-
Frazier W, Zemtsov RK, Ge Y. Rosacea: Common Questions and Answers. Am Fam Physician. 2024;109(6):533-542.
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Geng RSQ, Bourkas AN, Mufti A, Sibbald RG. Rosacea: Pathogenesis and Therapeutic Correlates. J Cutan Med Surg. 2024;28(2):178-189. doi:10.1177/12034754241229365.
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Oliveira CMM, Almeida LMC, Bonamigo RR, Lima CWG, Bagatin E. Consensus on the therapeutic management of rosacea – Brazilian Society of Dermatology. An Bras Dermatol. 2020;95(Suppl 1):53-69. doi:10.1016/j.abd.2020.08.001.
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Bonamigo RR, Barea P, Peruzzo J, Boza J, Miot HA, Bagatin E, et al. Clinical-demographic profile, aggravating factors, comorbidities, and quality of life in patients with rosacea: a Brazilian multicenter study (GBPER). An Bras Dermatol. 2025;100(5):501160. doi:10.1016/j.abd.2025.501160.