Super El Niño pode ampliar falhas da saúde desconectada

Iomani Engelmann, Co-CEO da Pixeon, explica como a integração de dados será decisiva em meio a eventos climático.

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Por Iomani Engelmann O Brasil está se preparando para um dos eventos climáticos mais intensos das últimas décadas. O Super El Niño previsto para atingir seu pico entre outubro e dezembro de 2026 já mobiliza governos, Defesa Civil e o sistema de saúde. O debate, porém, continua concentrado em chuvas, secas, enchentes, queimadas e ondas de calor. Mas a resposta aos eventos extremos será influenciada pela forma como as informações de saúde circulam entre hospitais, clínicas e gestores. Eventos extremos aumentam a demanda por atendimento, deslocam pacientes entre cidades, sobrecarregam unidades e exigem reorganização rápida da rede. Nessas situações, exames, prescrições, diagnósticos e históricos clínicos precisam acompanhar o paciente com a mesma velocidade do atendimento. Quando isso não acontece, surgem atrasos, repetição de exames, filas maiores e desperdício de recursos justamente em um momento de maior pressão sobre o sistema. O Brasil avançou com o SUS Digital, mas ainda convivemos com uma integração insuficiente entre sistemas, instituições e níveis de atenção. Em uma enchente, um paciente pode ser atendido em outro município. Em uma onda de calor, diferentes unidades podem receber simultaneamente pessoas com o mesmo perfil de agravamento clínico. A capacidade de responder depende também da circulação da informação. É nesse ponto que o Super El Niño traz uma provocação para a saúde digital. A interoperabilidade não pode continuar sendo tratada apenas como pauta regulatória, tecnológica ou de modernização administrativa. Em cenários de crise climática, ela se aproxima de uma infraestrutura crítica para manter a continuidade do cuidado. Se o sistema financeiro parasse de trocar informações durante uma emergência, o impacto seria imediato. Na saúde, ainda tratamos a circulação de dados como algo secundário. A discussão ganha ainda mais relevância porque a resistência à troca de informações não está restrita ao setor público. No setor privado, hospitais, clínicas e operadoras ainda demonstram receio de compartilhar dados por medo de perder pacientes, receita ou vantagem competitiva. Esse movimento afeta toda a rede assistencial, inclusive o SUS, que acaba recebendo pacientes em momentos de maior vulnerabilidade sem acesso completo às informações necessárias para o cuidado. O paradoxo é evidente. Todos discutem aumento de custos, sobrecarga assistencial e necessidade de eficiência, mas ainda há pouca disposição para enfrentar uma das fontes mais concretas de desperdício, a informação parada em sistemas que não conversam entre si. A preparação para o Super El Niño depende de geradores, estoques, planos de contingência e leitos. Mas depende também da capacidade de localizar rapidamente informações clínicas, compartilhar dados com segurança e coordenar o atendimento entre diferentes instituições. Quando uma unidade perde acesso à internet, quando uma região fica isolada ou quando pacientes precisam ser transferidos, a disponibilidade do dado clínico influencia diretamente a velocidade e a qualidade da resposta. O clima extremo de 2026 provavelmente será temporário. A necessidade de uma saúde conectada, interoperável e coordenada continuará depois que as águas baixarem, a fumaça se dissipar e as temperaturas voltarem ao normal. O Super El Niño pode acabar se tornando mais um teste de maturidade digital do sistema de saúde brasileiro. *Iomani Engelmann é cofundador e Co-CEO da Pixeon. The post Super El Niño pode ampliar falhas da saúde desconectada appeared first on Medicina S/A.

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FONTE: https://medicinasa.com.br/el-nino-falhas-saude/