Infiltração no joelho: indicações, substâncias utilizadas, riscos e resultados

Dr. Edilson Andrade, ortopedista e traumatologista, explica como funciona a infiltração no joelho, em quais situações ela pode ser indicada e por que o procedimento deve fazer parte de uma estratégia mais ampla de tratamento.

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Ia

  Minha trajetória na Ortopedia

Me graduei em Medicina pela Universidade Federal do Pará em 2013 e cursei a residência médica em Ortopedia e Traumatologia pela Universidade Estadual do Pará. Também fiz especialização em Traumatologia do Esporte e Cirurgia do Joelho pela Unifesp.

Sempre fui apaixonado por esportes e, dentro da Medicina, procurei aliar essa paixão aos estudos e à prática profissional. O interesse pela Ortopedia nasceu dessa associação e se consolidou no último ano da graduação, quando acompanhei algumas cirurgias ortopédicas de urgência no Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência e pude compreender a importância dessa especialidade na reconstrução das funções básicas dos pacientes.

A infiltração atua diretamente na articulação do joelho

A infiltração articular do joelho consiste na injeção de uma substância diretamente na cavidade articular do joelho ou de forma intralesional quando se trata de lesões tendíneas ou ligamentares.

É um procedimento que atua, em geral, com o objetivo de aliviar a dor e auxiliar na reabilitação funcional do membro inferior de maneira mais precoce.

Condições degenerativas estão entre as principais indicações

As indicações mais consolidadas para infiltração articular são as condições degenerativas, como osteoartrose, condropatia patelofemoral e sinovite que cursam com sintomas.

Alguns fatores são cruciais para decidir pela infiltração e definir qual tipo será utilizado: idade, demanda funcional, nível de atividade física, resposta a outras terapias prévias, presença de deformidades anatômicas e grau de degeneração da cartilagem articular.

A escolha da substância depende do diagnóstico e dos objetivos do tratamento

A escolha depende principalmente do diagnóstico, do grau da doença, da presença de inflamação e do objetivo do tratamento.

Os corticóides têm potente efeito anti-inflamatório e início de ação rápido. Por isso, são úteis quando existe sinovite, derrame ou exacerbação inflamatória, mas seu benefício tende a ser de curta duração e devemos ter cautela com aplicações repetidas.

O ácido hialurônico é uma substância sintética, com múltiplas propriedades. Tem efeito mais gradual e busca melhorar as propriedades do líquido sinovial, líquido normalmente presente na articulação, além de apresentar efeitos biológicos como lubrificação articular e controle da inflamação e da dor.

Pode ser considerado principalmente na osteoartrose leve a moderada, especialmente em pacientes com sintomas predominantemente mecânicos e pouca atividade inflamatória.

Já o PRP, plasma rico em plaquetas, consiste em um concentrado de células do próprio sangue do paciente, que é coletado e centrifugado. Atua por meio da liberação de fatores e mediadores que modulam o ambiente intra-articular.

Atualmente, é uma das opções com melhor evidência para benefício clínico mais prolongado, principalmente em pacientes com osteoartrose leve a moderada após o tratamento conservador sem sucesso.

As terapias celulares, como o aspirado de medula óssea, são promissoras, mas ainda possuem menor nível de evidência e não demonstraram superioridade consistente que justifique seu uso rotineiro.

Portanto, não existe uma substância ideal para todos os pacientes. A decisão deve ser individualizada.

Também é importante lembrar que nenhuma dessas infiltrações deve ser apresentada como capaz de regenerar de forma comprovada a cartilagem ou modificar definitivamente a evolução da degeneração articular. Elas fazem parte de uma estratégia mais ampla de tratamento.

Independentemente da substância escolhida, a infiltração deve ser entendida como adjuvante: não substitui exercício terapêutico, fortalecimento, controle de peso quando indicado e correção dos fatores biomecânicos relevantes.

A frequência das infiltrações deve ser individualizada

Não existe um ponto de corte, independentemente da substância aplicada.

Para corticoides, é recomendado evitar mais de três a quatro infiltrações por ano devido aos possíveis riscos de agressão condral. Além disso, estudos mostraram que os efeitos analgésicos e anti-inflamatórios tendem a diminuir com aplicações sucessivas. Isso também vale para o ácido hialurônico.

Para o ácido hialurônico e o PRP, novas infiltrações devem ser consideradas levando-se em conta a resposta clínica do paciente e a indicação. Deve-se evitar uma nova aplicação em menos de seis meses da anterior.

A infiltração do joelho é considerada um procedimento de baixo risco

De forma geral, a infiltração do joelho é um procedimento de baixo risco quando corretamente indicada e realizada.

Os principais eventos adversos são dor ou reação inflamatória transitória pós-injeção, sangramento ou hemartrose e, muito raramente, artrite séptica.

Para corticosteroides, há risco de hiperglicemia transitória, especialmente em diabéticos, além de efeitos sistêmicos e condrais quando utilizados repetidamente.

Na prática, esses riscos são minimizados por meio da avaliação prévia de infecção ativa, presença de comorbidades, diabetes e anticoagulação, além de técnica rigorosamente asséptica e correta localização intra-articular. A ultrassonografia pode aumentar a precisão quando necessário.

A infiltração faz parte de uma estratégia mais ampla de tratamento

A infiltração é uma ferramenta para controlar sintomas e facilitar a recuperação funcional, e não uma cura isolada ou comprovadamente regenerativa do joelho.

Deve ser entendida como parte de uma estratégia multimodal, associada principalmente a exercício terapêutico, fortalecimento, controle de peso quando indicado e correção de fatores biomecânicos e de carga.

A dor no joelho deve ser investigada

Entenda a dor como uma resposta do seu corpo frente a algo anormal, que deve ser investigado e tratado.

Procure um profissional especializado e qualificado na área de atuação e que lhe passe plena confiança para que a opção terapêutica seja bem indicada e bem-sucedida.