Gravidez e “canetas emagrecedoras”: por que gestantes devem evitar o uso?
Medicamentos para perda de peso não podem ser usados durante a gestação. Entenda o que está por trás dessa recomendação
Entre no nosso Grupo Whatsapp — Receba as principais notícias do diaParticipar As “canetas emagrecedoras” são dispositivos injetáveis que contém substâncias análogas ao GLP-1, como semaglutida e liraglutida, ou associadas ao GIP, como a tirzepatida. São indicadas para o tratamento da obesidade, do sobrepeso com doenças associadas e do diabetes tipo 2. No entanto, gestantes devem evitar o uso. Mas por que essa recomendação existe? Por reduzirem o apetite, aumentarem a saciedade e retardarem o esvaziamento gástrico, esses medicamentos podem comprometer a nutrição adequada durante a gestação, o que torna o uso contraindicado para grávidas. Embora pesquisadores não possam quantificar o risco em humanos, estudos em animais observaram alterações como redução do crescimento fetal, perdas gestacionais e alterações no desenvolvimento em determinadas condições de exposição. Isso não significa que uma mulher que engravidou durante o tratamento necessariamente terá alguma complicação. De acordo com Renato Reis, endocrinologista, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), é importante evitar o pânico. Nessa situação, a orientação do médico é comunicar o endocrinologista e o obstetra, suspender a medicação conforme a orientação desses profissionais e realizar o pré-natal adequado. Além da inexistência de estudos adequados em gestantes que permitam afirmar que essas medicações são seguras para o desenvolvimento fetal, o médico pontua que a gestação não é um período em que se busca perda de peso intencional. Por isso, a recomendação é suspender o tratamento antes de uma gravidez planejada ou logo que ela for descoberta. Veja também: Skincare na gravidez: quais produtos são seguros e quais devem ser evitados Quanto tempo antes de tentar engravidar é preciso interromper o tratamento? Segundo Reis, cada molécula permanece no organismo por um período diferente. “No caso da semaglutida, por exemplo, a recomendação é interromper pelo menos dois meses antes de uma gestação planejada, devido à sua meia-vida longa. Para outras medicações, o intervalo pode ser diferente e deve ser individualizado”, explica. A ginecologista e obstetra Lívia Del Monaco, especialista em medicina fetal e gestação de alto risco, comenta que para algumas canetas com efeito mais curto (liraglutida), esse prazo pode ser menor, de cerca de 10 a 14 dias. “O ideal é conversar com seu médico para planejar esse período de forma segura, incluindo o uso de um método contraceptivo eficaz até a suspensão completa do medicamento”. Planejar essa transição também é importante. Em pacientes que também utilizam esses medicamentos para controle do diabetes, é fundamental garantir que a glicemia permaneça controlada antes da concepção, substituindo o medicamento por uma opção mais adequada quando necessário. Continuação do tratamento Segundo os médicos, o tratamento não deve ser retomado automaticamente após o parto. Primeiro é necessário avaliar se a mulher está amamentando, qual medicamento estava utilizando, por que ele foi indicado e como estão seu peso, glicemia, alimentação e estado metabólico no pós-parto. “Os dados sobre o uso dessas medicações durante a amamentação ainda são limitados e variam de acordo com a molécula. Por isso, a decisão precisa ser individualizada, considerando os potenciais benefícios para a mãe e a segurança do bebê”, explica Reis. Conforme a obstetra Lívia Del Monaco, a decisão deve considerar se as metas de amamentação já foram atingidas e a necessidade de cada mulher. “Por exemplo, se há excesso de peso após o parto ou histórico de diabetes gestacional”, explica. Quando houver indicação para reiniciar o tratamento, também pode ser necessário retomar com doses menores e fazer uma nova progressão gradual, principalmente após um período prolongado sem utilizar o medicamento. De acordo com os especialistas, o pós-parto envolve muitas mudanças hormonais, metabólicas e nutricionais. Então, o tratamento deve ser planejado e acompanhado pelo médico e não simplesmente retomado na dose utilizada antes da gestação. The post Gravidez e “canetas emagrecedoras”: por que gestantes devem evitar o uso? first appeared on Portal Drauzio Varella.
Este artigo tem como fonte DRAUZIO VARELLA UOL
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