Como funciona o novo anticorpo monoclonal para prevenir o VSR em recém-nascidos e bebês?

Novo medicamento oferece proteção contra o vírus sincicial respiratório, uma das principais causas de bronquiolite em bebês.

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O vírus sincicial respiratório (VSR) é uma das principais causas de bronquiolite e pneumonia em bebês. Uma das estratégias para proteger os recém-nascidos é a vacinação da gestante, que permite a transferência de anticorpos (proteínas de defesa) pela placenta para o bebê. Outra medida complementar é a administração de medicamentos que fornecem anticorpos prontos. Neste ano, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou um novo produto com essa finalidade: o clesrovimabe. “O clesrovimabe é um anticorpo monoclonal que tem uma ação prolongada, que se liga a uma proteína que a gente chama de proteína F do vírus sincicial respiratório e neutraliza o vírus. Com isso, reduz o risco de infecção no trato respiratório inferior”, explica Victor Horácio, pediatra, infectologista pediátrico e médico cooperado da Unimed Curitiba.  Os anticorpos monoclonais são proteínas produzidas em laboratório e desenvolvidas para atuar de forma direcionada contra um agente específico. É como se fossem soldados treinados para reconhecer e combater um inimigo determinado, em vez de atacar indiscriminadamente.   Como e quando usar? O produto autorizado no Brasil pode ser administrado por via intramuscular em recém-nascidos e bebês durante períodos de maior circulação do VSR, que ocorre entre fevereiro a agosto, segundo nota técnica do Ministério da Saúde. A recomendação é de uma única dose, cuja proteção pode se estender por até seis meses, conforme a bula do medicamento. “Existem vários estudos clínicos em fase 2 e 3 já, que incluem prematuros e bebês nascidos a termo, saudáveis. Uma dose de clesrovimabe reduziu aproximadamente 60,4% as infecções do trato respiratório inferior quando associadas a vírus sincicial respiratório”, afirma Horácio. Veja também: Tudo sobre o VSR: sintomas, riscos e formas de prevenção   O medicamento substitui a vacina? Não. A vacina estimula o organismo da mãe a produzir sua própria resposta imunológica, enquanto o medicamento é um anticorpo pronto. “É importante lembrar que o clesrovimabe não é uma vacina e não substitui automaticamente a vacinação materna. Ele é uma estratégia do que a gente chama de imunização passiva”, diz o médico.  O Ministério da Saúde recomenda a vacinação contra o vírus sincicial respiratório para gestantes a partir da 28ª semana. Segundo a pasta, o imunizante reduziu em 52,5% os casos de síndrome respiratósria aguda grave (SRAG) em bebês menores de 6 meses.    Por que o VSR é tão perigoso para as crianças?  O VSR, transmitido principalmente por meio de gotículas respiratórias, afeta principalmente prematuros e bebês menores de três meses, além de crianças com problemas pulmonares ou problemas no coração. “São crianças que têm um sistema imunológico mais frágil que não é capaz de combater as infecções”, explica Anna Dominguez Bohn, pediatra formada pela Universidade de São Paulo (USP) e membro da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).   Além disso, segundo a especialista, o VSR provoca a produção de secreções que podem se acumular nas regiões mais inferiores dos bronquíolos, pequenas ramificações dos brônquios que conduzem o ar até os alvéolos pulmonares (estruturas em forma de bolsas, localizadas nos pulmões, onde ocorrem as trocas gasosas). Esse acúmulo dificulta a passagem do ar e representa um desafio maior para os bebês, que ainda estão em processo de desenvolvimento pulmonar. Ao nascer, um bebê tem cerca de 80 milhões de alvéolos, enquanto um adulto possui mais de 1 bilhão, de acordo com a médica. Como o pulmão deles é menor e tem menos alvéolos, há menos espaço para a passagem do ar. Além disso, a caixa torácica dos bebês é mais flexível, o que exige maior esforço para respirar. A combinação desses fatores favorece o acúmulo de secreções e aumenta o risco de dificuldade respiratória e de evolução para insuficiência respiratória. “Então, você tem uma criança que não tem um sistema imune que combate a infecção, um pulmão que é mais propenso à dificuldade de oxigenação e escoamento da secreção e uma caixa torácica mais fraca, tanto muscular quanto da parte das estruturas. Tudo isso favorece uma maior taxa de gravidade na presença dessas infecções”, afirma Bohn.    Tem no SUS? Não, o clesrovimabe ainda não teve sua incorporação ao Sistema Único de Saúde (SUS) anunciada oficialmente. No entanto, no início deste ano, o SUS liberou o medicamento nirsevimabe, que é semelhante. “O clesrovimabe é uma segunda opção para a imunização das crianças. Ele entra não como uma opção melhor ou pior que o nirsevimabe, mas como uma opção em paralelo”, afirma a pediatra. Veja também: Como a pandemia mudou a época do vírus VSR no Brasil?The post Como funciona o novo anticorpo monoclonal para prevenir o VSR em recém-nascidos e bebês? first appeared on Portal Drauzio Varella.

Este artigo tem como fonte DRAUZIO VARELLA UOL

FONTE: https://drauziovarella.uol.com.br/pediatria/como-funciona-o-novo-anticorpo-monoclonal-para-prevenir-o-vsr-em-recem-nascidos-e-bebes/