Polilaminina: entenda as polêmicas envolvendo o uso compassivo do remédio

Normas para receber substância por via judicial mudaram após registro de mortes em pacientes submetidos ao tratamento

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A decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sobre restringir o uso compassivo da polilaminina reacendeu as polêmicas em torno da substância, ainda em fase inicial de estudos com seres humanos para o tratamento de lesões medulares agudas. A Anvisa decidiu endurecer as normas após o registro de mortes de pacientes que se submeteram ao tratamento. Embora não haja relação de causa e efeito comprovada entre a polilaminina e os óbitos, a norma da agência passa a limitar o uso apenas a pessoas que se enquadram nos critérios clínicos estabelecidos no estudo em andamento. Após a decisão, a pesquisadora Tatiana Sampaio publicou vídeos criticando o órgão, que difundiu uma nota questionando os pontos levantados pela cientista. Entenda melhor a controvérsia. O que aconteceu Estão em vigor normas mais rígidas para o uso compassivo da polilaminina, substância em desenvolvimento pelo laboratório Cristália. Ainda em fase de estudos, ela vinha sendo disponibilizada a alguns pacientes por meio de decisões judiciais. Continua após a publicidade Ao todo, 119 pessoas já receberam a polilaminina desde que o medicamento passou a atrair atenção nacional. Desse total, nove morreram após iniciar o tratamento. O laboratório argumenta que não existe relação entre os óbitos e o uso da polilaminina. Mas um dado relevante motivou a precaução da Anvisa: todas as mortes ocorreram em pacientes que não se enquadravam nos critérios clínicos estabelecidos para os testes com a substância. Por isso, a ideia é que, a partir de agora, ela só possa ser liberada a pessoas que preencham esses requisitos. O que é o uso compassivo O uso compassivo é parte de um programa em que a Anvisa concede autorizações especiais de uso para tratamentos que ainda não têm registro no Brasil – isto é, terapias e medicamentos em fase de pesquisa e desenvolvimento, ainda sem aprovação para uso amplo. Continua após a publicidade Podem recorrer ao uso compassivo pessoas com doenças graves, debilitantes ou que ameaçam a vida, desde que demonstrem que já esgotaram as alternativas disponíveis regularmente no país. Nessas circunstâncias, os pacientes podem demandar judicialmente o uso do medicamento mesmo que não sejam incluídos nos ensaios clínicos em andamento. +Leia também: Polilaminina: por que notícias sobre a celebrada molécula devem ser lidas com cautela Como fica agora Com a nova decisão, o uso compassivo só será liberado para indivíduos que preencham os mesmos critérios de seleção para o ensaio clínico: a pessoa deve ter sofrido trauma raquimedular agudo há menos de 72 horas e lesão medular completa entre as vértebras T2 e T10 (na região torácica), com indicação cirúrgica. Continua após a publicidade Pessoas que não seriam elegíveis para participar do estudo também ficam impedidas de recorrer ao uso compassivo. Pesquisadora critica Anvisa, que reage: “desinformação” Parte da controvérsia em torno da polilaminina também diz respeito à demora para o início de ensaios clínicos, um passo indispensável para demonstrar a segurança e eficácia de um tratamento antes que ele seja disponibilizado regularmente para a população. Aprovado em janeiro deste ano, o estudo só começou a sair do papel em setembro, quando começou a seleção de voluntários para a fase 1 dos ensaios clínicos. Essa é a etapa mais inicial do estudo: um grupo pequeno recebe a terapia e é avaliado para determinar a segurança do método. É só com resultados positivos nessa fase que a polilaminina poderá ser testada em grupos cada vez maiores, por períodos prolongados, avaliando não só a segurança, mas também a eficácia. Continua após a publicidade Em vídeo nas redes sociais, a pesquisadora Tatiana Sampaio criticou a demora da Anvisa em avalizar os estudos e se referiu pessoalmente à diretora da Anvisa, Daniela Marreco Cerqueira, como alguém que “não se importa de retirar das pessoas o direito de ter uma esperança”. Na quinta-feira, 22, a agência emitiu nota tachando os vídeos de Sampaio como “desinformação”. A Anvisa alega que a demora para dar anuência ao estudo veio da “ausência de informações primárias necessárias”, que não teriam sido fornecidas pelos pesquisadores nos três anos desde que o pedido foi feito. Na nota, a Anvisa ainda aponta que, mesmo passados 10 meses da aprovação, o laboratório responsável segue sem iniciar o estudo. A agência também colocou em dúvida as alegações de que a terapia é segura e eficaz: “ao contrário do que afirma a pesquisadora, não há dados de segurança confiáveis até o momento. Os pacientes submetidos ao uso da substância sequer estão sendo acompanhados pela empresa ou pela pesquisadora. Esse é, fundamentalmente, o objetivo do estudo clínico atual”, afirma a Anvisa. Polilaminina: o que é e como funciona? Publicidade

As notícias oriundas assim como as imagens tem como fonte de referência: https://saude.abril.com.br/ultimas-noticias

FONTE: https://saude.abril.com.br/medicina/polilaminina-entenda-as-polemicas-envolvendo-o-uso-compassivo-do-remedio/