Menopausa: diagnóstico é clínico e quase nunca requer exames
A maioria das mulheres não necessita de exames laboratoriais para o diagnóstico da menopausa. Leia na coluna de Mariana Varella.
Entre no nosso Grupo Whatsapp — Receba as principais notícias do diaParticipar Ondas de calor, alterações no sono e síndrome geniturinária estão entre os sinais da menopausa, que pode ser definida como a última menstruação, marcando o fim da vida reprodutiva da mulher. “De forma bastante resumida, a menopausa acontece porque a mulher nasce com um número determinado de folículos (estruturas que abrigam os óvulos) que vão se esgotando aos poucos. Porém, eles são responsáveis pela produção dos principais hormônios femininos nos ovários. Quando essa reserva de folículos termina, a mulher deixa de ovular e o processo de menopausa começa”, explicou Luciano de Melo Pompei, ginecologista e presidente da Comissão de Climatério da Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), em entrevista ao Portal. O diagnóstico conclusivo da menopausa só ocorre um ano após a última menstruação, que costuma acontecer por volta dos 45 a 55 anos, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Nos meses ou anos que antecedem essa interrupção do ciclo menstrual, é vivido o período do climatério ou perimenopausa, no qual esses sintomas aparecem, mas a menstruação ainda está ativa, mesmo que irregular. O que muita gente não sabe é que nem sempre é necessário fazer exames hormonais para confirmar o início dessa fase. Menopausa: o diagnóstico é clínico Na maioria das mulheres com mais de 45 anos, o diagnóstico da menopausa é clínico e deve ser estabelecido após 12 meses consecutivos sem menstruação, desde que não haja outra causa para a interrupção, com base na idade e na presença de sintomas típicos. “Na maioria das mulheres desse idade e sintomas típicos, não é necessário solicitar exames hormonais de rotina para confirmar a menopausa. A avaliação clínica costuma ser suficiente”, explicaPedro Saddi, membro da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial (SBPC/ML), endocrinologista e especialista em patologia clínica e medicina laboratorial. Segundo o médico, exames como FSH e estradiol podem gerar dúvidas quando realizados sem indicação. Durante a perimenopausa, período de transição que antecede a última menstruação, os níveis desses hormônios oscilam significativamente. “Uma única dosagem hormonal não reflete necessariamente o estágio reprodutivo da mulher. O FSH e o estradiol podem variar bastante. Um resultado isolado pode levar a interpretações equivocadas”, alerta Saddi. Isso porque, nessa fase há grande oscilação da função ovariana, o que faz com que os níveis desses dois hormônios variem significativamente de um dia para outro e de um ciclo para outro, de modo que uma única dosagem hormonal não reflete o estágio reprodutivo de forma confiável. Quando investigar? Os exames podem ser indicados para mulheres com menos de 40 anos que apresentam interrupção ou irregularidade menstrual, na suspeita de insuficiência ovariana prematura e em mulheres entre 40 e 45 anos com dúvidas sobre o diagnóstico. Também podem ser necessários após quimioterapia, radioterapia ou cirurgia para retirada dos ovários. “É importante investigar precocemente os casos em que há suspeita de menopausa antecipada. Nessas situações, os exames laboratoriais ajudam a esclarecer o quadro e orientar a conduta médica”, afirma o especialista. Outros testes podem auxiliar na investigação de sintomas semelhantes aos do climatério. O TSH, por exemplo, avalia a função da tireoide, enquanto o hemograma pode identificar anemia, especialmente em mulheres com sangramento uterino anormal. A indicação depende dos sintomas e do histórico clínico. O uso de anticoncepcionais hormonais e de terapia hormonal também exige atenção, pois esses tratamentos podem mascarar alterações menstruais e interferir nos resultados. “Mais importante do que fazer uma bateria de exames é entender as necessidades de cada mulher. A idade, os sintomas e o histórico menstrual devem orientar a decisão sobre quais testes são realmente necessários”, conclui o membro da SBPC/ML. Por que muitos médicos ainda solicitam exames para o diagnóstico da menopausa? De acordo com Saddi, há três motivos principais que levam os médicos a solicitarem exames para o diagnóstico da menopausa. O primeiro diz respeito à cultura de exames que atinge tanto médicos quanto pacientes, que se sentem mais bem cuidados quando saem do consultório com uma lista enorme de exames. O problema é tão frequente que a Febrasgo lançou um alerta afirmando que o excesso de exames e procedimentos pode causar mais danos que benefícios à saúde da mulher. O segundo motivo também está relacionado ao primeiro. Prevalece, especialmente na rede privada, o hábito da prescrição automática de check-ups sem individualização. É comum que médicos já deixem salva no computador uma lista de exames padronizada para todos os pacientes. “O terceiro é o mimetismo, já que a oscilação hormonal compartilha sintomas como fadiga e alteração de humor com outras condições, levando à solicitação conjunta para diagnóstico diferencial.” Como o início da menopausa pode provocar sintomas semelhantes aos de outros problemas, por vezes o médico se sente mais seguro se solicitar exames para não correr o risco de deixar passar nenhuma condição de saúde. O problema é que os exames podem mais confundir do que ajudar. Quando medir os hormônios femininos é indicado? De acordo com Saddi, a dosagem de hormônios femininos (como FSH e estradiol) é indicada principalmente em: • Mulheres com menos de 40 anos com amenorreia ou oligomenorreia e suspeita de insuficiência ovariana prematura (POI); • Mulheres entre 40 e 45 anos com sintomas climatéricos e dúvida diagnóstica; • Situações de menopausa precoce/induzida por cirurgia ovariana bilateral, quimioterapia ou radioterapia; • Investigação de infertilidade.The post Menopausa: diagnóstico é clínico e quase nunca requer exames first appeared on Portal Drauzio Varella.
Este artigo tem como fonte DRAUZIO VARELLA UOL
FONTE: https://drauziovarella.uol.com.br/coluna-da-mariana-varella/menopausa-diagnostico-e-clinico-e-quase-nunca-requer-exames/