Comunicação em saúde: diferentes saberes, um mesmo resultado
Erika Baruco, estrategista de comunicação em saúde, analisa por que a circulação adequada da informação entre diferentes profissionais e áreas é essencial para coordenar decisões e ações no cuidado.
Entre no nosso Grupo Whatsapp — Receba as principais notícias do diaParticipar Por Erika Baruco
A saúde talvez seja um dos setores em que mais conhecimento especializado precisa trabalhar em conjunto para produzir um mesmo resultado. Um paciente pode percorrer diferentes profissionais, serviços, tecnologias, instituições e níveis de decisão ao longo de um único percurso. Cada um domina uma parte do seu problema, mas suas conduções, entretanto, precisam fazer sentido como um todo.
E é por isso que reforço, sempre que eu tenho a oportunidade, que comunicação não pode ser visto “apenas” como uma habilidade individual, dentro de um sistema onde se integra com várias outras.
Uma informação produzida por um profissional pode ser determinante para a decisão de outro. Uma direção clínica pode depender de uma informação administrativa. Assim como uma orientação precisa ser compreendida por quem vai executá-la, e uma decisão precisa chegar a quem será responsável por transformá-la em ação.
Em outras palavras: informação de forma isolada não garante resultado. Ela precisa ser integrada, compreendida, decidida e executada. E cada passagem pode preservar ou comprometer aquilo que precisa chegar ao próximo ponto do fluxo.
E isso nos leva a refletir sobre o que acontece com o cuidado quando a informação não circula adequadamente entre seus diferentes pontos, especialmente se considerarmos a integração multiprofissional da cadeia do atendimento ao paciente.
Ser multiprofissional significa reunir diferentes competências. Ser interdisciplinar exige que esses conhecimentos consigam se relacionar para construir entendimento e orientar decisões. Um médico, uma enfermeira, um farmacêutico, um fisioterapeuta e um gestor podem participar do mesmo fluxo e, ainda assim, trabalhar em silos.
Isso não significa que comunicação seja uma variável isolada capaz de explicar desfechos ruins, mas significa algo mais relevante: o resultado de um sistema complexo depende da capacidade de diferentes competências funcionarem de maneira coordenada. E essa coordenação também tem uma dimensão operacional.
Quando uma informação precisa ser refeita, procurada, confirmada ou reinterpretada porque não chegou adequadamente ao próximo ponto do processo, há consumo de tempo e geração de retrabalho. Em saúde, esse desperdício também é um custo.
Por isso, investir em habilidade comunicacional não é o mesmo que treinar pessoas para falar melhor, e sim desenvolver a capacidade de profissionais e organizações para compartilhar conhecimento, construir entendimento, conduzir decisões e fazer a informação avançar entre diferentes áreas e responsabilidades.
Quando a comunicação falha nesse percurso, o impacto não termina na conversa. Ele pode aparecer no tempo, na adesão, na experiência, no custo, enfim, em diferentes etapas e áreas e, ao mesmo tempo, no resultado como um todo.
*Erika Baruco é Jornalista, pós graduada em neurocomunicação e estrategista de comunicação em saúde, atuando há 26 anos no segmento.
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