Tuberculose: pacientes com doenças reumáticas têm risco até 10 vezes maior
Casos de tuberculose têm crescido no mundo e exigem atenção especial para pacientes com problemas como artrite; entenda o motivo
Alex Silva/A2 Estúdio
A tuberculose segue como uma das principais causas de morte por infecção no mundo e representa um risco ainda maior para pacientes com doenças reumatológicas. Isso acontece principalmente em pessoas que utilizam medicamentos imunossupressores, como terapias biológicas, comuns no tratamento da artrite reumatoide.
Nesse cenário, entender os riscos, identificar sinais precoces e realizar o rastreamento adequado pode fazer toda a diferença no desfecho clínico.
O que é a tuberculose e por que ela ainda preocupa?A tuberculose é uma doença infecciosa causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis, transmitida pelo ar por meio de gotículas liberadas ao tossir, espirrar ou falar.
Mesmo sendo uma doença tratável, ela ainda apresenta números elevados:
- Cerca de 10 milhões de casos por ano no mundo
- Mais de 1 milhão de mortes anuais
- Aproximadamente 80 mil novos casos por ano no Brasil
Esses dados reforçam que a doença continua sendo um importante problema de saúde pública.
Por que pacientes com artrite reumatoide têm mais risco?Pacientes com artrite reumatoide frequentemente utilizam medicamentos que reduzem a atividade do sistema imunológico. Esses tratamentos são essenciais para controlar a inflamação, mas aumentam a vulnerabilidade a infecções.
O risco de desenvolver tuberculose pode ser de quatro a dez vezes maior em pessoas que fazem uso de terapias biológicas.
Isso ocorre porque:
- O sistema imune fica menos eficiente para combater infecções
- Infecções latentes podem ser reativadas
- O organismo perde parte da sua capacidade de defesa
Além disso, a própria tuberculose pode desencadear manifestações reumatológicas, incluindo dores articulares e inflamações.
O que é tuberculose latente?A tuberculose nem sempre se manifesta de forma imediata. Em muitos casos, a bactéria permanece no organismo sem causar sintomas, caracterizando a chamada forma latente.
Nessa situação:
- A pessoa não apresenta sintomas
- Não transmite a doença
- Mas pode desenvolver a forma ativa no futuro
Esse risco aumenta principalmente quando há queda da imunidade, como em pacientes que utilizam imunossupressores.
Como ocorre a transmissão da tuberculose?A transmissão acontece exclusivamente pelo ar, através da inalação de partículas contaminadas.
É importante destacar que:
- A doença não é transmitida por contato físico
- Não é transmitida por objetos
- Não é transmitida por alimentos
A infecção ocorre quando uma pessoa inala gotículas contendo a bactéria eliminadas por alguém com tuberculose ativa.
Quais são os principais sintomas?Os sintomas da tuberculose podem ser confundidos com outras doenças respiratórias, o que muitas vezes atrasa o diagnóstico.
Os sinais mais comuns incluem:
- Tosse persistente por mais de duas a três semanas
- Febre, especialmente no fim da tarde
- Suores noturnos
- Perda de peso
- Cansaço excessivo
A presença desses sintomas deve sempre ser investigada por um profissional de saúde.
Como é feito o diagnóstico?O diagnóstico da tuberculose envolve uma avaliação clínica detalhada associada a exames complementares.
Entre os principais métodos estão:
- Exames laboratoriais
- Radiografia ou tomografia de tórax
- Testes específicos para detecção da bactéria
Em alguns casos, pode ser necessário realizar biópsia para confirmação.
Por que o rastreamento é obrigatório antes de terapias biológicas?Pacientes que irão iniciar terapias biológicas precisam, obrigatoriamente, passar por um rastreamento para tuberculose.
Esse processo inclui:
- Avaliação clínica
- Histórico médico
- Testes para infecção ativa ou latente
O objetivo é evitar que uma infecção silenciosa evolua para formas graves durante o tratamento.
Como é o tratamento da tuberculose?O tratamento está disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde e tem duração média de seis meses.
Quando seguido corretamente:
- Apresenta alta taxa de cura
- Reduz o risco de transmissão
- Evita complicações
Em pacientes com maior risco, o acompanhamento pode ser mais prolongado.
Qual foi o impacto da pandemia de COVID-19?A pandemia de COVID-19 prejudicou significativamente o controle da tuberculose no mundo.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde:
- Houve redução no número de diagnósticos
- Tratamentos foram interrompidos
- O número de mortes aumentou
Esse cenário reforça a necessidade de retomar estratégias de prevenção e controle.
ConclusãoA tuberculose continua sendo uma ameaça relevante, especialmente para pacientes com doenças reumatológicas.
O uso de imunossupressores aumenta o risco, mas também torna ainda mais importante a adoção de medidas preventivas, como o rastreamento e o diagnóstico precoce.
Com acompanhamento adequado e tratamento correto, é possível reduzir complicações e melhorar significativamente a qualidade de vida dos pacientes.
Perguntas frequentes sobre tuberculose e artrite reumatoide Quem tem artrite reumatoide tem mais chance de ter tuberculose?Sim. Principalmente devido ao uso de medicamentos imunossupressores, que reduzem a capacidade de defesa do organismo.
Tuberculose é contagiosa pelo toque?Não. A transmissão ocorre apenas pelo ar, por meio da inalação de gotículas contaminadas.
O que é tuberculose latente?É quando a bactéria está presente no organismo, mas sem causar sintomas. Ainda assim, pode evoluir para a forma ativa.
Todo paciente precisa fazer rastreamento antes de iniciar tratamento?Sim. O rastreamento é essencial antes do uso de terapias biológicas para evitar complicações.
Tuberculose tem cura?Sim. O tratamento disponível é eficaz e, quando seguido corretamente, apresenta altas taxas de cura.