Pneumo 20 chega ao SUS e amplia proteção contra doenças graves causadas pelo pneumococo
Nova vacina protege contra 20 sorotipos da bactéria causadora de pneumonia, meningite e sepse. Dra. Lúcia Helena destaca a importância da vacinação infantil.
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Fiz Residência Médica e Mestrado em Pneumologia e Tisiologia na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Nesse período me interessei pela Endoscopia Respiratória/Broncoscopia e iniciei minha formação na área com treinamentos adicionais no Hospital Geral de Bonsucesso e na Universidade Federal Fluminense.
Obtive o grau de Doutora em Ciências Médicas pela Universidade de São Paulo/Ribeirão Preto; em seguida, retornei ao meu Estado de origem onde até hoje atuo como Professora de Pneumologia da Faculdade de Medicina da UFPA, Médica Pneumologista/Broncoscopista do Hospital Universitário João de Barros Barreto, também da UFPA, além de médica pneumologista no meu consultório privado.
A motivação pela Pneumologia deu-se pelo meu interesse em uma especialidade muito próxima de problemas clínicos frequentes, mas também onde eu poderia usar arsenal diagnóstico especializado não cirúrgico, como a Endoscopia Respiratória.
O que muda com a chegada da Pneumo 20 ao SUSA principal mudança é a proteção contra 20 sorotipos da bactéria pneumococo, e não apenas contra 10 sorotipos da vacina anterior.
Mudanças na prática:
- Amplia a proteção individual contra doença pneumocócica invasiva, pneumonia, meningite, sepse e otite média.
- Significa potencial redução de hospitalizações, UTI, sequelas e óbitos, especialmente em menores de 5 anos e grupos de risco.
- Amplia proteção indireta, porque vacinas conjugadas reduzem colonização por bactérias em nariz e garganta reduzindo a transmissão pessoa a pessoa.
Devem ser vacinados com a Pneumo 20 pelo SUS:
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Rotina: crianças de 2 meses a 4 anos, 11 meses e 29 dias.
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Grupos especiais: crianças, adolescentes e adultos com condições clínicas de risco, como Imunodeficiências congênitas ou adquiridas, Pacientes em tratamento oncológico ou com doenças autoimunes, Prematuros, Portadores de doenças crônicas graves (cardiopatias, pneumopatias, nefropatias, etc.).
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Prioritários adicionais: indígenas >5 anos sem vacinação conjugada prévia e idosos ≥60 anos acamados ou institucionalizados.
O que é o pneumococo e por que ele representa um risco tão sério para as crianças
O pneumococo é uma bactéria chamada Streptococcus pneumoniae. Ela pode viver na região do nariz e da garganta de pessoas saudáveis, especialmente crianças, sem causar sintomas.
O problema é que, em algumas situações, ela invade locais onde não deveria estar — pulmões, sangue, meninges ou ouvido médio — e causa a chamada doença pneumocócica. A transmissão ocorre por contato com secreções respiratórias, como saliva e muco.
O que torna o pneumococo tão perigoso é a possibilidade de doença invasiva, quando a bactéria atinge o sangue ou o sistema nervoso central. Nesses casos, pode causar meningite, sepse, choque, necessidade de UTI, sequelas neurológicas, perda auditiva e morte.
Em crianças pequenas, o risco é maior porque o sistema imunológico ainda está em amadurecimento, a colonização do nariz e da garganta é frequente, há maior exposição em creches e contatos próximos, e a evolução pode ser rápida.
Na prática pediátrica, o pneumococo é uma das grandes causas bacterianas de pneumonia em menores de 5 anos.
Doenças que passam a ter maior cobertura com a nova vacinaO pneumococo pode causar desde infecções mais leves, como otite média e sinusite, até quadros graves como pneumonia, meningite e bacteremia.
Em crianças pequenas, a otite média aguda é a apresentação clínica mais comum, enquanto pneumonia, meningite e bacteremia são as síndromes mais graves.
A nova Pneumo 20 amplia a cobertura porque protege contra 20 sorotipos do Streptococcus pneumoniae. O Ministério da Saúde destaca essa ampliação da proteção para doenças graves como pneumonia e meningite, que estão associadas a hospitalizações, sequelas e óbitos.
Por isso, a vacinação pneumocócica é tão relevante. Ela não é apenas uma vacina contra pneumonia, mas uma estratégia para reduzir pneumonia grave, meningite, sepse, internações, sequelas e mortes em uma faixa etária biologicamente mais vulnerável.
Perfil
Por que preocupa
Menores de 2 anos, especialmente lactentes
Sistema imune ainda imaturo e maior risco de evolução rápida
Prematuros e baixo peso ao nascer
Menor reserva imunológica e respiratória
Crianças que frequentam creche
Maior exposição a secreções respiratórias e maior colonização pelo pneumococo
Crianças com doença pulmonar crônica
Maior risco de pneumonia grave; inclui pneumopatias crônicas e asma persistente moderada ou grave
Cardiopatias crônicas
Menor reserva cardiovascular diante de infecções graves
Imunodeficiências primárias ou secundárias
Menor capacidade de controlar infecções bacterianas invasivas
Uso de imunossupressores ou corticóide sistêmico prolongado
Reduz resposta imune
HIV
Maior risco de doença pneumocócica invasiva
Câncer, quimioterapia, transplantes, TCTH ou CAR-T
Imunossupressão importante
Asplenia anatômica ou funcional, incluindo doença falciforme
O baço é essencial para defesa contra bactérias encapsuladas, como o pneumococo
Implante coclear ou fístula liquórica
Maior risco de meningite pneumocócica
Doença renal crônica ou síndrome nefrótica
Maior suscetibilidade a infecções graves
Diabetes, hepatopatias, doenças neurológicas crônicas e trissomias
Condições associadas a maior risco de complicações
Medidas complementares para proteger a saúde respiratória das crianças
Além da vacinação, algumas medidas simples e consistentes podem reduzir significativamente o risco de infecções respiratórias:
Medida
Por que ajuda
Manter o calendário vacinal completo
Pneumococo é importante, mas influenza, COVID-19, coqueluche, sarampo e Hib também podem causar quadros respiratórios graves
Higiene das mãos
Reduz transmissão de vírus e bactérias levados pelas mãos ao nariz, boca e olhos
Ensinar etiqueta respiratória
Cobrir tosse/espirro com o braço ou lenço diminui a dispersão de gotículas
Evitar fumaça de cigarro e vape
A fumaça irrita vias aéreas, aumenta infecções, chiado, asma e risco de pneumonia.
Aleitamento materno, quando possível
Ajuda na proteção imunológica, especialmente nos primeiros meses de vida
Ambientes ventilados
Diminui concentração de partículas respiratórias no ar
Reduzir contato com pessoas doentes
Principalmente em lactentes, prematuros e crianças com doenças crônicas
Sono, alimentação e hidratação adequados
Favorecem resposta imune e recuperação durante infecções
Controle de mofo, poeira e umidade
Reduz irritação respiratória e crises em crianças predispostas
Acompanhamento de doenças crônicas
Asma, rinite, broncodisplasia, cardiopatias e imunodeficiências mal controladas aumentam risco de complicações
Vacina em dia é proteção e cuidado
Manter o calendário vacinal em dia é uma das formas mais importantes de proteger a criança.
As vacinas ajudam a prevenir doenças que podem evoluir de forma grave, como pneumonia, meningite, coqueluche, sarampo e influenza, especialmente nos primeiros anos de vida, quando o organismo ainda está desenvolvendo suas defesas.
Vacinar não é apenas evitar uma infecção. É reduzir o risco de internações, complicações, sequelas e mortes. Também é um gesto de cuidado coletivo, porque uma criança vacinada ajuda a proteger outras crianças, idosos e pessoas com maior vulnerabilidade.
Por isso, pais e responsáveis devem verificar regularmente a caderneta de vacinação e procurar a unidade de saúde sempre que houver dúvida ou atraso.
Vacina em dia é proteção, é prevenção e é amor em forma de cuidado.
Dra. Lúcia Helena Messias Sales
Pneumologista e Broncoscopista
Fontes consultadas:
https://www.gov.br/saude/pt-br/vacinacao
https://www.cdc.gov/pneumococcal/hcp/vaccine-recommendations/index.html