O que devo saber sobre a RETINOPATIA DIABÉTICA?

Dr. Daniel Arnaud reforça que doenças oculares silenciosas podem ser controladas quando diagnosticadas precocemente.

Por
58 6 Min

Ia

 

A retinopatia diabética é uma das principais causas de perda visual em adultos em idade produtiva no mundo. Trata-se de uma complicação do diabetes mellitus que afeta os vasos sanguíneos da retina, a camada do fundo do olho responsável por captar as imagens e enviá-las ao cérebro.

Embora seja uma doença potencialmente grave, a boa notícia é que, quando diagnosticada precocemente, pode ser controlada e tratada, reduzindo significativamente o risco de cegueira.

Como o diabetes compromete a saúde da retina

O excesso de glicose no sangue ao longo dos anos provoca danos progressivos aos pequenos vasos sanguíneos da retina. Esses vasos podem se tornar mais frágeis, apresentar vazamentos de líquido e sangue ou até mesmo se fechar completamente.

Em fases mais avançadas, o organismo tenta compensar essa falta de circulação formando novos vasos anormais, que são frágeis e podem causar hemorragias graves dentro do olho.

Além disso, o diabetes pode provocar acúmulo de líquido na região central da retina, chamada mácula, causando o chamado edema macular diabético, uma das principais causas de baixa visão em pacientes diabéticos.

Frequência e fatores de risco da retinopatia diabética

A retinopatia diabética está diretamente relacionada ao tempo de duração do diabetes e ao controle dos níveis de açúcar no sangue.

Nos pacientes com diabetes tipo 1:

  • Após 5 anos de doença, o risco ainda é relativamente baixo;
  • Após 10 anos, aproximadamente 50% dos pacientes já apresentam algum grau de retinopatia;
  • Após 20 anos de diabetes, mais de 90% dos pacientes podem desenvolver alterações retinianas.

Nos pacientes com diabetes tipo 2:

  • Cerca de 20% a 30% já apresentam retinopatia no momento do diagnóstico, pois muitas vezes a doença permanece silenciosa por anos antes de ser descoberta;
  • Após 15 a 20 anos de diabetes, mais de 60% dos pacientes apresentam algum grau de comprometimento da retina.

O risco é ainda maior em pacientes que apresentam:

  • Controle inadequado da glicemia;
  • Hipertensão arterial;
  • Colesterol elevado;
  • Doença renal;
  • Tabagismo;
  • Gravidez em mulheres diabéticas.
Os sintomas podem demorar a aparecer

Um dos maiores perigos da retinopatia diabética é que ela pode permanecer completamente assintomática durante muitos anos.

É muito comum que o paciente enxergue normalmente mesmo apresentando lesões importantes na retina. Por esse motivo, muitas pessoas acreditam que seus olhos estão saudáveis simplesmente porque ainda conseguem ler ou dirigir normalmente.

Quando os sintomas aparecem, eles podem incluir:

  • Visão embaçada;
  • Dificuldade para leitura;
  • Manchas escuras ou “moscas volantes”;
  • Diminuição da nitidez das imagens;
  • Alteração das cores;
  • Visão distorcida;
  • Áreas escuras no campo visual;
  • Perda súbita da visão em casos de hemorragia vítrea ou descolamento de retina.

A presença de qualquer um desses sintomas exige avaliação oftalmológica imediata.

Diagnóstico precoce é fundamental

O diagnóstico é realizado através do exame de fundo de olho, no qual o oftalmologista avalia diretamente a retina.

Além disso, exames complementares podem ser utilizados para identificar e acompanhar a doença:

  • Tomografia de Coerência Óptica (OCT);
  • Angiografia Fluoresceínica;
  • OCT-Angiografia;
  • Retinografia digital.

Esses exames permitem detectar alterações muitas vezes antes mesmo do aparecimento dos sintomas.

A prevenção continua sendo a melhor estratégia

A prevenção é a melhor estratégia para preservar a visão.

Diversos estudos demonstram que o bom controle do diabetes reduz significativamente o risco de desenvolvimento e progressão da retinopatia diabética.

As principais medidas preventivas incluem:

Controle rigoroso da glicemia

Manter a hemoglobina glicada (HbA1c) próxima das metas definidas pelo endocrinologista reduz o risco de danos à retina.

Controle da pressão arterial

A hipertensão acelera a progressão da retinopatia e aumenta o risco de perda visual.

Controle do colesterol e triglicerídeos

Níveis elevados de gordura no sangue favorecem o aparecimento de exsudatos e edema macular.

Prática regular de atividade física

Exercícios ajudam no controle metabólico e na saúde cardiovascular.

Não fumar

O tabagismo aumenta o risco de complicações vasculares em todo o organismo, incluindo os olhos.

Consultas oftalmológicas regulares

Mesmo sem sintomas, todo paciente diabético deve realizar acompanhamento oftalmológico periódico.

De forma geral:

  • Diabetes tipo 1: primeira avaliação oftalmológica cerca de 5 anos após o diagnóstico;
  • Diabetes tipo 2: avaliação no momento do diagnóstico;
  • Gestantes diabéticas: acompanhamento especializado durante toda a gestação.
Tratamentos modernos ajudam a preservar a visão

O tratamento depende do estágio da doença e da presença de edema macular.

Aplicações intraoculares (injeções)

Atualmente, as injeções intravítreas de medicamentos anti-VEGF representam uma das principais formas de tratamento do edema macular diabético e de alguns casos de retinopatia proliferativa.

Esses medicamentos reduzem o vazamento dos vasos sanguíneos e ajudam a controlar a formação de vasos anormais.

Fotocoagulação a laser

O laser continua sendo uma ferramenta muito importante no tratamento da retinopatia diabética.

Ele pode ser utilizado para:

  • Tratar áreas de isquemia retiniana;
  • Reduzir o risco de hemorragias;
  • Controlar casos de retinopatia proliferativa;
  • Em situações específicas, auxiliar no tratamento do edema macular.

Graças ao avanço das injeções intraoculares, atualmente o laser é frequentemente utilizado de forma complementar.

Vitrectomia

Nos casos mais avançados, quando ocorrem hemorragias vítreas persistentes ou descolamento tracional da retina, pode ser necessária uma cirurgia chamada vitrectomia.

Esse procedimento remove o sangue e as membranas que estão prejudicando a retina, permitindo a recuperação ou preservação da visão.

A mensagem mais importante para os pacientes diabéticos

A retinopatia diabética é uma doença silenciosa. Muitas pessoas só descobrem que possuem alterações graves quando a visão já está comprometida.

Por isso, não espere os sintomas aparecerem. O controle adequado do diabetes, associado a exames oftalmológicos periódicos, é a forma mais eficaz de proteger sua visão.

Lembre-se: o diabetes pode afetar os olhos antes mesmo de você perceber qualquer alteração visual. Quanto mais cedo a doença for diagnosticada, maiores são as chances de manter uma boa visão por toda a vida.

A prevenção continua sendo o melhor tratamento.