Câncer renal mata 10 pessoas por dia no Brasil; saiba como prevenir e tratar
Tabagismo, obesidade e hipertensão estão entre os fatores de risco do câncer renal. Especialistas explicam como é feito o diagnóstico e o tratamento.
Embora não esteja entre os cânceres mais incidentes na população, o câncer renal é o tumor urológico mais letal. Dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade do Ministério da Saúde indicam que a doença matou 38.618 mil pessoas no Brasil entre os anos de 2016 e 2025, o que representa uma média de 10 mortes por dia. A maioria das mortes (24.370) foi registrada entre os homens, que são os mais atingidos pela doença. A faixa etária com maior incidência é de 60 a 79 anos. “Mais de 38 mil mortes em apenas uma década mostram que o câncer renal continua sendo um importante problema de saúde pública. Muitos desses pacientes chegam ao diagnóstico em fases mais avançadas da doença, quando as possibilidades terapêuticas são mais complexas. Precisamos ampliar a conscientização da população sobre a importância dos exames de rotina e da avaliação médica periódica, especialmente entre pessoas com fatores de risco”, diz Karin Anzolch, diretora de comunicação da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU).
Fatores de risco e prevenção Os principais fatores de risco associados ao câncer renal são: tabagismo; obesidade; hipertensão; histórico familiar da doença; doença renal crônica; exposição prolongada a determinadas substâncias químicas; algumas síndromes genéticas hereditárias. “Existem fatores não modificáveis, como os genéticos, mas a maioria dos casos de câncer renal está associada a condições potencialmente evitáveis”, afirma Roni de Carvalho Fernandes, presidente da SBU. O tabagismo é a principal delas. Por isso, de acordo com o especialista, a prevenção da doença está diretamente relacionada à adoção de hábitos de vida saudáveis e ao controle dessas condições. Veja também: Pare de fumar: 21 passos para largar o cigarro Sinais de alerta e diagnóstico O câncer renal geralmente não provoca sintomas em estágios iniciais. Quando ocorrem, os mais comuns são sangue na urina (hematúria), dor persistente na região lombar, massa ou nódulo abdominal, perda de peso sem causa aparente, cansaço excessivo, febre persistente e anemia. O diagnóstico é realizado por meio de exames de imagem como ultrassom, tomografia computadorizada e ressonância magnética. Uma vez identificado o tumor, o especialista avalia características como tamanho, localização e potencial de agressividade para definir a conduta mais adequada para o tratamento. A identificação precoce aumenta as chances de cura. Mas como a doença é assintomática, muitas vezes são achados incidentais nos exames de imagem que levantam a suspeita. Pacientes no grupo de risco devem ter atenção redobrada. “Para indivíduos com histórico familiar de câncer renal, a SBU recomenda a realização de pelo menos um ultrassom abdominal a partir dos 40 anos de idade. Em casos selecionados, especialmente quando há suspeita de síndromes hereditárias, a avaliação pode precisar ser antecipada e individualizada”, detalha Fernandes. Tratamento do câncer renal As formas de tratamento incluem cirurgia, crioterapia, terapias-alvo, imunoterapia e combinações entre diferentes modalidades terapêuticas. Em relação a cirurgia, existem dois tipos de procedimento: nefrectomia parcial: quando apenas o tumor é removido, com preservação do restante do órgão; nefrectomia total: indicada em casos mais avançados, com retirada completa do rim. Segundo informações do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS), entre 2016 e 2025, foram realizadas pouco mais de 23 mil nefrectomias totais, contra cerca de 13 mil parciais por câncer de rim. Entretanto, especialistas indicam que isso está mudando. “A tendência atual para a maioria dos casos são os tratamentos que preservam o rim. Como com o avanço dos exames de rotina temos progressivamente mais diagnósticos precoces, é possível cada vez mais realizarmos tratamentos que preservam o órgão”, explica Fernando Korkes, coordenador do Departamento de Uro-Oncologia da SBU. É possível viver bem com apenas um rim? “Mesmo após a retirada completa de um dos rins, a maioria dos pacientes consegue viver normalmente com apenas um órgão, desde que haja acompanhamento adequado. Após a cirurgia, é importante manter controle da pressão arterial, evitar uso excessivo de medicamentos nefrotóxicos (anti-inflamatórios e antibióticos) e adotar hábitos saudáveis”, recomenda Fernandes. Os hábitos incluem beber bastante líquido ao longo do dia, ingerir quantidade de proteína moderada ao longo da semana, evitar comidas muito salgadas, controlar a pressão arterial e o diabetes e manter o acompanhamento médico regular para monitorar a função renal. Veja também: Quando é possível considerar um câncer curado?The post Câncer renal mata 10 pessoas por dia no Brasil; saiba como prevenir e tratar first appeared on Portal Drauzio Varella.
Este artigo tem como fonte DRAUZIO VARELLA UOL
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