Fitofotodermatite: por que o contato com certas plantas e frutas pode queimar a pele quando exposta ao sol
O contato da pele com limão e algumas plantas, seguido de exposição ao sol, pode causar inflamação, manchas e até queimaduras. Entenda.
Em dias ensolarados, é comum preparar um suco ou drink com limão para curtir um churrasco com a família e os amigos. Mas se as mãos não forem bem lavadas após manusear a fruta antes de se expor ao sol, o momento de diversão pode acabar em fitofotodermatite. A fitofotodermatite é uma inflamação da pele causada pela interação entre substâncias presentes em algumas frutas e plantas e a luz solar. Basta separar a palavra: fito vem de planta, foto significa luz e dermatite é o termo médico usado para descrever uma inflamação da pele.
Por que isso ocorre? Alguns vegetais, como os limões e as frutas cítricas, produzem substâncias de nome esquisito: as furocumarinas. Na natureza, as plantas produzem essas substâncias para se proteger contra insetos, fungos, bactérias e outros organismos que podem atacá-las. Na pele humana, no entanto, a história é outra. “As furocumarinas, presentes nas frutas cítricas, quando entram em contato com a pele, são ativadas pela radiação ultravioleta A. Essa ativação gera uma reação fototóxica: as moléculas absorvem a energia da luz solar e passam a danificar diretamente as células da pele, provocando um processo inflamatório semelhante a uma queimadura química”, explica Patrícia Dalboni, médica dermatologista. Omar Lupi, dermatologista e membro da Academia Nacional de Medicina (ANM), destaca que a fitofotodermatite só ocorre mesmo na presença da radiação solar. “A radiação solar funciona como um fogo que gera a ignição. Se você simplesmente tiver o sumo do limão na mão, pode não acontecer nada. Ele não é fototóxico sozinho. Mas, na presença da radiação ultravioleta, ocorre a reação fototóxica. É como se houvesse uma combustão”, explica. Figueira e aroeira: as outras vilãs Não são apenas os limões e outras frutas cítricas os vilões da história. Existem outras plantas capazes de provocar lesões na pele após o contato, como a figueira e a aroeira, segundo Lupi. No caso da figueira, o problema também está nas furocumarinas presentes na seiva da planta. Há inclusive casos de pessoas que utilizam preparações caseiras feitas com a figueira para tentar se bronzear, algo que os especialistas não recomendam. “Quando chega o verão, vemos pessoas usando chá de figueira para tentar ficar morenas ou bronzeadas. Quando isso é feito de maneira extensa, é como se fosse uma super queimadura solar”, alerta o médico. Já as aroeiras, plantas da mesma família do caju, podem provocar outro tipo de reação na pele. Nesse caso, a substância responsável é o urushiol (também um mecanismo de defesa), que causa dermatite de contato e não a fitofotodermatite clássica provocada pelo limão. Veja também: Cuidados com a pele no verão: entenda por que eles são essenciais Sintomas da fitofotodermatite Os sintomas mais comuns da fitofotodermatite são vermelhidão, bolhas e manchas escuras, que geralmente surgem entre 24 e 48 horas após a exposição, embora em casos mais raros possam aparecer até quatro dias depois. A pele pode ficar vermelha, arder, coçar e, nos quadros mais intensos, formar bolhas semelhantes às de uma queimadura. “As lesões podem começar como manchas rosadas, que vão ficando mais vermelhas, e o formato costuma ser bem peculiar. Pode ter o formato de um gotejamento. É muito comum a pessoa estar fazendo uma caipirinha ou temperando um peixe na praia, acontecer um respingo do sumo do limão e ela ficar exatamente com a marca daquele respingo”, afirma Dalboni. Depois da fase aguda, é comum o aparecimento de manchas escuras que podem permanecer por semanas ou até meses. O que fazer depois da exposição? Se a pessoa teve contato com frutas cítricas ou outras plantas associadas à fitofotodermatite, como a figueira, a recomendação é lavar bem a região com água e sabão antes da exposição ao sol. Caso o contato tenha ocorrido e a pessoa já tenha tomado sol, a recomendação é fazer compressas frias com água ou soro fisiológico e aplicar bastante hidratante na região. O protetor solar ou uma forma mecânica de proteção, como luvas ou roupas, também ajudam. Tratamento da fitofotodermatite Se a pessoa desenvolveu a fitofotodermatite, é recomendado procurar atendimento médico. Segundo Lupi, o tratamento depende da gravidade da lesão e deve ser definido pelo dermatologista. “Se for uma etapa muito inicial, pode ser indicado um corticoide de menor potência, eventualmente até oral, além da proteção solar”, explica. Nos casos mais graves, porém, pode ser necessária uma intervenção médica mais intensa. “Já vi pacientes internados como grandes queimados. A pessoa fez um chá com folhas de figueira, passou no corpo todo e foi para o sol. Então, dependendo da área corporal exposta e da concentração da substância, o quadro pode ser bastante grave”, conta. Veja também: Quando as manchas na pele são perigosas? Como diferenciar de queimadura solar e alergia À primeira vista, a fitofotodermatite pode ser confundida com uma queimadura solar ou uma alergia na pele. Segundo Dalboni, a principal diferença está no histórico do paciente e no padrão das lesões. “A queimadura solar normalmente atinge a pele de forma uniforme na área exposta ao sol, sem contorno ou desenho específico. Já a fitofotodermatite parece um respingo ou uma sujeira: a pessoa encostou a mão e ficou com a marca dos dedos, encostou o dedo no limão e depois expôs a pele ao sol. Em geral, é uma mancha irregular”, afirma a dermatologista. Já a dermatite de contato alérgica costuma vir acompanhada de coceira intensa desde o início e nem sempre apresenta esse padrão semelhante ao de uma queimadura.The post Fitofotodermatite: por que o contato com certas plantas e frutas pode queimar a pele quando exposta ao sol first appeared on Portal Drauzio Varella.
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