Meu nome é Carlos Eduardo da Silva Oliveira, ginecologista e obstetra formado pela Universidade Estadual do Pará e residência médica pela Fundação Santa Casa de Misericórdia de Belém-PA. Atuo na especialidade há 20 anos. O gosto pela especialidade apareceu na faculdade, quando tive o primeiro contato, vi que era aquilo que almejava seguir e atuando com muito amor pela minha especialidade, ajudando na saúde da mulher.
A adenomiose é uma patologia inflamatória relacionada ao endométrio, camada mais interna do útero, quando ela invade a camada muscular do útero, ou seja, o miométrio.
Ela se diferencia principalmente da endometriose, pois o endométrio invade apenas as camadas mais internas do útero. Já na endometriose, ocorre a invasão e o crescimento de tecido endometrial fora do útero, tais como ovários, trompas, intestinos e outros órgãos.
Principalmente a dor de forte intensidade no período menstrual, às vezes seguida de sangramento uterino anormal ou não.
Em pacientes que relatam aumento das dores no período menstrual, vale a pena investigarmos adenomiose e/ou endometriose, visto que as duas patologias podem estar presentes ao mesmo tempo.
Com o aparecimento de novas tecnologias e novos estudos para investigação da doença, conseguimos mapear melhor as lesões tanto da adenomiose como da endometriose, pois temos no nosso arsenal o ultrassom pélvico transvaginal com preparo intestinal, a ressonância magnética pélvica e a videolaparoscopia, tanto para diagnóstico como para tratamento.
O perfil aparece mais em mulheres em idade fértil, por volta dos 35 aos 45 anos, que já passaram por pelo menos uma gestação, aborto ou cirurgia uterina. Porém, está cada vez mais frequente o aparecimento em mulheres mais jovens.
O tratamento da adenomiose atualmente é individualizado e visa principalmente ao alívio da dor e, se presente, do sangramento vaginal aumentado.
Orientamos sempre a paciente a praticar atividades físicas e dietas a fim de melhorar a resposta inflamatória, visto que leva à melhora das dores da paciente.
Para casos de sintomas leves e moderados, é realizado bloqueio hormonal com pílulas contraceptivas de uso contínuo, DIU hormonal (Myrena) ou implante hormonal subdérmico.
Em casos de sintomas mais graves e pacientes com prole constituída, opta-se pelo tratamento cirúrgico, de preferência por videolaparoscopia.
Sim, ela pode impactar na fertilidade da paciente. Primeiramente, é necessário investigar e avaliar o grau dos sintomas e o histórico obstétrico da paciente.
Se há um comprometimento grave da fertilidade, é de suma importância uma avaliação com médico especialista em reprodução humana para a possibilidade de reprodução assistida, como a fertilização in vitro.
Precisamos avançar em métodos diagnósticos mais precoces e menos invasivos e no desenvolvimento de medicamentos direcionados que preservam a fertilidade sem causar bloqueio ovariano total.
Em relação às perspectivas para o futuro, medicamentos mais específicos, como moduladores seletivos dos receptores de progesterona, que atuam diretamente na resistência à progesterona característica da doença, aliviando a dor sem impedir a ovulação.
Também existem tecnologias conservadoras, como o ultrassom focalizado de alta frequência ou ablação por radiofrequência, além de avanços cirúrgicos, como a robótica e a videolaparoscopia com técnicas conservadoras de preservação do útero.