Adenomiose ou endometriose? Ginecologista explica as diferenças entre as doenças

Dra. Gisele Leite explica como diferenciar as condições, reconhecer os sintomas e buscar o diagnóstico adequado.

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10 4 Min

Adenomiose ou endometriose? Ginecologista explica as diferenças entre as doenças
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Uma trajetória dedicada ao cuidado integral da mulher

A escolha da Ginecologia nasceu da vontade de cuidar da mulher de forma integral, o que vai muito além de tratar uma doença ou resolver um problema pontual.

Gosto da ideia de acompanhar minhas pacientes ao longo dos anos, promover saúde, prevenir doenças, orientar, acolher e ajudá-las a fazer escolhas conscientes sobre o próprio corpo.

Adenomiose e endometriose são diagnósticos diferentes

Apesar de poderem coexistir, a adenomiose e a endometriose são diagnósticos diferentes e não estão necessariamente associados.

A endometriose ocorre quando existe tecido endometrial, que reveste a parte interna do útero, fora do órgão. Esse tecido pode acometer os ovários, o intestino, os ligamentos, a bexiga, o peritônio, entre outras regiões.

A adenomiose também se caracteriza pela existência de tecido endometrial fora do local habitual. Nesse caso, porém, em vez de estar fora do útero, o tecido acomete a camada muscular uterina, que denominamos miométrio.

As duas condições podem coexistir na mesma paciente

Como ambas compartilham sintomas, pode ser difícil determinar qual condição é responsável pelo quadro clínico apresentado pela paciente.

A ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal e a ressonância magnética da pelve são alguns dos exames que utilizamos para realizar o diagnóstico.

Cólicas intensas e aumento do fluxo menstrual estão entre os principais sintomas

As principais queixas das pacientes com essas patologias são cólicas menstruais intensas e aumento do fluxo menstrual, sobretudo quando se trata da adenomiose.

A anamnese e o exame físico nos fazem levantar a suspeita, mas existem outros diagnósticos diferenciais para esses sintomas. Por isso, precisamos de exames de imagem para obter um diagnóstico preciso.

A normalização da cólica menstrual contribui para o atraso no diagnóstico

O atraso no diagnóstico é multifatorial, mas um dos principais fatores ainda é a normalização da cólica menstrual.

Culturalmente, muitas mulheres crescem ouvindo que sentir cólicas intensas faz parte da menstruação e acabam acreditando que aquela dor é apenas uma característica do próprio organismo.

Com isso, convivem com os sintomas por anos antes de procurar assistência especializada, o que muitas vezes só ocorre quando o quadro já está bastante avançado.

O tratamento precisa ser individualizado

Embora ambas sejam doenças que compartilham opções terapêuticas, como o tratamento hormonal, a abordagem deve ser individualizada.

A escolha do tratamento deve considerar a doença predominante, os sintomas apresentados, a idade da paciente e o desejo reprodutivo.

Adenomiose e endometriose podem afetar a fertilidade

São doenças muito associadas à infertilidade. Os mecanismos são um pouco diferentes, mas podem coexistir.

A endometriose pode causar aderências pélvicas, distorção da anatomia que dificulte a captação do óvulo e inflamação crônica que prejudica o ambiente para a fecundação, entre outras alterações.

Já a adenomiose causa um processo inflamatório local que culmina em um ambiente inadequado para a implantação do embrião. Quando a implantação acontece, existe um risco aumentado de abortamento.

A dor não deve ser normalizada

Para a mulher que convive com dor pélvica crônica e ciclos menstruais intensos sem um diagnóstico definido, eu diria para não normalizar a dor.

Cólicas incapacitantes, dor pélvica persistente, dor durante a relação sexual ou menstruações muito intensas não são “normais” e merecem investigação.

Quanto mais cedo o diagnóstico é feito, maiores são as chances de controlar os sintomas, preservar a qualidade de vida e proteger a fertilidade.

 


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