Extrassístoles: o que são batimentos antecipados e por que o coração parece “falhar”
As extrassístoles costumam ser benignas, mas podem assustar. Saiba por que elas acontecem e em quais situações exigem avaliação médica.
A função do coração é bombear o sangue para todo o organismo através dos vasos sanguíneos. É como se fosse uma bomba hidráulica que impulsiona água por uma rede de canos. E tudo isso é disparado por impulsos elétricos que percorrem as células do coração (sim, o corpo humano tem eletricidade). Essa energia faz o músculo cardíaco se contrair (o nome técnico é sístole) e relaxar (diástole) de forma coordenada, gerando os batimentos. Em repouso, um adulto costuma ter entre 60 e 100 batimentos por minuto, segundo a Associação Americana do Coração. De vez em quando, porém, ocorre um batimento antecipado. O nome disso é extrassístole. “As extrassístoles são batimentos que acontecem antes da hora, originados por um foco elétrico fora do ritmo normal. Como esse batimento precoce costuma ser menos eficiente, muitas pessoas nem o percebem”, explica Nilton Carneiro, cardiologista do Hospital Santa Catarina, em São Paulo (SP).
Depois da batida antecipada, ocorre uma pequena pausa até que o ritmo normal seja retomado. E é isso que costuma assustar as pessoas. “É justamente essa pausa, seguida de um batimento um pouco mais forte, que provoca a sensação de que o coração ‘falhou’ ou ‘deu um tranco’. Na realidade, o coração não para de bater. Apenas houve um batimento antecipado, seguido do retorno ao ritmo normal”, esclarece Silvio Gioppato, cardiologista e diretor do Laboratório de Hemodinâmica do Hospital de Clínicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O batimento antecipado é perigoso? A boa notícia é que a extrassístole não é perigosa. “Na maioria das pessoas, especialmente quando o coração é estruturalmente normal, as extrassístoles são benignas e não aumentam o risco de problemas cardiovasculares”, diz Gioppato. Segundo o médico, essas pulsações estão ligadas a fatores como estresse, privação de sono, excesso de cafeína, álcool, tabagismo, uso de estimulantes ou ansiedade. No caso da ansiedade, além de a condição favorecer as extrassístoles, pessoas com o transtorno costumam perceber mais as pulsações. Em grupos de redes sociais, é comum encontrar relatos de usuários perguntando se esses batimentos são normais ou perigosos. Isso ocorre porque elas tendem a permanecer em um estado maior de alerta, prestando mais atenção às sensações do próprio corpo. Mas no geral, de acordo com os especialistas, não há motivo para preocupação. Ainda assim, há situações em que esses batimentos merecem um olhar mais cuidadoso. Quando extrassístoles merecem atenção? Embora as extrassístoles sejam normais e não ofereçam perigo na maioria das vezes, vale ficar atento em algumas situações. “A investigação merece mais atenção quando elas vêm acompanhadas de desmaios, dor no peito, falta de ar, surgem durante o esforço físico ou ocorrem em pessoas com doença cardíaca conhecida ou histórico familiar de morte súbita”, alerta Gioppato. Já Carneiro lembra que, em casos de alta carga de extrassístoles, também vale procurar atendimento médico para investigação. “O diagnóstico começa pela história clínica, exame físico e eletrocardiograma. O holter de 24 horas ou de maior duração é fundamental para quantificar a frequência das extrassístoles”, fala o cardiologista. O holter 24 horas é um exame que registra a atividade elétrica do coração durante um dia inteiro. Além disso, ainda segundo Carneiro, o ecocardiograma (exame de ultrassom do coração) também é utilizado para avaliar a estrutura e a função do órgão. Dependendo do caso, também podem ser solicitados o teste ergométrico e a ressonância cardíaca. Veja também: Quando é hora de procurar um cardiologista? Tratamento das extrassístoles Caso seja preciso fazer algum tipo de tratamento, ele vai depender do tipo de arritmia, da frequência com que ela ocorre, dos sintomas que provoca e, principalmente, da sua causa. “Quando elas estão relacionadas a fatores como excesso de cafeína, consumo abusivo de álcool, tabagismo, estresse ou privação de sono, mudanças no estilo de vida costumam ser suficientes para reduzir ou até eliminar os sintomas”, afirma Gioppato. Já quando as extrassístoles estão associadas a uma doença cardíaca, o tratamento deve ser direcionado à causa. Em pacientes com sintomas persistentes ou arritmias mais frequentes, podem ser indicados medicamentos antiarrítmicos.The post Extrassístoles: o que são batimentos antecipados e por que o coração parece “falhar” first appeared on Portal Drauzio Varella.
Este artigo tem como fonte DRAUZIO VARELLA UOL
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