Nem todo esquecimento faz parte da idade: saiba quando buscar avaliação médica
Alterações na memória, como esquecimento, nem sempre fazem parte do envelhecimento. Conheça os sinais que merecem atenção e a importância do diagnóstico precoce
Envelhecer não é sinônimo de memória ruim. Durante um painel sobre doença de Alzheimer no Congress on Brain, Behavior and Emotions 2026, realizado em Porto Alegre (RS), o neurologista Ivan Okamoto chamou a atenção para uma ideia ainda presente no senso comum: acreditar que todo esquecimento faz parte da idade. “Envelhecer não é a mesma coisa que perder a memória”, disse Okamoto durante a apresentação. Segundo o especialista, essa percepção pode atrasar a investigação de alterações cognitivas e, consequentemente, o diagnóstico de doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer.
O que é esperado com o envelhecimento O envelhecimento provoca mudanças naturais no funcionamento do cérebro. É comum que o processamento das informações fique um pouco mais lento, fazendo com que algumas lembranças demorem mais para ser recuperadas. Essas mudanças podem se manifestar como dificuldade momentânea para encontrar uma palavra, esquecer temporariamente onde um objeto foi deixado ou precisar de mais tempo para aprender algo novo. Essas situações costumam ser ocasionais, não comprometem a autonomia e não impedem a realização das atividades do dia a dia. Na maioria das vezes, a informação é lembrada pouco depois ou pode ser recuperada com alguma pista. Quando o esquecimento merece atenção O problema não está em esquecer um compromisso ou perder um objeto de vez em quando, mas perceber que essas situações passaram a ser frequentes. Os sintomas que merecem avaliação médica incluem: esquecer repetidamente de pagar contas; perder compromissos importantes; bloquear senhas por não conseguir recordá-las; repetir perguntas ou histórias diversas vezes; precisar da ajuda de familiares para realizar tarefas antes executadas com autonomia. “Esquecer de pagar uma conta ou deixar o celular em algum lugar pode acontecer com qualquer pessoa. O sinal de alerta aparece quando isso passa a ser sistemático e começa a comprometer a rotina”, explicou Okamoto. Além da memória, alterações na linguagem, dificuldade para organizar tarefas, perda da capacidade de planejamento, mudanças de comportamento e redução da iniciativa também podem estar entre as manifestações iniciais de doenças neurodegenerativas. Os primeiros sinais costumam ser identificados por familiares ou até por profissionais de saúde que acompanham o paciente há anos e conseguem perceber mudanças no comportamento ou na capacidade de compreender orientações. A investigação pode começar com o clínico geral, o geriatra ou o neurologista, que avaliarão a necessidade de exames complementares e, quando indicado, encaminharão o paciente para acompanhamento especializado. Por que o diagnóstico precoce é importante Nos últimos anos, o conhecimento sobre a doença de Alzheimer avançou significativamente. Hoje, biomarcadores como os relacionados às proteínas beta-amiloide e tau, já permitem identificar alterações cerebrais associadas à doença antes que ela chegue a estágios avançados. Também já existem terapias capazes de retardar sua progressão em pacientes elegíveis. Embora esses tratamentos não representem uma cura e sua indicação dependa do estágio da doença e de critérios clínicos bem estabelecidos, os avanços reforçam a importância do diagnóstico precoce. Quanto mais cedo a doença for identificada, maiores serão as chances de que o paciente tenha acesso às opções terapêuticas disponíveis, além de preservar a autonomia e a qualidade de vida por mais tempo. Veja também: Envelhecimento e memória: como evitar o declínio cognitivo?The post Nem todo esquecimento faz parte da idade: saiba quando buscar avaliação médica first appeared on Portal Drauzio Varella.
Este artigo tem como fonte DRAUZIO VARELLA UOL
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