Como sair das telas e voltar a sentir prazer em outras atividades? 

O seu celular está roubando o prazer de outras atividades? Entenda como sair das telas e encontrar bem-estar de maneiras mais saudáveis.

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Você já reparou como é fácil passar horas na tela do celular? Horas que você não passaria fazendo qualquer outra atividade, mesmo aquelas de que você gosta? A explicação para isso não está na dopamina, mas no tipo de prazer que sentimos a partir dela. Existe um processo cerebral chamado de saliência de incentivo, em que um estímulo neutro (como um post ou uma notificação) é transformado em algo atraente e desejável só por causa da recompensa que ele oferece. E existe também o prazer hedônico, a sensação real de prazer que vem após uma realização, marcada pela busca e pela motivação pessoal. A estrutura que media o prazer no cérebro é o córtex orbitofrontal. Ela faz o controle inibitório, freando os impulsos que possam nos levar a respostas inadequadas ou que nos distraia e transformando os sinais biológicos em experiências subjetivas de prazer. No entanto, quando temos contato excessivo com as telas, o nosso corpo produz muita dopamina (um neurotransmissor produzido pelo cérebro que atua na comunicação entre os neurônios e regula o sistema de prazer) sem nenhum esforço — basta vermos uma notificação ou rolar para o próximo vídeo. Assim, o córtex orbitofrontal não consegue fazer seu trabalho de controlar os impulsos diante dos estímulos e isso resulta na saliência de incentivo. A nossa atenção é capturada de forma poderosa e, por consequência, queremos continuar mexendo no celular cada vez mais. O problema é que o cérebro fica sempre esperando que, no meio daquilo, apareça uma experiência de prazer hedônica. Além disso, depois de um pico de dopamina que acontece de forma imediata, ela costuma baixar para um nível menor do que estava antes. Então, o sistema nervoso interpreta que ele não pode parar; na verdade, deve buscar mais. Por que outras atividades dão um prazer diferente? Entre as atividades que comprovadamente provocam o prazer hedônico, estão o exercício físico e as experiências com arte. O exercício físico, por exemplo, é capaz de liberar dopamina em cerca de 30 a 40 minutos.  “Isso vai trazer um grande bem-estar e não necessariamente causar uma dependência em que a pessoa tenha que ficar andando de bicicleta, caminhando ou correndo o dia inteiro”, compara Gustavo Gattino, musicoterapeuta e pesquisador da relação entre música, cérebro e desenvolvimento humano. Nas artes visuais, música, teatro, dança e outras expressões artísticas, o sistema nervoso central interpreta a atividade como algo que o indivíduo deseja. Isso faz com que, além da dopamina, a serotonina e a noradrenalina – neurotransmissores essenciais que regulam o humor e o bem-estar no sistema nervoso central – sejam liberadas, criando um estado de relaxamento no corpo. “Os estudos mostram que quando realizo uma atividade em que não sei o resultado, o corpo já começa a liberar dopamina aos poucos. Quando ele tem o resultado, que é uma surpresa ou algo melhor do que esperava, essa liberação desse prazer hedônico é muito mais significativa”, destaca Gattino. Nesse sentido, o contato com a natureza também é uma alternativa. Como o ritmo da natureza é diferente e incontrolável, há uma ativação do córtex somatossensorial, que utiliza todos os sentidos para estar em contato com o ambiente.  Como sair das telas e conseguir prazer de outras formas? Atualmente, ainda não se sabe se a melhor estratégia para fugir das telas é cortar o uso do celular de uma vez ou ir diminuindo aos poucos. Alguns estudos sugerem que a redução gradual pode trazer benefícios em até três semanas, enquanto outros não encontraram diferenças significativas entre quem fez dessa forma e quem parou de uma vez. “É muito difícil a gente dar uma receita de bolo porque, claro, vai depender muito de cada pessoa. Os mecanismos de prazer, ainda que, nessa questão das telas, tenham um efeito muito parecido na sociedade, existe uma interpretação do prazer que é algo muito pessoal”, explica o pesquisador. Atualmente, mudanças na rotina e os próprios aplicativos de celular oferecem maneiras de reduzir o uso: mude as cores da tela para a escala de cinza para o celular parecer menos atraente; desative notificações de aplicativos que não são urgentes; use aplicativos que impõem limites diários de uso; crie zonas livres de celular, como a mesa de jantar e o quarto; deixe o telefone em outro cômodo quando for dormir. Para o especialista, vale ainda se perguntar em que momentos a tela tem aparecido. Muitas vezes, elas substituem algo que deveria estar ali, como uma atividade física ou uma conversa com um familiar. Em vez de recorrer ao celular, tente ocupar aquele momento com um livro, um crochê, um caça-palavras ou algo que vai te dar outra função para preencher o ócio. Veja também: Rolando o feed sem parar? Veja como parar o hábito que pode fazer mal à saúdeThe post Como sair das telas e voltar a sentir prazer em outras atividades?  first appeared on Portal Drauzio Varella.

Este artigo tem como fonte DRAUZIO VARELLA UOL

FONTE: https://drauziovarella.uol.com.br/saude-mental/como-sair-das-telas-e-voltar-a-sentir-prazer-em-outras-atividades/
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