1º Fórum Saúde da Família: veja os destaques do evento promovido por Pais&Filhos e Portal Drauzio
O encontro, realizado em São Paulo, reuniu especialistas de diversas áreas para debater temas como vacinação, uso de telas e cuidados durante a gestação. Saiba mais.
Na última quarta-feira, 23 de setembro, aconteceu em São Paulo o 1º Fórum Saúde da Família, realizado pela Pais&Filhos, Portal Drauzio e apoio da Júpiter Conteúdo em Movimento. O encontro, realizado no Unibes Cultural, reuniu especialistas, gestores e representantes de diferentes setores para discutir alguns dos principais desafios relacionados à saúde e à assistência no Brasil. Prevenção de doenças, vacinação, uso de telas, desenvolvimento infantil, parentalidade atípica e acesso a informações confiáveis estiveram entre os temas debatidos. Confira abaixo os principais destaques dos painéis e bate-papos do evento. Uso nocivo de telas e a perda do brincar O primeiro painel do Fórum Saúde da Família foi uma edição especial do DrauzioCast. Drauzio Varella e Daniel Becker, pediatra e sanitarista, conversaram sobre a importância do brincar, educação infantil e o uso de telas por crianças e adolescentes. Para o especialista, as crianças têm ficado muito tempo confinadas em casa. Ao primeiro sinal de tédio, os pais entregam uma tela, o que causa um prejuízo em duas dimensões: o próprio uso nocivo das telas e a perda de brincar. Ele explica que o brincar sem adultos — seja sozinho ou com outras crianças — é o mais importante para os pequenos. “Esse é o brincar que traz mais benefícios. Ele não traz só movimentação física, harmonia, contato com a natureza, benefícios para a imunidade, foco, memória, sono, comportamento. Ele traz também habilidades sociais incríveis. É uma forma de reduzir o estresse na infância e uma fábrica de habilidades. Uma criança quando brinca sozinha, ela tem que usar a criatividade; quando ela brinca com outra crianças, ela vai desenvolver habilidades sociais, de comunicação, de autoconhecimento, de empatia, de negociação. São habilidades fundamentais que o brincar vai trazer. E a gente está perdendo isso tudo em função desse confinamento progressivo”, disse Becker. O futuro começa na infância O painel “Cuidar da infância é cuidar do futuro” foi mediado por Mariana Varella, editora-chefe do Portal Drauzio, e contou com a participação de Elaine de Pádua, nutricionista; Isa Minatel, psicopedagoga e educadora parental; Roberta e Taís Bento, educadoras; e Carlos Augusto Takeuchi, neurologista pediátrico e chefe da equipe de neuropediatria do Sabará Hospital Infantil. A conversa abordou diversas perspectivas sobre saúde e desenvolvimento infantil, como alimentação, uso de telas, relação com a escola, bullying, autonomia e a importância de políticas públicas voltadas para a infância. Taís Bento disse que os impactos do bullying vão além da vítima, mas afetam também o cérebro de quem pratica e de quem presencia o ato. Além disso, os painelistas destacaram que o uso excessivo de telas muitas vezes muitas vezes está atrelado à ausência dos cuidadores na vida da criança, que passa a construir seus valores baseados no conteúdo que está consumindo. Como recado final, Isa Minatel falou sobre a importância de se sensibilizar com a infância. “Eu diria para a gente não passar pela vida com crianças querendo se manter da mesma forma. Eu diria para a gente se sensibilizar. Precisamos de políticas públicas, de mudanças sociais na estrutura como um todo. Mas não vamos esperar só isso, vamos fazer aquilo que for possível dentro da nossa realidade. Não fique insensível. Não passe despercebido pela infância de uma criança que vive com você”, afirmou. Quem protege, vacina O terceiro painel discutiu a importância da imunização. Com apresentação de Andressa Simonini, CEO da Pais&Filhos, o debate reuniu Luana Araujo, infectologista e epidemiologista; Mônica Levi, pediatra e presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm); e Marlene Oliveira, jornalista e fundadora do Instituto Lado a Lado pela Vida. As vacinas estão entre as intervenções que mais salvaram vidas na história da humanidade, mas têm sido alvo constante de desinformação, especialmente após a pandemia de covid-19. Mônica Levi destacou que o esforço que se faz hoje para “convencer” alguns pais a vacinarem os filhos não existia antigamente. “Era uma geração de pais que corria desesperadamente [para vacinar] na epidemia de meningite. A gente tinha 100% de adesão nas campanhas de vacinação contra a pólio. E o calendário de rotina também, a gente tinha as metas atingidas por décadas. O Brasil foi exemplo pro mundo todo de cobertura vacinal, de uma estratégia de vacinação muito bem-sucedida. Então, a gente teve uma redução drástica da mortalidade infantil. E com isso, a gente criou uma geração de crianças que foram vacinadas, não tiveram as doenças e hoje são adultos pais que não veem o risco da doença e passam a se preocupar mais com os efeitos adversos da vacina — potencializados por fake news, por desinformação, por politização em relação à vacinação. Isso não existia. E assim, a gente deixou de se vacinar, de atingir as metas de cobertura, pondo em risco a população para doenças que já foram eliminadas”, afirmou. As especialistas também falaram sobre a vacinação como uma estratégia de saúde coletiva, já que ao se vacinar, o indivíduo não apenas se protege, mas ajuda a proteger as pessoas a sua volta, inclusive aquelas que, por algum motivo, não podem receber determinadas vacinas (como gestantes, pacientes imunossuprimidos ou que têm alergia aos componentes do imunizante). “Existe um percentual pequeno da população que não pode fazer aquelas vacinas. Se elas não podem fazer, é uma questão de generosidade, de consciência, de saber viver em sociedade, e você não está fazendo isso sem ganhar nada. Você está se protegendo. E além de tudo, você está ajudando a proteger uma pessoa que não consegue se defender daquela doença”, comentou Luana Araujo. Foto: Daniel Junior Gestante: os cuidados não terminam no nascimento do bebê No painel “Gravidez do futuro: preparando para o antes e cuidando da mente e do corpo para o depois”, Eduardo Cordioli, obstetra do Hospital e Maternidade Santa Joana, destacou a importância de ampliar o cuidado com a saúde materna para além dos meses de gestação. A conversa abordou desde o planejamento pré-concepcional e o controle de doenças crônicas antes da gravidez até a prevenção e o acompanhamento de condições como diabetes gestacional e pré-eclâmpsia. Cordioli também chamou atenção para o chamado “quarto trimestre”, que ele explicou que seria o período após o parto em que a mulher deve continuar sendo acompanhada, especialmente diante dos riscos cardiovasculares e das mudanças na saúde mental, para identificar a necessidade de tratar sintomas de ansiedade e depressão durante o puerpério, tanto pelo impacto na saúde da mulher quanto nos cuidados com o bebê. “Hoje a gente fala do quarto trimestre porque a mulher precisa continuar o acompanhamento com o ginecologista até fazer uma transição segura para o médico da família ou para o cardiologista”, explicou. Informação, apoio e cuidado diante do inesperado Diagnósticos inesperados, doenças raras, câncer e maternidade atípica mudam não apenas a rotina de uma família, mas também a forma de enxergar o futuro. Foi a partir dessas vivências que Gabriela Lian, Daiana Garbin, Antoine Daher, Jussara Del Moral e Natália Lopes se reuniram no painel “Quando a vida muda os planos”, uma das conversas mais pessoais do fórum. Gabriela Lian foi a jornalista que mediou o painel e também compartilhou sua história como mãe de Isadora. Foi a dificuldade de comunicação com a filha que levou à investigação e, posteriormente, aos diagnósticos de apraxia, autismo e de uma alteração genética rara. Já a jornalista Daiana Garbin relembrou o diagnóstico de retinoblastoma da filha Lua, quando tinha apenas 11 meses, uma experiência que deu origem à campanha De Olhos nos Olhinhos, voltada à conscientização sobre os sinais da doença e a identificação precoce para um melhor tratamento e prognóstico. Mesmo enfrentando uma situação delicada, Garbin compartilhou que viveu momentos felizes nesse processo. “Durante o tratamento da minha filha, que foi o momento mais difícil da minha vida, eu também vivi os momentos mais lindos. Ela andou pela primeira vez, falou ‘mamãe’ pela primeira vez, começou a se alimentar. Então, que a gente consiga ver essa esperança e as coisas bonitas que acontecem no meio da dor.” A demora para encontrar respostas aparece na história de Antoine Daher, fundador da Casa Hunter, uma instituição sem fins lucrativos que oferece apoio multidisciplinar gratuito. Ele chamou atenção para a longa jornada enfrentada pelas famílias de pessoas com doenças raras. “Levei três anos e meio para diagnosticar meu filho, isso tendo um pediatra muito experiente que acompanhava ele de perto. Mesmo assim, nunca desconfiou”, relatou. Natália Lopes relatou o outro lado da espera por um diagnóstico. Ainda na gestação, recebeu a previsão de que o filho Vini teria uma condição rara e poucas chances de sobrevivência. Hoje, aos quatro anos, ele anda, fala e brinca, mas a família ainda busca um diagnóstico definitivo. Essa experiência levou à criação do Voz das Mães, iniciativa de acolhimento e informação para famílias atípicas. Para contribuir ao tema do painel, Jussara Del Moral trouxe a perspectiva de quem convive há quase duas décadas com o câncer de mama metastático, e contou como a doença modificou sua relação com o tempo, a maternidade e as prioridades. E com esse olhar de esperança e luta, Jussara resumiu o painel com uma frase que ouviu de uma amiga: “Sonhos são ajustáveis.” Prevenção e integração de dados no futuro dos planos de saúde Marcos Paulo Novais, diretor executivo da Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge), trouxe ao painel “Planos de saúde: o que vem pela frente” o debate sobre os principais desafios da saúde suplementar no Brasil, entre eles o aumento dos custos, as diferenças de cobertura e rede, e também sobre a necessidade de ampliar a prevenção. Ele também defendeu que as operadoras e os serviços de saúde tivessem uma maior integração de dados sobre os pacientes e apontou a tecnologia como uma das principais ferramentas de transformação do setor nos próximos anos. Drauzio, corre aqui! O 1º Fórum Saúde da Família terminou com o painel “Drauzio, corre aqui!”, inspirado no quadro das redes sociais em que o médico Drauzio Varella responde a perguntas realizadas por internautas. No evento, o formato foi adaptado para responder dúvidas da plateia sobre temas relacionados à saúde e à qualidade de vida. Drauzio respondeu questões sobre temas variados, como endometriose, sobrecarga feminina e comunicação responsável em saúde. Foto: Daniel JuniorThe post 1º Fórum Saúde da Família: veja os destaques do evento promovido por Pais&Filhos e Portal Drauzio first appeared on Portal Drauzio Varella.
Este artigo tem como fonte DRAUZIO VARELLA UOL
FONTE: https://drauziovarella.uol.com.br/pediatria/1o-forum-saude-da-familia-veja-os-destaques-do-evento-promovido-por-paisfilhos-e-portal-drauzio/