Síndrome nefrótica: nefrologista explica os sintomas, as causas e como é feito o tratamento
Dra. Larissa Rocha, nefrologista, explica como a síndrome nefrótica se manifesta, quais são suas principais causas, como é realizado o diagnóstico e quais cuidados fazem parte do tratamento e acompanhamento da doença.
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Sou formada pela Universidade Federal do Pará (UFPA), com residência em Clínica Médica no Hospital Universitário João de Barros Barreto/UFPA e em Nefrologia na Escola Paulista de Medicina (UNIFESP).
Escolhi a Nefrologia como especialidade ainda na faculdade, quando fiquei encantada pela complexidade do equilíbrio hidroeletrolítico, somado ao fato de a Nefrologia abranger diversas áreas de atuação, tanto em ambiente hospitalar e consultório quanto em clínicas de hemodiálise.
A síndrome nefrótica é marcada pela perda excessiva de proteínas na urinaA síndrome nefrótica é uma condição clínica caracterizada pela perda excessiva de proteínas na urina. Clinicamente, manifesta-se por sinais de inchaço progressivo, ganho de peso e presença de urina espumosa.
As causas podem estar diretamente nos rins ou relacionadas a outras doençasAs causas podem ser primárias, quando acometem diretamente os rins, como ocorre nas glomerulopatias primárias, ou secundárias, quando são decorrentes de outras doenças sistêmicas que acometem os rins.
Entre as causas secundárias estão diabetes, lúpus, além de infecções e neoplasias.
A investigação diagnóstica começa com exames laboratoriaisA investigação diagnóstica inicial é feita com exames laboratoriais, como urina tipo 1, proteinúria de 24 horas, relação proteína/creatinina, que pode ser uma alternativa à urina de 24 horas, albumina, ureia, creatinina e perfil lipídico.
Também são realizados exames direcionados à investigação de possíveis causas secundárias.
O diagnóstico tardio pode favorecer diferentes complicaçõesAs complicações são diversas e incluem acúmulo excessivo de líquidos no corpo, causando inchaço, risco aumentado de infecções, dislipidemia e tromboses.
Além disso, quando não tratada adequadamente, a síndrome nefrótica pode evoluir para doença renal crônica.
O tratamento depende da causa e também busca controlar os sintomasO tratamento tem como foco o controle dos sintomas da síndrome nefrótica, com o uso de medicamentos antiproteinúricos, restrição de sódio, controle da pressão arterial e tratamento da dislipidemia.
A abordagem também depende da etiologia. Nas causas secundárias, é necessário tratar a doença desencadeante em si, como nos casos de infecções ou neoplasias.
Quando se trata de causas primárias, a maioria necessita de medicamentos como corticoides e imunossupressores.
A resposta ao tratamento é acompanhada por avaliação clínica e laboratorialO acompanhamento é clínico e laboratorial. São considerados sinais de remissão ou controle da doença a redução ou desaparecimento do inchaço e a melhora dos parâmetros laboratoriais.
Entre eles estão a redução da proteinúria em relação aos valores prévios, a melhora dos níveis de albumina e a melhora do perfil lipídico.
O seguimento regular com o nefrologista é fundamentalÉ fundamental entender a importância do seguimento regular com o médico nefrologista para alcançar a remissão completa ou pelo menos parcial da doença.
Isso é importante porque sempre existe o risco de complicações, incluindo a evolução para doença renal crônica.