DIU: ginecologista explica os tipos disponíveis, como funcionam e quem pode usar
Dra. Thaynnar Kizan, ginecologista, explica as diferenças entre o DIU de cobre e os dispositivos hormonais, como é feita a escolha do método, quais são os possíveis efeitos e os cuidados necessários antes e depois da inserção.
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A Ginecologia e a Obstetrícia foram áreas pelas quais me apaixonei desde a faculdade. Sempre tive certa afinidade com os assuntos e, somado a isso, a vontade de fazer a diferença na vida de tantas mulheres, com realidades tão diferentes, foi o que me fez escolher essa área da Medicina.
Hoje percebo que, de fato, é uma área que pede mais humanização e mais empatia, visto que são queixas pessoais e que, algumas vezes, as pacientes têm até vergonha de expor. Por isso, é necessário que elas sintam confiança no profissional que escolheram. É exatamente isso que tento fazer todos os dias, com cada paciente que tenho o prazer de atender: prestar um atendimento diferenciado, oferecendo o melhor que eu posso.
O DIU é um método contraceptivo de longa duração e reversívelO DIU é um dispositivo intrauterino, considerado de longa duração e reversível. Hoje temos vários disponíveis no mercado. Vou citar os principais, que seriam o DIU de cobre, oferecido no SUS, livre de hormônios, e os DIUs hormonais Mirena e Kyleena.
O DIU de cobre provoca uma reação inflamatória local no endométrio, além do efeito espermicida do cobre, com o objetivo de impedir a fecundação.
Em contrapartida, temos os DIUs Mirena e Kyleena. Ambos são hormonais, liberadores de levonorgestrel. Entre as diferenças deles, a principal é a dose desse hormônio que é liberada.
O efeito hormonal provoca espessamento do muco, prejudicando a passagem do espermatozóide, além de afinamento do endométrio, tornando o ambiente desfavorável para a fixação de um possível óvulo fertilizado, e inibição parcial da ovulação.
Os tipos de DIU possuem características e durações diferentesO DIU não hormonal é o DIU de cobre. O efeito contraceptivo dele é obtido por ação inflamatória local, por meio da liberação de íons, que vão impedir a fecundação. Ele tem duração de 10 anos e pode provocar aumento do fluxo menstrual e das cólicas.
Já os DIUs hormonais são o Mirena e o Kyleena. Eles são liberadores de levonorgestrel, com dosagem que varia de acordo com o tipo de DIU: Mirena, 52 mg; e Kyleena, 19,5 mg.
Esses dispositivos provocam efeitos como espessamento do muco, atrofia endometrial e inibição da ovulação, que são mecanismos para impedir a fecundação.
O Mirena tem duração de até 8 anos, conforme a bula vigente, e o Kyleena tem duração de 5 anos. Costumam reduzir significativamente o fluxo menstrual e as cólicas e podem ser usados como tratamento de algumas condições ginecológicas.
A escolha do DIU deve considerar o perfil de cada pacienteÉ importante avaliar como funciona o ciclo menstrual da paciente, entender o fluxo menstrual, se há dismenorreia associada, se possui comorbidades ou doenças ginecológicas que precisam ser tratadas e tudo isso associado ao desejo da própria paciente.
Ela precisa estar ciente de todos os possíveis efeitos colaterais e ter um papel de entendimento e escolha, junto com o médico, para a decisão do método contraceptivo a ser adotado.
Algumas condições precisam ser avaliadas antes da inserçãoÉ importante sempre passar por uma avaliação médica prévia, pois serão questionados alguns pontos que podem ser contraindicação ao uso do método.
Os principais seriam: descartar gestação em curso; presença de doença inflamatória pélvica aguda ou cervicite purulenta; esclarecer causas de sangramento uterino anormal, se houver; distorções da cavidade uterina que possam prejudicar a inserção ou a permanência do dispositivo; câncer de endométrio; câncer do colo uterino não tratado; ou câncer de mama atual.
Há outras condições que também precisam ser avaliadas individualmente.
A inserção pode ser feita em ambiente ambulatorialA inserção pode ser feita em ambiente ambulatorial, com anestesia local. Dependendo do nível de tolerabilidade à dor, algumas pacientes optam pela inserção em bloco cirúrgico, com sedação.
Um ponto importante é que, se a paciente for fazer a inserção durante o período menstrual, a cólica costuma ser melhor tolerada. Então, enquanto algumas ficam com receio de procurar o ginecologista durante esse período, saibam que este é um bom momento para realizar a inserção.
Nas primeiras semanas após a inserção, pode ocorrer cólica e alterações do padrão de sangramento. As pacientes devem ser bem orientadas quanto a isso antes da colocação, já devem estar cientes de qual medicação pode ser usada para manejo e de quando devem procurar avaliação ginecológica.
Os efeitos variam de acordo com o tipo de dispositivoEm relação ao DIU de cobre, pode ocorrer aumento do fluxo menstrual e das cólicas. Como isso é algo sobre o qual a paciente deve ser avisada previamente, costuma ser bem tolerado se o método foi indicado para o perfil ideal de paciente.
Ainda assim, pode ser feito uso de anti-inflamatório para controle do quadro álgico e diminuição do sangramento, assim como uso de antifibrinolítico, entre outras opções, a depender do grau da queixa da paciente.
No DIU hormonal, os efeitos que costumam incomodar mais as pacientes são os escapes menstruais. Nesse caso, é preciso avaliar cada situação e observar se é tolerável ou não para a paciente.
Também pode ocorrer amenorreia, que não requer tratamento, cólicas menstruais, que podem ser manejadas com analgésicos e anti-inflamatórios, acne, que deve ser avaliada individualmente em atendimento ginecológico, além de cefaleia ou sensibilidade mamária, cujo manejo depende da intensidade e pode ser feito de forma sintomática.
Informação e avaliação individualizada ajudam na adaptação ao métodoÉ importante saber que o DIU é um dos métodos mais eficazes que temos disponíveis no mercado, considerado de longa duração e reversível, e que pode ser inserido e retirado ambulatorialmente.
Assim como qualquer outro método contraceptivo, precisa ser analisado criteriosamente o perfil da paciente, em uma consulta médica, para que todas as dúvidas e receios sejam esclarecidos previamente e para saber se esse método é adequado para aquela paciente, visando uma boa adaptação.
Caso contrário, quando é inserido sem uma avaliação pormenorizada, pode evoluir com alto índice de rejeição devido à presença de possíveis efeitos colaterais.