DIU: ginecologista explica os tipos disponíveis, como funcionam e quem pode usar

Dra. Thaynnar Kizan, ginecologista, explica as diferenças entre o DIU de cobre e os dispositivos hormonais, como é feita a escolha do método, quais são os possíveis efeitos e os cuidados necessários antes e depois da inserção.

Por
31 6 Min

Ia

  Uma escolha profissional marcada pelo cuidado com a saúde da mulher

A Ginecologia e a Obstetrícia foram áreas pelas quais me apaixonei desde a faculdade. Sempre tive certa afinidade com os assuntos e, somado a isso, a vontade de fazer a diferença na vida de tantas mulheres, com realidades tão diferentes, foi o que me fez escolher essa área da Medicina.

Hoje percebo que, de fato, é uma área que pede mais humanização e mais empatia, visto que são queixas pessoais e que, algumas vezes, as pacientes têm até vergonha de expor. Por isso, é necessário que elas sintam confiança no profissional que escolheram. É exatamente isso que tento fazer todos os dias, com cada paciente que tenho o prazer de atender: prestar um atendimento diferenciado, oferecendo o melhor que eu posso.

O DIU é um método contraceptivo de longa duração e reversível

O DIU é um dispositivo intrauterino, considerado de longa duração e reversível. Hoje temos vários disponíveis no mercado. Vou citar os principais, que seriam o DIU de cobre, oferecido no SUS, livre de hormônios, e os DIUs hormonais Mirena e Kyleena.

O DIU de cobre provoca uma reação inflamatória local no endométrio, além do efeito espermicida do cobre, com o objetivo de impedir a fecundação.

Em contrapartida, temos os DIUs Mirena e Kyleena. Ambos são hormonais, liberadores de levonorgestrel. Entre as diferenças deles, a principal é a dose desse hormônio que é liberada.

O efeito hormonal provoca espessamento do muco, prejudicando a passagem do espermatozóide, além de afinamento do endométrio, tornando o ambiente desfavorável para a fixação de um possível óvulo fertilizado, e inibição parcial da ovulação.

Os tipos de DIU possuem características e durações diferentes

O DIU não hormonal é o DIU de cobre. O efeito contraceptivo dele é obtido por ação inflamatória local, por meio da liberação de íons, que vão impedir a fecundação. Ele tem duração de 10 anos e pode provocar aumento do fluxo menstrual e das cólicas.

Já os DIUs hormonais são o Mirena e o Kyleena. Eles são liberadores de levonorgestrel, com dosagem que varia de acordo com o tipo de DIU: Mirena, 52 mg; e Kyleena, 19,5 mg.

Esses dispositivos provocam efeitos como espessamento do muco, atrofia endometrial e inibição da ovulação, que são mecanismos para impedir a fecundação.

O Mirena tem duração de até 8 anos, conforme a bula vigente, e o Kyleena tem duração de 5 anos. Costumam reduzir significativamente o fluxo menstrual e as cólicas e podem ser usados como tratamento de algumas condições ginecológicas.

A escolha do DIU deve considerar o perfil de cada paciente

É importante avaliar como funciona o ciclo menstrual da paciente, entender o fluxo menstrual, se há dismenorreia associada, se possui comorbidades ou doenças ginecológicas que precisam ser tratadas e tudo isso associado ao desejo da própria paciente.

Ela precisa estar ciente de todos os possíveis efeitos colaterais e ter um papel de entendimento e escolha, junto com o médico, para a decisão do método contraceptivo a ser adotado.

Algumas condições precisam ser avaliadas antes da inserção

É importante sempre passar por uma avaliação médica prévia, pois serão questionados alguns pontos que podem ser contraindicação ao uso do método.

Os principais seriam: descartar gestação em curso; presença de doença inflamatória pélvica aguda ou cervicite purulenta; esclarecer causas de sangramento uterino anormal, se houver; distorções da cavidade uterina que possam prejudicar a inserção ou a permanência do dispositivo; câncer de endométrio; câncer do colo uterino não tratado; ou câncer de mama atual.

Há outras condições que também precisam ser avaliadas individualmente.

A inserção pode ser feita em ambiente ambulatorial

A inserção pode ser feita em ambiente ambulatorial, com anestesia local. Dependendo do nível de tolerabilidade à dor, algumas pacientes optam pela inserção em bloco cirúrgico, com sedação.

Um ponto importante é que, se a paciente for fazer a inserção durante o período menstrual, a cólica costuma ser melhor tolerada. Então, enquanto algumas ficam com receio de procurar o ginecologista durante esse período, saibam que este é um bom momento para realizar a inserção.

Nas primeiras semanas após a inserção, pode ocorrer cólica e alterações do padrão de sangramento. As pacientes devem ser bem orientadas quanto a isso antes da colocação, já devem estar cientes de qual medicação pode ser usada para manejo e de quando devem procurar avaliação ginecológica.

Os efeitos variam de acordo com o tipo de dispositivo

Em relação ao DIU de cobre, pode ocorrer aumento do fluxo menstrual e das cólicas. Como isso é algo sobre o qual a paciente deve ser avisada previamente, costuma ser bem tolerado se o método foi indicado para o perfil ideal de paciente.

Ainda assim, pode ser feito uso de anti-inflamatório para controle do quadro álgico e diminuição do sangramento, assim como uso de antifibrinolítico, entre outras opções, a depender do grau da queixa da paciente.

No DIU hormonal, os efeitos que costumam incomodar mais as pacientes são os escapes menstruais. Nesse caso, é preciso avaliar cada situação e observar se é tolerável ou não para a paciente.

Também pode ocorrer amenorreia, que não requer tratamento, cólicas menstruais, que podem ser manejadas com analgésicos e anti-inflamatórios, acne, que deve ser avaliada individualmente em atendimento ginecológico, além de cefaleia ou sensibilidade mamária, cujo manejo depende da intensidade e pode ser feito de forma sintomática.

Informação e avaliação individualizada ajudam na adaptação ao método

É importante saber que o DIU é um dos métodos mais eficazes que temos disponíveis no mercado, considerado de longa duração e reversível, e que pode ser inserido e retirado ambulatorialmente.

Assim como qualquer outro método contraceptivo, precisa ser analisado criteriosamente o perfil da paciente, em uma consulta médica, para que todas as dúvidas e receios sejam esclarecidos previamente e para saber se esse método é adequado para aquela paciente, visando uma boa adaptação.

Caso contrário, quando é inserido sem uma avaliação pormenorizada, pode evoluir com alto índice de rejeição devido à presença de possíveis efeitos colaterais.