Artrite Reumatoide: reconhecer os sinais precocemente pode evitar sequelas permanentes

Dra. Natasha Valente explica como o diagnóstico precoce, os avanços terapêuticos e o cuidado multidisciplinar têm transformado a vida de pacientes com artrite reumatoide, permitindo mais controle da doença e melhor qualidade de vida.

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Artrite Reumatoide: reconhecer os sinais precocemente pode evitar sequelas permanentes
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Minha trajetória na Reumatologia

Eu sempre fui uma criança que gostava muito de estudar. Quando decidi ter uma profissão, pensei na Medicina por me dar essa oportunidade de estudo contínuo e proporcionar uma vida mais estável.

Passei na Universidade do Estado do Pará entre os 10 primeiros colocados e, desde os primeiros anos na universidade, segui praticando uma medicina completa, com um olhar amplo e integral para todas as queixas e dificuldades dos pacientes.

Fiz residência de Clínica Médica no Hospital Universitário João de Barros Barreto e lá tive uma preceptora reumatologista que, unindo-se ao fato de minha mãe ter artrite reumatoide, fez-me entender que era essa a área que eu deveria seguir.

Concluí a residência de Reumatologia aqui em Belém, no CESUPA, o que me ajudou a manter um olhar mais ampliado sobre as queixas da nossa população da Região Norte, que difere das outras regiões. Fiz também mestrado em Saúde na Amazônia.

No meio do caminho, também resolvi fazer duas pós-graduações: em Medicina do Trabalho e Acupuntura. Hoje, junto todos esses conhecimentos para ajudar meus pacientes a terem uma saúde completa. Independentemente das queixas de dor, meu foco é fazer um verdadeiro acompanhamento de saúde.

O que é a artrite reumatoide

A artrite reumatoide é uma doença autoimune. Isso significa que o sistema imunológico, que deveria proteger o organismo, passa a atacar as próprias articulações, causando inflamação.

Diferente da artrose, que hoje chamamos de osteoartrite, e que está relacionada apenas ao comprometimento da articulação, a artrite reumatoide provoca uma inflamação persistente que pode atingir todo o corpo e, se não tratada, pode danificar as articulações e até outros órgãos, como pulmões e olhos.

Os primeiros sinais da doença

Os primeiros sinais costumam ser dor, inchaço, sensação de calor e travamento nas pequenas articulações das mãos e dos pés, principalmente pela manhã, por mais de 30 a 60 minutos.

Se não tratada logo, podem aparecer também fadiga, febre e emagrecimento.

O diagnóstico precoce é fundamental porque hoje sabemos que iniciar o tratamento logo nos primeiros meses aumenta muito a chance de controlar a doença, evitar deformidades e preservar a qualidade de vida.

Quem pode desenvolver artrite reumatoide

Qualquer pessoa pode desenvolver artrite reumatoide, mas ela é mais comum em mulheres entre 30 e 60 anos.

Também existe influência genética e fatores ambientais, como o tabagismo, que é um dos principais fatores de risco conhecidos.

Ainda assim, a doença pode surgir em homens, idosos e até em adultos jovens.

Riscos da falta de tratamento

A inflamação contínua vai desgastando a cartilagem, o osso e os ligamentos ao redor da articulação.

Com isso, surgem deformidades e dificuldade para realizar atividades simples do dia a dia.

Esse dano pode começar ainda nos primeiros meses da doença, por isso não é uma condição que pode ser “esperada para ver se melhora”.

Quanto antes tratar, menor o risco de sequelas permanentes.

Os avanços dos tratamentos modernos

Mudaram completamente a história da doença.

Antigamente, tínhamos poucas opções de medicamento e, por isso, o uso de corticoide fazia parte da vida do paciente por longos anos.

Hoje, muitos pacientes conseguem controlar totalmente a inflamação, entrar em remissão e levar uma vida praticamente normal.

Temos possibilidades terapêuticas muito mais eficazes. Os medicamentos biológicos e os inibidores de JAK são indicados quando os tratamentos convencionais não são suficientes e permitem um controle muito mais preciso da doença, sempre com acompanhamento médico para equilibrar eficácia e segurança.

O papel do cuidado multidisciplinar

O tratamento vai muito além dos remédios.

Atividade física orientada, fisioterapia, terapia ocupacional, alimentação equilibrada, vacinação em dia, parar de fumar e cuidar da saúde mental fazem parte do tratamento.

O acompanhamento por uma equipe multidisciplinar ajuda a controlar os sintomas, manter a independência e melhorar a qualidade de vida em todas as fases da doença.

Portanto, você que tem essa doença autoimune deve ter em mente que seus cuidados vão além dos medicamentos, e a medicina do estilo de vida também deve ser incluída como parte desse acompanhamento da sua saúde.

Uma mensagem para quem convive com dores articulares persistentes

Priorize sua saúde.

Muitas vezes acabamos priorizando objetos, viagens e familiares em detrimento de nós mesmos, e aí está o erro.

Sem saúde e sem foco nas nossas metas, não conseguimos aproveitar a vida com qualidade.

Estejam atentos à sua saúde, às suas dores, e não deixem para depois. As doenças reumatológicas podem ficar graves rapidamente ou levar a sequelas que não teremos mais como reverter.

 


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