Quedas em idosos: um problema grave, mas evitável

As quedas de idosos representam um grave problema de saúde pública que pode ser evitado com algumas medidas. Leia na coluna de Mariana Varella

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Todos os anos, milhões de pessoas com mais de 65 anos sofrem quedas no mundo todo. Segundo o Ministério da Saúde, em 2024 ocorreram mais de 344 mil internações ou atendimentos e mais de 13 mil mortes por quedas. Cerca de 63% dos idosos brasileiros já sofreram quedas, uma taxa superior à média mundial. Uma queda, a principal causa de lesões em idosos, dobra o risco de novas quedas. Esses eventos provocam fraturas, em especial de quadril, longos períodos de recuperação, redução de mobilidade e altos gastos de saúde. Veja também: 7 dicas para evitar quedas em idosos O Sistema Único de Saúde (SUS) registra uma média de 285 atendimentos diários por quedas em idosos. Não à toa, a Organização Mundial da Saúde (OMS) considera as quedas de idosos um grave problema de saúde pública.   Fratura de quadril e outras consequências Uma das consequências frequentes das quedas é a fratura de quadril, que, em especial por conta da imobilidade, pode levar a complicações como infecções, trombose e pneumonia, elevando o risco de mortalidade, principalmente a partir dos 80 anos. Outras fraturas, como de punho, braço e fêmur, também costumam ocorrer. Traumatismo craniano, ferimentos e escoriações são outras consequências diretas de quedas. As mudanças fisiológicas que fazem parte do envelhecimento podem dificultar a recuperação do paciente, gerando hospitalização e até levando ao óbito. Ainda de acordo com a OMS, as quedas são responsáveis por 40% de todas as mortes relacionadas a lesões. Quedas também podem levar a internações hospitalares, o que aumenta o risco de úlceras de pressão, pneumonia, infecções e morte. Assim, após uma queda, é comum que pessoas idosas passem a depender de ajuda para as tarefas diárias, o que leva à perda de autonomia e funcionalidade. Outra consequência das quedas é a chamada síndrome pós-queda, ou medo excessivo de cair novamente. Desse modo, o receio leva a redução de atividades físicas, o que resulta em perda de massa muscular e equilíbrio, elevando o risco de novas quedas. Com menos mobilidade e medo de se expor, o idoso pode isolar-se socialmente; não é incomum que a sensação de vulnerabilidade depois de uma queda leve ao isolamento e, consequentemente, a quadros de ansiedade e depressão.   Condições que aumentam o risco de quedas Em geral, as quedas em idosos são causadas por uma combinação de fatores de riscos que, felizmente, podem ser evitados ou amenizados. As seguintes condições elevam o risco de quedas: deficiência de vitamina D; fraqueza na parte inferior do corpo; osteoporose; sarcopenia; alterações da pressão arterial; dificuldade para caminhar e manter o equilíbrio; uso de medicamentos como ansiolíticos, sedativos e antidepressivos; problemas de visão; uso de sapatos inadequados; problemas nos pés, como joanetes; alterações neurológicas, como doença de Parkinson e doença de Alzheimer; ambiente doméstico inadequado. “A queda também pode ser encarada como o reflexo de alguma condição clínica. Pode indicar um transtorno cognitivo ou uma alteração metabólica. Às vezes, um dos primeiros sintomas que podem surgir é a queda”, ressaltou Hudson Pinheiro, fisioterapeuta e membro da diretoria da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia do Distrito Federal, em entrevista ao Portal.   Como evitar as quedas Algumas orientações ajudam a reduzir o risco de quedas, de acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos: faça exercícios físicos que melhorem a força muscular, especialmente nas pernas, e o equilíbrio; consulte um oftalmologista ao menos uma vez ao ano. Condições como catarata e glaucoma, mais frequentes na velhice, aumentam o risco de queda; verifique a saúde dos pés e os calçados. Problemas nos pés e calçados inadequados são fatores de risco importantes para quedas; mantenha sua casa segura; tome cuidado com animais de estimação; converse com seu médico sobre os medicamentos que utiliza.   Como deixar sua casa segura O Ministério da Saúde tem dicas para deixar o ambiente doméstico, onde ocorre a maioria das quedas, mais seguro: No quarto: não deixe objetos no chão: coloque lâmpadas ou uma lanterna perto da cama; dentro do armário, não guarde roupas e objetos em locais altos. Na sala: organize os móveis de modo a deixar um caminho livre para a passagem; mantenha fios de telefone e elétricos fora das áreas de trânsito; Nas áreas livres, coloque tapetes com as duas faces adesivas ou com a parte debaixo não deslizante. Na cozinha: Remova os tapetes que promovem escorregões; Limpe imediatamente qualquer líquido, gordura ou comida que tenham sido derrubados no chão; Armazene a comida, a louça e demais acessórios culinários em locais de fácil alcance; Não suba em cadeiras ou caixas para alcançar os armários que estão no alto. No banheiro: Coloque um tapete antiderrapante ao lado da banheira ou do box para sua segurança na entrada e saída; Use tiras antiderrapantes dentro da banheira ou no chão do box; Instale barras de apoio nas paredes do banheiro; Mantenha algum tipo de iluminação durante a noite. Veja também: Acidentes domésticos: como prestar os primeiros socorros aos idososThe post Quedas em idosos: um problema grave, mas evitável first appeared on Portal Drauzio Varella.

 

Este artigo tem como fonte DRAUZIO VARELLA UOL

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