Adenomiose: o que é e por que ela pode causar tanta dor?
Condição ginecológica pode provocar cólicas intensas, sangramento excessivo, dor pélvica e dificuldades reprodutivas, explica a Dra. Eduarda de Carvalho Rocha Monteiro.
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A adenomiose é uma condição ginecológica benigna que acontece quando o tecido que normalmente reveste a parte interna do útero, chamado endométrio, começa a crescer dentro da parede muscular do próprio útero.
Esse tecido responde aos hormônios do ciclo menstrual todos os meses, podendo provocar inflamação, aumento do útero, sangramento excessivo e dor.
Nem todas as mulheres apresentam sintomas. Porém, quando eles aparecem, os mais comuns são:
- cólicas menstruais intensas ou que pioram ao longo dos anos;
- menstruação muito intensa ou prolongada;
- dor durante as relações sexuais;
- dor pélvica que pode persistir mesmo fora do período menstrual;
- dificuldade para engravidar em alguns casos.
Esses sintomas podem impactar significativamente a qualidade de vida, o trabalho, os estudos, o sono e os relacionamentos da mulher.
Quem pode ter adenomiose?Durante muitos anos, acreditava-se que a adenomiose era uma doença exclusiva de mulheres acima dos 40 anos e que já tinham filhos. Hoje, sabemos que isso não é verdade.
Com os avanços dos métodos diagnósticos, dos estudos científicos e da divulgação de informações entre a população, ficou claro que mulheres jovens, mesmo as que nunca tiveram filhos, também podem apresentar a doença.
Portanto, explico que essa é uma condição que pode ser diagnosticada em qualquer fase da vida.
Como é feito o diagnóstico?Faço o diagnóstico por meio da combinação da história clínica coletada durante a consulta, do exame físico e dos exames de imagem.
Hoje, o principal exame complementar é a ultrassonografia transvaginal realizada por um profissional experiente. Em algumas situações, posso solicitar a ressonância magnética para confirmar o diagnóstico ou caracterizar melhor a doença, bem como possíveis focos de endometriose, que frequentemente coexistem.
Adenomiose e endometriose: quais são as diferenças?Do ponto de vista clínico, mulheres com adenomiose e endometriose podem apresentar dor pélvica crônica, dor na relação sexual de profundidade e infertilidade.
Entretanto, a adenomiose caracteriza-se principalmente por sangramento menstrual aumentado e aumento difuso do volume uterino, manifestações menos frequentes na endometriose isolada.
A coexistência das duas condições é relativamente comum. A presença de adenomiose em pacientes com endometriose está associada a maior intensidade da dor, pior qualidade de vida e piores desfechos reprodutivos.
Adenomiose pode causar infertilidade?A adenomiose é uma condição que pode diminuir as chances de implantação do embrião, aumentar o risco de aborto e reduzir as taxas de sucesso em tratamentos de reprodução assistida.
Por isso, quando uma mulher apresenta sintomas sugestivos e deseja engravidar, considero importante que a investigação seja realizada precocemente e que ela seja acompanhada por um ginecologista.
Todavia, esclareço que nem toda mulher com adenomiose terá dificuldade para engravidar. Isso é importante porque muitas mulheres, ao receberem o diagnóstico, acabam sendo bombardeadas com informações da internet ou conversam com pessoas que não são especialistas na área.
Elas já chegam à consulta assustadas, dizendo: “Dr(a), eu vi que não vou poder ter filhos”. Na verdade, cada caso deve ser individualizado, pois não há regras. Engravidar com adenomiose é, sim, possível.
Existe tratamento?Sim. O tratamento depende principalmente dos sintomas, da idade da paciente e do desejo de ter filhos.
Entre as opções estão medicamentos para aliviar a dor e reduzir o sangramento, além de medicamentos hormonais.
Quando os sintomas são muito intensos e o tratamento clínico não surte o efeito desejado, posso indicar a cirurgia. Nos casos em que a mulher não deseja mais engravidar e apresenta sintomas importantes, a retirada do útero, chamada histerectomia, pode representar o tratamento cirúrgico definitivo.
A adenomiose tem cura?A adenomiose é uma doença crônica. Isso significa que ela pode acompanhar a mulher por muitos anos.
Entretanto, com o tratamento adequado, é possível controlar os sintomas, reduzir a dor, diminuir o sangramento e melhorar significativamente a qualidade de vida.
Além disso, após a menopausa, os sintomas costumam diminuir naturalmente.
O mais importanteReforço que sentir cólicas incapacitantes ou ter um sangramento menstrual muito intenso não deve ser considerado “normal”.
Quanto mais cedo a adenomiose for identificada, maiores são as chances de controlar os sintomas e preservar a saúde, bem como a qualidade de vida.
Dor intensa durante ou fora da menstruação merece investigação. Sofrer em silêncio nunca deve ser a única opção.
Referência para embasamento:
Protocolo FEBRASGO de Ginecologia nº 77 – Adenomiose (2021).