Como os novos tratamentos para obesidade e síndromes metabólicas estão transformando a Endocrinologia

Dra. Deborah Brayde, endocrinologista, explica os avanços terapêuticos, os benefícios das novas medicações e a importância de uma abordagem individualizada no tratamento da obesidade e das doenças metabólicas.

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Como os novos tratamentos para obesidade e síndromes metabólicas estão transformando a Endocrinologia
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Minha trajetória até a Endocrinologia

Eu me formei pela Universidade Federal do Pará em 2012. Inicialmente, tinha a intenção de fazer residência em Geriatria, mas, durante o internato, fiquei com muitas dúvidas sobre qual especialidade seguir.

Gostava de Ginecologia e Obstetrícia, mas os plantões eram muito puxados. Também gostava de Pediatria, porém não gostava de ver as crianças sofrendo. Por isso, resolvi pensar um pouco mais e fiz uma residência em Medicina de Família e Comunidade.

Durante essa residência, passei pelo ambulatório de Endocrinologia do Hospital Universitário João de Barros Barreto e comecei a me interessar pela especialidade. Após concluir a residência em Medicina de Família e Comunidade, fiz a residência em Clínica Médica, período em que tive muito contato com a Endocrinologia, o que apenas confirmou meu interesse.

Ainda cheguei a considerar a Hematologia, mas preferia o ambiente ambulatorial ao hospitalar. Então, fiz a residência em Endocrinologia no Hospital Barros Barreto. Tive profissionais excelentes como preceptores, que me fizeram apaixonar definitivamente pela especialidade.

As transformações na prática clínica

Hoje, temos uma ampla variedade de medicamentos eficazes para a perda de peso, com poucos efeitos colaterais quando comparados às medicações anteriores.

Esses tratamentos ainda apresentam valores elevados, mas já existem muitas opções com preços mais acessíveis. São medicações que trouxeram grandes avanços para o tratamento de doenças metabólicas de difícil controle.

O papel dos análogos do GLP-1

Os análogos do GLP-1 são medicamentos excelentes, que atuam no foco do processo, especialmente no eixo intestino-cérebro.

Além disso, permitem o uso conjunto com outros medicamentos, principalmente os voltados à saúde mental, que têm apresentado uma avalanche de prescrições.

Benefícios que vão além da perda de peso

O grande benefício dessas medicações, associado à redução de peso, é a melhora da inflamação crônica.

Com isso, o paciente dorme melhor, apresenta menos dores crônicas, tem mais disposição e alcança uma melhor qualidade de vida.

A importância de um tratamento individualizado

Cada tratamento precisa ser individualizado. É necessário conhecer os motivos que levam o paciente a buscar no alimento uma forma de conforto e compreender o que gera suas preferências alimentares.

A partir disso, podemos definir seu perfil alimentar e escolher o melhor esquema terapêutico para cada caso.

O acompanhamento após a perda de peso

A redução de peso melhora o organismo como um todo. Ela diminui a resistência insulínica e a inflamação crônica, promovendo uma melhora metabólica global.

No entanto, o paciente não deixa de ter a doença. Ele conseguiu alcançar o controle, mas, caso retorne aos hábitos antigos, pode ocorrer uma nova ativação da doença. Por isso, é necessário permanecer vigilante para manter esse novo padrão de saúde.

A própria obesidade é uma doença crônica, e o paciente precisa controlar o reganho de peso, seja mantendo o uso de medicamentos, seja adotando mudanças mais rigorosas no estilo de vida.

Os desafios relacionados ao acesso aos tratamentos

As medicações ainda apresentam valores elevados e, principalmente no Sistema Único de Saúde, a introdução desses tratamentos continua sendo um desafio.

Mesmo os pacientes com menor poder aquisitivo já chegam ao consultório querendo utilizar as chamadas “canetinhas”. Eu sempre discuto com cada paciente qual é a melhor indicação e quais são as possibilidades reais de manter o tratamento.

A obesidade não é uma questão de força de vontade

Considerar a obesidade apenas uma questão de força de vontade é uma visão preconceituosa sobre a doença.

A obesidade possui muitas nuances, e cada pessoa tem uma história por trás do ganho de peso. Essa história precisa ser ouvida e acolhida para que seja possível montar o melhor plano terapêutico de acordo com cada necessidade.

 


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