Uma conversa que pode fazer diferença: como o Pode Falar acolhe adolescentes em sofrimento mental

O Pode Falar, canal do Unicef, oferece escuta anônima e gratuita para jovens em sofrimento mental. Saiba como acessar.

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Você já se sentiu triste, com vontade de se machucar ou com a sensação de que a vida não vale a pena? Muitos adolescentes brasileiros responderam que sim a essas perguntas, de acordo com dados de 2024 da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE). O Centro de Valorização da Vida (CVV) é um dos canais de escuta mais difundidos para pessoas em sofrimento mental. Mas existem outras alternativas, inclusive voltadas especificamente para o público jovem, de 13 a 24 anos.  É o caso do Pode Falar, um canal de ajuda virtual para adolescentes e jovens disponível no WhatsApp, Telegram e site. Uma iniciativa do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), o Pode Falar funciona de forma completamente anônima e gratuita.  O que é o Pode Falar? “O Pode Falar nasceu logo depois da pandemia. Nós observamos essa tragédia de saúde mental entre os adolescentes e, na época, havia muita gente ofertando serviços. Por isso, ele nasceu com a ideia de ser uma porta de entrada de fácil memorização, que os adolescentes pudessem acessar sem burocracia, sem negociação e sem julgamento”, conta Gabriela Mora, especialista em desenvolvimento e participação de adolescentes do Unicef no Brasil. O serviço não se propõe a fazer psicoterapia, mas, sim, uma escuta acolhedora. O objetivo é fazer com que os jovens consigam desabafar, falar sobre o que sentem e entender com quem podem contar, seja nos serviços de saúde, na escola ou na própria família. Essa escuta é realizada por estudantes de graduação e pós-graduação em diferentes áreas do cuidado humano e diferentes universidades do Brasil, sob supervisão de docentes da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). O projeto é multidisciplinar e intersetorial, não se limitando apenas à psicologia.  Como funciona? Ao acessar a plataforma, o usuário pode seguir três caminhos: quero me cuidar: onde eles encontram materiais com orientações sobre autocuidado; quero me inspirar: onde eles deixam depoimentos sobre como superaram situações difíceis; quero falar: onde eles conversam com um chatbot e são direcionados para o atendimento humano. A escuta individual está disponível de segunda a sábado, das 8h às 22h, no horário de Brasília. É possível escrever mensagens e mandar áudios ou imagens. Não há restrição quanto aos temas: o serviço é aberto a todo tipo de problema relacionado à saúde mental. “A maioria [dos casos] envolve ansiedade, tristeza, cansaço, desânimo, estresse, preocupação com o futuro, conflitos familiares, rompimentos ou conflitos afetivos e amorosos, além de baixa autoestima”, elenca Mora. O serviço foi programado para não coletar nenhum cookie ou dado pessoal, garantindo a privacidade do usuário. As únicas informações solicitadas são gênero, idade, local de onde está falando e se apresenta alguma deficiência. Elas servem para traçar um perfil demográfico que poderá ajudar a implementar novas políticas públicas, além de facilitar a localização de serviços de saúde mental perto daquele jovem. Veja também: Como conseguir atendimento psicológico gratuito Acesso aos serviços de saúde mental e proteção social  O Pode Falar ajuda ainda o adolescente a compreender os direitos que possuem em relação à própria saúde mental. A rede é vinculada a outros setores, como o Sistema Único de Assistência Social e o Conselho Tutelar, em casos de violência física ou sexual. “Como o atendente não tem acesso aos dados pessoais do usuário, qualquer encaminhamento precisa ser pactuado com a pessoa que está sendo atendida. Perguntamos se ela gostaria de apoio para fazer o contato com o Conselho Tutelar, se aceita que façamos esse encaminhamento ou se prefere receber o telefone do conselho tutelar de seu município para fazer o contato por conta própria. Não temos a menor intenção de substituir a política pública: o serviço funciona muito mais como uma porta de entrada para que os usuários ampliem seu repertório e busquem ajuda”, detalha Mora. Ampliação junto ao Ministério da Saúde Em cinco anos de existência, o Pode Falar já atendeu mais de 44 mil pessoas. Recentemente, um novo acordo com o Ministério da Saúde promete expandir essa capacidade em 1000%. A meta é aumentar os atendimentos mensais de mil para 11 mil, o equivalente a 15 por hora. Além disso, a parceria vai fortalecer o atendimento intercultural, já que a plataforma ganhou uma equipe de atendentes indígenas do povo Xakriabá, do norte de Minas Gerais. Eles também vão preparar outras equipes de etnias variadas, possibilitando, assim, o uso do Pode Falar por jovens indígenas. Veja também: Violência sexual na infância: como prevenir? The post Uma conversa que pode fazer diferença: como o Pode Falar acolhe adolescentes em sofrimento mental first appeared on Portal Drauzio Varella.

Este artigo tem como fonte DRAUZIO VARELLA UOL

FONTE: https://drauziovarella.uol.com.br/saude-mental/uma-conversa-que-pode-fazer-diferenca-como-o-pode-falar-acolhe-adolescentes-em-sofrimento-mental/
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