Câncer de mama triplo negativo: características, diagnóstico e avanços no tratamento
Dra. Juliana Carvalho, mastologista, explica o que diferencia esse subtipo de câncer de mama, os fatores de risco, a investigação genética e as principais opções terapêuticas disponíveis atualmente.
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Eu sempre fui determinada. Sem clichê, desde criança eu afirmava que seria médica, mesmo não sendo filha de médicos. Na faculdade, eu me identificava mais com as especialidades cirúrgicas.
A saúde da mulher me atraía e, por volta do terceiro ano, entrei na Liga de Ginecologia e Obstetrícia e comecei a acompanhar uma ginecologista e mastologista. Ao longo dos anos, percebi que gostava cada vez mais de tratar doenças e me encantava pela Oncologia.
Ao terminar a faculdade, entrei na residência de Cirurgia Geral, mas já com a determinação de fazer Mastologia ou Cirurgia Oncológica para cuidar de mulheres. A paixão, porém, foi consagrada à Mastologia, residência médica que fiz em seguida.
Hoje também tenho formação em reconstrução mamária e predisposição hereditária ao câncer.
O que define o câncer de mama triplo negativoO câncer de mama não é uma doença única, mas um conjunto de doenças heterogêneas, com biologia molecular e comportamentos clínicos diversos.
O primeiro exame de fundamental importância para essa definição molecular é a imunohistoquímica da mama. A partir desse exame, temos a definição do tumor triplo negativo.
Esse subtipo molecular é marcado pela ausência de alvos terapêuticos: receptores hormonais e HER2.
Por que esse subtipo pode ser mais desafiadorOs tumores triplo negativos também não têm um comportamento único. Há uma heterogeneidade entre eles e também uma nova reclassificação.
Mas, de forma geral, são tumores com comportamento mais agressivo, costumam ter um índice de proliferação celular maior, o Ki-67, e maior grau histológico, o que culmina em rapidez do crescimento tumoral e maior possibilidade de metástases.
No passado, o desafio terapêutico era maior por se tratar de um subtipo sem terapias-alvo. Porém, hoje temos a imunoterapia, que foi um grande ganho principalmente no cenário de doença inicial de alto risco.
Predisposição genética e câncer de mama triplo negativoSim, existe um perfil de paciente com maior predisposição. As pacientes com mutação genética, principalmente do gene BRCA1, têm maior possibilidade de desenvolver um tumor de mama triplo negativo.
Por isso, é indicado que todas as pacientes acometidas pelo triplo negativo, independentemente da idade, realizem aconselhamento e exames genéticos.
Como é realizado o diagnósticoO diagnóstico de todos os tipos de câncer de mama começa com exame clínico e exames de imagem das mamas.
Quando há uma imagem suspeita nos exames iniciais, a confirmação diagnóstica é feita por biópsia, com resultado do histopatológico e da imunohistoquímica da mama.
As opções de tratamento disponíveis atualmenteA definição do tratamento não depende apenas do subtipo molecular, mas também do estadiamento da doença, da presença de mutação genética, entre outras particularidades.
Na maioria dos casos, por se tratar de uma doença de alto risco, a quimioterapia é imprescindível.
O grande ganho que tivemos nos últimos anos foi a imunoterapia, com excelentes respostas patológicas, além das terapias-alvo para pacientes com mutações genéticas.
O acompanhamento após o tratamentoO acompanhamento de todas as pacientes acometidas por câncer de mama deve ser mantido pela equipe multidisciplinar, incluindo o mastologista e o oncologista clínico.
Periodicamente, são realizados exames clínicos, exames laboratoriais e radiológicos.
Há uma aliança entre a paciente e a equipe, em que todos devem manter a comunicação para o melhor desfecho da doença e, principalmente, para manter a qualidade de vida da paciente.
Um diagnóstico de câncer de mama não é uma sentençaUm diagnóstico de câncer de mama não é uma sentença. Encare como um desafio da vida e lembre-se de que todos, aqui neste planeta, temos desafios.
Compartilhe suas dores com aqueles que te amam e busque uma equipe de médicos e outros profissionais com a qual você se sinta acolhida e tenha confiança para tirar suas dúvidas e seguir a batalha ao seu lado.
A chance de cura do câncer de mama é cerca de 95% diante do diagnóstico precoce, desde que seja realizado o tratamento adequado.