A cirurgia é um trabalho manual e que me permite ficar perto das pessoas e trazer um benefício quase imediato para elas. Isso me atraiu para essa área.
A Cirurgia de Cabeça e Pescoço é uma área relativamente nova e que tem poucas pessoas atuando. Vi aqui uma oportunidade de trabalho que, ao mesmo tempo, traria satisfação para mim e uma boa colaboração para a sociedade.
A tireoidite de Hashimoto é uma doença que faz o sistema de defesa do corpo ser danoso para a glândula tireoide. À medida que os anticorpos destroem gradativamente a sua estrutura, ela não consegue mais produzir as substâncias necessárias para a adequada regulação das atividades metabólicas do corpo.
Isso tem origem em alterações genéticas do paciente que, por meio da interação com fatores externos, podem desencadear diversos graus de inflamação, podendo culminar na perda da função da glândula tireoide.
Alguns casos de tireoidite podem ser acompanhados de nódulos na glândula tireoide. Esses nódulos podem ser sede de mais alterações genéticas devido à inflamação, à morte e à multiplicação de células, em uma espécie de cicatrização, que podem gerar um “novo crescimento de tecido”.
Isso nada mais é do que uma neoplasia, que pode se tornar descontrolada e agressiva, nesse caso se tornando câncer.
Daí o motivo de, quando a pessoa tem tireoidite de Hashimoto e nódulos tireoidianos, procurar avaliação do cirurgião.
Os critérios são muito específicos para cada indivíduo. Isso porque depende da história do paciente, como o tempo de doença e há quanto tempo possui o nódulo; da história familiar, como a presença de parentes de primeiro grau com histórico de câncer de tireoide na família; e do aspecto do nódulo ao ultrassom.
Na prática, a decisão é tomada avaliando cada caso individualmente.
No caso do paciente com Hashimoto, após a retirada cirúrgica da tireoide, a mudança é o fato de não precisar mais se preocupar com o risco de câncer de tireoide.
Realisticamente, não se deve esperar uma grande mudança na qualidade de vida após a cirurgia.
A cirurgia precisa ser indicada de maneira consistente, pois complicações cirúrgicas, quando ocorrem e não são bem cuidadas pelo médico cirurgião, podem piorar a qualidade de vida do paciente após o tratamento cirúrgico.
A cirurgia é realizada com anestesia geral. O paciente fica respirando artificialmente durante aproximadamente 1 hora e 30 minutos a 2 horas.
A retirada da glândula é feita por meio de uma incisão de 4 a 7 centímetros na região abaixo do “pomo de Adão”, no pescoço.
No contexto da tireoidite, pode existir um risco maior de rouquidão após a cirurgia, pois a inflamação presente na glândula dificulta a preservação do nervo que controla as cordas vocais, que é um passo muito delicado durante o procedimento.
O acompanhamento do paciente é feito a partir da primeira semana de pós-operatório. O paciente passa a realizar exames de sangue a cada três meses para controle da dose adequada da reposição hormonal.
Algumas vezes, essa dose pode mudar bastante no decorrer de um ano.
Outro passo importante é monitorar a qualidade da voz e da deglutição, que podem ser afetadas no primeiro mês. Algumas vezes, contar com sessões de Fonoaudiologia será necessário.
Para quem recebeu o diagnóstico de Hashimoto, é importante fazer acompanhamento com profissionais habilitados para avaliar se existe necessidade de reposição hormonal, se existem nódulos e se esses nódulos são motivo de uma investigação mais aprofundada.
Além disso, caso exista indicação de cirurgia, sempre recomendo contar com mais de uma opinião e buscar o máximo de informações possível sobre o médico que irá realizar o procedimento.
Isso é fundamental para que o paciente possa ter maior segurança em seu tratamento.