Cuidando do coração: hábitos que impactam a saúde cardiovascular
O cardiologista Dr. Vitor Bruno Teixeira de Holanda explica como sono, estresse, tabagismo, álcool, genética e acompanhamento médico podem influenciar a saúde do coração
Ia
Minha história na Cardiologia é interessante. Eu queria fazer Ortopedia, mas um amigo me convenceu de que a Cardiologia era mais a minha cara, pois aprofundava mais a fisiologia. Ele também mostrou que a população estava envelhecendo e que as doenças cardiovasculares estavam aumentando, sendo, portanto, um mercado próspero.
Outros hábitos que também impactam o coraçãoAlém da alimentação e do exercício físico, considero importante falar sobre o estresse no trânsito. Tem sido mostrado em estudos que pessoas que passam muitas horas no trânsito têm pulmões e risco cardiovascular semelhantes aos de uma pessoa tabagista moderada.
O sono também é algo de extrema importância. Dormir bem e tratar a apneia reduzem a mortalidade.
A relação entre o sono e a saúde cardiovascularA apneia do sono é a principal causa de hipertensão secundária. Uma noite mal dormida aumenta o risco de infarto e acidente vascular cerebral.
Profissionais que trabalham à noite também possuem risco aumentado.
Os impactos do tabagismo e do álcoolO tabagismo isolado é um fator grave para infarto e acidente vascular cerebral (AVC), mesmo para quem diz fumar pouco.
O álcool é controverso, pois depende muito da quantidade, da frequência e da predisposição. Geralmente, baixas doses, com frequências esporádicas, são seguras para o coração.
Como o estresse crônico afeta o coraçãoO estresse aumenta principalmente a produção de um hormônio chamado adrenalina. A adrenalina é extremamente tóxica para o coração.
O papel da genética nas doenças cardiovascularesFilhos de pais que infartaram jovens possuem uma possibilidade muito aumentada de infartar também.
Além disso, existem algumas doenças genéticas, como amiloidose e hemocromatose, que acabam afetando o coração.
A importância dos exames e do acompanhamento de rotinaOs exames devem ser individualizados para cada paciente. Mas toda pessoa deve verificar a pressão pelo menos uma vez ao ano e fazer uma avaliação com um médico, que pode ser um clínico, não necessariamente um cardiologista.
Cuidar antes que o coração dê sinaisA maior parte dos infartos não avisa. O grande problema das doenças cardiovasculares é que elas apresentam poucos sintomas ou podem ocorrer sem sintomas.
Por isso, fazer uma avaliação rotineira é o ideal. Não existe prosperidade sem saúde.