Embolização de MAV: especialista explica tratamento minimamente invasivo para malformações vasculares

Dr. Amilton Araújo explica como as malformações arteriovenosas cerebrais são diagnosticadas e de que forma a embolização pode ser utilizada, isoladamente ou associada à cirurgia e à radiocirurgia.

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Embolização de MAV: especialista explica tratamento minimamente invasivo para malformações vasculares
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Minha trajetória na Neurocirurgia e Neurorradiologia

Sou formado em Medicina pela Universidade Federal de Campina Grande, na Paraíba, desde 1995. Fiz minha formação em Neurocirurgia no Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo e, posteriormente, em Neurorradiologia Intervencionista na Universidade Henri Poincaré, na cidade de Nancy, na França.

Seguir essas especialidades foi a realização de um sonho que nasceu desde o meu primeiro dia de aula na faculdade. Há aproximadamente 20 anos trabalho com Neurocirurgia e Neurorradiologia em Belém, sempre buscando realizar um trabalho sério e com muita dedicação.

O que são as malformações arteriovenosas cerebrais?

As malformações arteriovenosas cerebrais, conhecidas como MAVs cerebrais, são lesões congênitas e complexas nas quais ocorre uma conexão anormal entre as artérias e as veias cerebrais.

Essa alteração leva à formação de um emaranhado vascular anormal, que se torna um ponto de fragilidade e pode apresentar risco de ruptura e, consequentemente, de derrame cerebral.

Quais sintomas podem levar ao diagnóstico?

As principais manifestações clínicas estão relacionadas à hemorragia, com uma taxa de sangramento de aproximadamente 60%, sendo esse o fenômeno mais frequente das MAVs cerebrais.

Em seguida, podem ocorrer cefaleias crônicas e déficits focais, com uma taxa em torno de 30%. As crises convulsivas também podem ser uma manifestação clínica e, em aproximadamente 10% a 20% dos pacientes, podem surgir como primeiro sintoma.

Como é realizado o diagnóstico?

O diagnóstico é feito por meio da avaliação clínica associada a exames de imagem, como tomografia de encéfalo, ressonância magnética, angiorressonância e angiografia cerebral.

A angiografia cerebral é considerada o exame padrão-ouro mundial para o diagnóstico dessas lesões e também é fundamental para a programação do tratamento.

O que é a embolização de uma MAV?

A embolização é uma modalidade de tratamento moderna e muito importante para a cura dessas lesões.

O procedimento é realizado por meio de cateterismo cerebral, sem a necessidade de abrir a cabeça do paciente. Durante o procedimento, é injetado um material dentro da MAV para bloquear o fluxo sanguíneo anormal.

A taxa de cura irá depender da angioarquitetura da lesão, podendo ser superior a 50%.

Quando a embolização é indicada?

De modo geral, iniciamos o tratamento dessas lesões por meio de embolizações seriadas. O resultado final irá depender de vários fatores relacionados principalmente à angioarquitetura das lesões, como tamanho e localização.

Quando não conseguimos alcançar a cura por meio da embolização, podemos associar outras modalidades de tratamento.

Uma delas é a microcirurgia, que consiste na retirada da lesão por meio de uma cirurgia aberta e apresenta taxa curativa em torno de 98%. Outra possibilidade é a radiocirurgia, que apresenta bons resultados principalmente em MAVs pequenas.

Dessa forma, a associação entre as diferentes técnicas pode representar a melhor conduta, dependendo das características de cada caso.

O que esperar dos resultados do tratamento?

Nosso objetivo final é sempre alcançar a cura total da lesão. Entretanto, os resultados podem variar bastante conforme a complexidade da MAV e a terapia programada para cada paciente.

Por isso, a estratégia de tratamento deve ser individualizada de acordo com as características da lesão.

Orientação para quem recebeu o diagnóstico de MAV

Oriento quem descobre que possui esse tipo de lesão a procurar, com urgência, médicos habilitados e especializados para avaliação e definição do tratamento.

É importante encarar o tratamento de frente. Não é uma condição fácil, mas nós, profissionais especializados, buscamos sempre a cura dessa doença tão rara e complexa.


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