Sou médica infectologista com atuação em serviço de emergência, controle de infecção, ISTs e docência. Decidi fazer a especialidade para compreender melhor o universo dos seres microscópicos, como bactérias e vírus, e também para atender doenças tropicais negligenciadas, como tuberculose, malária e doença de Chagas.
A doença meningocócica é uma infecção bacteriana grave, de rápida progressão, causada pela bactéria Neisseria meningitidis.
Ela pode se manifestar como meningite ou como uma infecção generalizada.
As crianças são mais vulneráveis porque seu sistema imunológico ainda está em fase de desenvolvimento e não dispõe de todas as defesas prontas para combater vírus e bactérias.
Os primeiros sinais que devem chamar a atenção dos pais e cuidadores são febre alta repentina, prostração intensa, cefaleia, irritabilidade e vômitos.
É importante observar especialmente a tríade clássica: febre, cefaleia e vômitos.
O diagnóstico é realizado por meio da punção lombar, com coleta do líquido cefalorraquidiano.
A urgência do atendimento se deve ao fato de a doença pode evoluir de forma devastadora, levando ao óbito ou deixando sequelas permanentes em poucas horas, como surdez, amputações de membros e alterações cognitivas.
O tratamento é conduzido com antibióticos endovenosos.
A melhora clínica pode ser observada com a regressão da febre e a melhora do nível de consciência.
Entre as vacinas disponíveis estão a meningocócica ACWY e a meningocócica C, ambas disponíveis no SUS, e a meningocócica B, disponível somente em clínicas particulares.
Além delas, vacinas como a pneumocócica e a pentavalente, que protege contra Haemophilus, também previnem tipos específicos da doença.
Meu principal recado para os pais é que não devemos subestimar os sintomas iniciais.
A suspeição clínica rápida é vital, porque a meningite meningocócica é uma emergência médica de evolução extremamente rápida, que pode levar ao óbito ou deixar sequelas graves e permanentes.