SB.com Entrevista aproxima lideranças dos principais desafios da saúde

Novo formato de conteúdo apresentado no HIS 2026 reuniu executivos em conversas sobre sustentabilidade, acesso, modelos de remuneração, dados e novos modelos de negócio.

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Mais do que apresentar soluções e tendências, discutir os desafios que estão no centro das decisões da saúde. Essa foi a proposta do SB.com Entrevista, novo formato de conteúdo apresentado durante o Healthcare Innovation Show 2026. Ao longo dos dois dias do evento, seis lideranças de diferentes segmentos participaram de conversas conduzidas por jornalistas do Saúde Business: Renato Casarotti (Amil); Luccas Adib (Hapvida); Lorice Scalise (Roche Farma Brasil); Lídia Abdalla (Grupo Sabin); Rafael Lucchesi (Dasa) e Massanori Shibata Jr (dr. Consulta). As entrevistas partiram de questões que fazem parte do cotidiano dos gestores — sustentabilidade, acesso, modelos de remuneração, verticalização, dados, inovação e experiência do paciente, entre outras — para explorar os dilemas envolvidos nas decisões e o impacto das transformações tecnológicas sobre modelos de negócio e operação. Mais do que discutir tecnologia de forma isolada, as conversas mostraram como ela está ligada a questões maiores: como financiar o cuidado em um cenário de envelhecimento, ganhar escala sem perder personalização, incorporar inovação ao sistema, organizar um mercado de saúde fragmentado e transformar digitalização em eficiência operacional. Como financiar uma população que vive mais? O envelhecimento populacional amplia a pressão sobre custos e coloca em discussão a sustentabilidade dos modelos de saúde atuais. Na entrevista com Renato Casarotti, vice-presidente de Relações Institucionais da Amil, o tema apareceu associado à revisão técnica das carteiras individuais, aos modelos de reajuste e à necessidade de encontrar novas formas de financiar o cuidado. O executivo defendeu que os modelos de remuneração avancem para além do pagamento por serviço e incorporem indicadores capazes de medir resultados. “O sistema de saúde é ter modelos de remuneração que de fato sejam baseados em indicadores”, definiu. Renato Casarotti, vice-presidente de Relações Institucionais da Amil O desafio, para Casarotti, passa por encontrar equilíbrio entre acesso, qualidade e sustentabilidade, especialmente diante de uma população que vive mais e demanda cuidados por períodos mais longos. É possível ganhar escala sem tornar o cuidado impessoal? Para grandes operações de saúde, crescer sem comprometer a experiência e a capacidade de personalização é um dos desafios da escala. Essa foi uma das questões discutidas com Luccas Adib, CEO da Hapvida, em uma conversa que passou pelo uso de dados, verticalização e integração entre operadoras e prestadores. Na avaliação do executivo, grandes volumes de dados podem ser utilizados justamente para tornar o cuidado mais individualizado, ao permitir uma visão mais longitudinal do paciente e apoiar decisões sobre prevenção, navegação e acesso. “Quanto maior a minha escala, o trabalho de tratar esse dado e olhar o paciente prospectivamente, melhor e mais individualizado consigo dar acesso para o paciente”, explicou Adib. A tecnologia, nesse contexto, deixa de ser apenas uma ferramenta de eficiência e passa a fazer parte da estratégia de transformação das operadoras. Dados e inteligência artificial podem contribuir para uma atuação menos reativa e mais preventiva, enquanto diferentes modelos de integração entre operadoras e prestadores podem ser utilizados de acordo com as características de cada mercado. Luccas Adib, CEO da Hapvida A inovação científica está avançando mais rápido que o sistema? A velocidade da inovação na indústria farmacêutica contrasta com a dificuldade de incorporar novas tecnologias em escala. Para Lorice Scalise, CEO da Roche Farma Brasil, esse descompasso passa por problemas estruturais de gestão, dados e interoperabilidade. “Nós estamos tentando solucionar problemas do dia de hoje com ferramentas de um século atrás”, destacou. A questão, portanto, não termina no desenvolvimento de novas terapias. É preciso criar condições para que elas cheguem ao sistema e produzam resultados. Lorice Scalise, CEO da Rocha Farma Brasil Scalise também defendeu a revisão dos modelos de remuneração e dos incentivos associados à inovação, aproximando o pagamento dos desfechos produzidos pelo cuidado. “O que você compra não é uma caixinha de um remédio. (…) O que você deseja é o desfecho daquela medicação”, pontuou. A discussão sobre compartilhamento de risco aparece, assim, como parte de uma questão maior para o setor: como financiar e incorporar inovação em um sistema que precisa, ao mesmo tempo, ampliar acesso e controlar custos? Leia mais sobre Gestão Avanço da IA reforça necessidade de rever processos e liderança na saúde Preço fechado, acesso aberto: o modelo de negócio que converte o out-of-pocket em cirurgia Cirurgia oncológica além da experiência individual Decidir também é cuidar Quem vai organizar um mercado de saúde que já existe? A entrevista com Massanori Shibata Jr., CEO do dr. Consulta, trouxe uma perspectiva diferente sobre acesso ao explorar a relação entre preço, tempo, experiência e comportamento do consumidor. Segundo o executivo, o paciente passou a comparar a experiência em saúde com aquela que já encontra em outros setores e espera respostas mais rápidas, convenientes e conectadas. Nesse cenário, a tecnologia ganha papel estratégico não apenas na operação, mas também na relação com o cliente e na organização da própria jornada. Massanori Shibata Jr., CEO do dr.consulta Mas a discussão foi além da experiência do consumidor. Para Shibata, existe uma camada intermediária do sistema capaz de organizar informações e serviços para um público que transita entre diferentes modelos de acesso. A tese parte de um diagnóstico sobre o consumo de saúde no país: milhões de brasileiros já recorrem a diferentes formas de atendimento e pagamento, mas de maneira fragmentada. “Você tem 100 milhões de brasileiros que estão gastando mais de R$ 200, 300 bilhões em saúde de forma desorganizada. É aqui que a gente quer ajudar e operar”, ressaltou. Entre as iniciativas citadas está a construção de uma health wallet, que busca reunir informações e histórico de saúde e dar ao usuário maior controle sobre os próprios dados. A proposta é que essas informações possam acompanhar o paciente independentemente de onde ele busque atendimento. A provocação colocada por Shibata extrapola o modelo de negócio do dr. Consulta: como organizar um mercado de saúde que já é utilizado por milhões de brasileiros, mas ainda funciona de forma fragmentada? O que muda quando a tecnologia passa a fazer parte da estratégia central? Rafael Lucchesi, CEO da Dasa, compartilhou uma decisão estratégica da companhia: concentrar o negócio em diagnóstico e reforçar a capacidade de crescimento por meio de tecnologia e inovação. O diagnóstico ocupa uma posição central na cadeia de saúde e, segundo Lucchesi, a empresa busca ampliar esse papel para além da identificação de doenças, avançando em prevenção e longevidade. Rafael Lucchesi, CEO da Dasa A escala da operação — com centenas de unidades e milhões de exames — também cria espaço para o uso de inteligência artificial e automação na produtividade das unidades e na jornada diagnóstica. Entre os exemplos citados, estão algoritmos aplicados a exames de imagem e análises clínicas, utilizados para aumentar a capacidade operacional, antecipar alertas e reduzir etapas da jornada. Mas, para o executivo, digitalização não significa retirar o componente humano do cuidado. A tecnologia deve assumir tarefas que não exigem interação para que profissionais possam se concentrar nas situações em que sua atuação agrega mais valor. “Apesar da tecnologia, a gente nunca pode perder essa humanidade, esse senso de propósito e essa vocação”, ponderou. O futuro do atendimento será digital ou híbrido? Se a discussão sobre tecnologia ganha escala nas grandes organizações, ela também aparece em decisões bastante concretas da operação. Lídia Abdalla, presidente executiva do Grupo Sabin, apresentou a experiência de uma unidade totalmente digitalizada em Brasília, criada para reduzir etapas burocráticas e tornar a jornada do paciente mais rápida. A executiva disse que o tempo de atendimento, que em uma unidade convencional poderia chegar a 30 ou 40 minutos, caiu para cerca de nove minutos no modelo digital. Lídia Abddalla, presidente executiva do Grupo Sabin O caso, no entanto, não aponta para a substituição do atendimento presencial pelo digital. A experiência sugere uma combinação dos dois formatos, com diferentes níveis de interação ao longo da jornada. “O que nós teremos a partir de agora são unidades híbridas”, resumiu. A discussão também relacionou tecnologia e expansão. Para Lídia, novos modelos operacionais precisam combinar eficiência, padrão de entrega e sustentabilidade para ampliar o acesso a serviços de qualidade em diferentes regiões. Da tecnologia à decisão de negócio As entrevistas mostraram que tecnologia e inovação só produzem transformação quando estão conectadas aos desafios de negócio e aos problemas estruturais da saúde. Para o gestor, a questão não é apenas acompanhar as novas tecnologias, mas entender quais problemas precisam ser resolvidos e como a inovação pode gerar impacto concreto na operação e no cuidado. The post SB.com Entrevista aproxima lideranças dos principais desafios da saúde appeared first on Saúde Business.

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FONTE: https://www.saudebusiness.com/gestao/sb-com-entrevista-aproxima-liderancas-dos-principais-desafios-da-saude/
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