Entre no nosso Grupo Whatsapp — Receba as principais notícias do diaParticiparAos 40 anos, eu já era mãe de uma menina de 9 anos e tinha o desejo de aumentar a família. Depois de duas perdas gestacionais nos últimos dois anos, comecei uma investigação médica para entender o que estava acontecendo.
Não imaginava que esse caminho me levaria a duas descobertas quase simultâneas: um câncer de mama e uma nova gravidez.
Durante um ultrassom de mamas, foi identificado um nódulo. As investigações e a realização de uma mamografia confirmaram o diagnóstico de câncer e, em meio a esse processo, descobri que estava grávida.
De repente, precisei lidar com duas situações que exigiam cuidados e decisões importantes. Eu precisava tratar a doença, mas também queria muito levar aquela gestação adiante.
Na primeira avaliação médica, recebi a orientação de interromper a gravidez, diante dos riscos que o tratamento poderia representar para o bebê. A notícia foi difícil.
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Decidi buscar outras opiniões porque precisava entender se havia alguma possibilidade de tratar o câncer sem abrir mão da gestação.
Foi nesse processo que encontrei uma equipe disposta a avaliar meu caso de maneira individualizada. Oncologia e obstetrícia passaram a trabalhar juntas para definir a melhor estratégia, considerando tanto a evolução da doença quanto o desenvolvimento da minha filha, que vai se chamar Maria Guadalupe.
Uma das primeiras decisões foi sobre a cirurgia. Inicialmente, havia a possibilidade de retirar apenas parte da mama.
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Depois de uma avaliação conjunta, porém, a equipe concluiu que essa alternativa poderia atrasar a realização da radioterapia, o que não seria adequado para o meu caso até o nascimento da bebê. Então a indicação foi a mastectomia total da mama afetada.
Mastectomia durante a gestação
A cirurgia foi realizada durante a gravidez, com reconstrução imediata da mama por meio de uma prótese. Era uma etapa importante do tratamento, mas também um momento delicado, porque todas as decisões precisavam levar em conta a gestação.
O pós-operatório foi bastante difícil. Preocupada com os possíveis efeitos dos medicamentos, evitei ao máximo tomar analgésicos e passei dias sentindo muita dor.
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Ao mesmo tempo em que precisava me recuperar da cirurgia, pensava na saúde da minha filha e em como atravessaria as próximas etapas.
A quimioterapia e a queda de cabelo
Agora, estou na segunda sessão de quimioterapia. Começo a sentir os efeitos do tratamento, e um dos mais difíceis tem sido a queda de cabelo. Eu sabia que isso poderia acontecer, mas enfrentar essa mudança no próprio corpo é diferente.
Minha autoestima foi afetada, e tenho tentado usar a touca de resfriamento durante as sessões para tentar preservar os fios.
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Apesar das dificuldades, sigo acreditando que o tratamento vai funcionar. Ainda há um caminho pela frente, mas tenho um motivo especial para olhar para os próximos meses: a chegada da minha filha.
Um parto planejado para seguir o tratamento
Ela tem previsão de nascer em janeiro, no Hospital e Maternidade Santa Joana, o mesmo local onde dei à luz a minha primeira filha.
O parto será antecipado em relação à data inicialmente prevista para permitir que eu retome a quimioterapia mais rapidamente após o nascimento. Essa programação foi definida pela equipe que acompanha meu caso, levando em conta as necessidades do tratamento e os cuidados com a bebê.
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Depois do parto, continuarei o tratamento oncológico conforme o planejamento médico. Outras etapas da reconstrução da mama, como a reconstrução do mamilo, ficarão para mais adiante.
Neste momento, preciso concentrar minhas energias no tratamento e na chegada da minha filha.
+Leia também: Câncer e gravidez: uma relação complexa, mas possível
Um dia de cada vez
Quando olho para trás, penso em como tudo mudou em tão pouco tempo. Eu procurava respostas e então me vi diante de um câncer, de uma gravidez e de decisões que jamais imaginei precisar tomar.
Foi necessário buscar informações, ouvir diferentes opiniões e encontrar profissionais que avaliassem as possibilidades para o meu caso.
Descobrir um câncer durante a gravidez traz desafios que vão além do diagnóstico. Cada escolha precisa considerar as características da doença, o momento da gestação e as alternativas de tratamento.
No meu caso, o acompanhamento conjunto de diferentes especialistas permitiu construir um plano que levasse em conta tanto a minha saúde quanto o desenvolvimento da minha filha.
Ainda estou no meio dessa jornada. Há dias difíceis, mudanças com as quais preciso aprender a lidar e etapas que exigem coragem e paciência. Mas também existe a expectativa de conhecer minha bebê e ampliar a minha família.
Por enquanto, sigo um dia de cada vez, fazendo o tratamento e me preparando para o encontro que tanto espero: o momento de segurar minha filha nos braços.
*Vivian Moreira é enfermeira e tem 40 anos
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As notícias oriundas assim como as imagens tem como fonte de referência: https://saude.abril.com.br/ultimas-noticias