Genérico de remédio para ansiedade que não causa dependência chega ao Brasil

Versão brasileira da buspirona, medicamento com menos efeitos colaterais, poderá ter preço ao menos 35% mais baixo do que opções disponíveis hoje

Por
40 5 Min

Chega ao Brasil o primeiro medicamento genérico à base de buspirona do país. O anúncio foi feito nesta segunda-feira, 19, pela farmacêutica nacional Prati-Donaduzzi, que irá fabricar o produto.  Segundo a empresa, o remédio estará disponível no mercado ainda este mês. A buspirona é um remédio para transtorno de ansiedade que tem se tornado popular devido ao seu perfil de efeitos colaterais reduzidos. A substância não provoca dependência física nem sintomas de abstinência que podem aparecer quando se interrompe o uso de medicamentos mais fortes. Segundo a literatura científica, ela não costuma causar sonolência ou prejuízos à atenção, memória ou movimentos do corpo. Continua após a publicidade Até agora, o produto era vendido no Brasil sob marcas como Buspar, da farmacêutica Bristol-Myers Squibb, e Ansitec, da Libbs. Com a chegada da versão genérica, a expectativa é de que os preços sejam reduzidos. Conforme a legislação brasileira, esse tipo de substância deve, obrigatoriamente, custar ao menos 35% a menos do que a versão original. Para que serve a buspirona A buspirona é tão eficaz quanto os benzodiazepínicos, como o Rivotril, no tratamento do transtorno de ansiedade generalizada (TAG), condição em que uma pessoa vive em um estado de preocupação excessiva e constante. Por outro lado, ela não serve para acalmar crises agudas de ansiedade – o que pode ser feito com Rivotril, por exemplo. “A buspirona não tem a proposta de produzir um efeito imediato. É uma alternativa de uso contínuo, que apresenta baixo potencial de dependência e pode ser considerada pelo médico de acordo com o quadro e o perfil do paciente”, explicou à VEJA a neurologista Larissy Degani, da equipe de Prescrição Médica da  Prati-Donaduzzi.  Continua após a publicidade Ao iniciar o uso dessa medicação, o efeito costuma levar de duas a quatro semanas para aparecer.  Outra vantagem é que ela não potencializa o efeito de álcool ou de opioides, que podem ser utilizados por pacientes com dores crônicas. Além das utilidades contra a ansiedade, pesquisas têm avaliado o potencial do medicamento para ajudar em outras condições, como depressão, fobia social, ataxia (perda de coordenação dos movimentos), alterações de comportamento após lesão no cérebro e sintomas de Alzheimer e de outras demências. Há ainda estudos sobre seu uso no transtorno de déficit de atenção (TDAH) e no controle de efeitos colaterais do tratamento da doença de Parkinson. Os especialistas ressaltam, no entanto, que são necessários mais estudos para confirmar que o remédio é eficaz nesses casos. Continua após a publicidade Não é a única opção sem dependência Vale dizer que a buspirona não é a única alternativa aos benzodiazepínicos com baixo risco de dependência. Os inibidores seletivos de recaptação da serotonina — como escitalopram, fluoxetina e sertralina — também são considerados tratamentos de primeira linha para diversos transtornos de ansiedade. Esses medicamentos atuam principalmente sobre a serotonina, neurotransmissor envolvido na regulação do humor e da ansiedade, e não provocam efeitos imediatos de sedação e recompensa que contribuem para o risco de tolerância e dependência física e psicológica. “Uma das principais vantagens da buspirona [e de outras medicações não benzodiazepínicas] é que seu uso continuado não costuma induzir tolerância farmacológica, ou seja, não exige o aumento progressivo das doses para manter o efeito ansiolítico”, detalha Alaor Carlos de Oliveira Neto, coordenador do Serviço de Psiquiatria do Hospital Alemão Oswaldo Cruz. Ainda assim, isso não significa que essas medicações possam ser interrompidas de uma hora para outra. A suspensão abrupta ainda pode provocar sintomas de descontinuação, como tontura, irritabilidade e alterações do sono. Por isso, a retirada deve ser orientada por um médico. Continua após a publicidade Chegada de genérico fará diferença? Felipe Dias, psiquiatria do Hospital Samaritano Barra, da Rede Américas, explica que muitos prescritores acabam limitando a dose da buspirona em 30 miligramas por dia, não necessariamente porque essa quantidade seja suficiente para todos os pacientes, mas pelo custo elevado do tratamento. Para ter ideia, hoje, uma caixa de Ansitec de 10 miligramas, com 90 comprimidos, pode custar em torno de R$ 210,87. Mesmo que a dose necessária para alcançar efeitos positivos seja maior do que 30 miligramas, o preço acaba restringindo o ajuste. A chegada de uma versão genérica, portanto, pode mudar esse cenário ao tornar o medicamento mais acessível. Dias pondera, porém, que será preciso avaliar se a redução de preço é suficiente para tornar a buspirona competitiva em relação a outras opções igualmente eficazes e mais baratas. Seja como for, a chegada do genérico é motivo de celebração entre a classe médica. “Um benefício é a ampliação das alternativas disponíveis para pacientes que precisam reduzir gradualmente o uso de benzodiazepínicos”, exemplifica Neto. O medicamento também representa uma alternativa viável na atenção primária, particularmente em situações nas quais os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS), como fluoxetina e sertralina, ou os inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina (IRSN), como venlafaxina, provocam efeitos adversos intoleráveis, como ganho de peso, apatia emocional, disfunção erétil ou anorgasmia. “Dessa forma, ele amplia as possibilidades terapêuticas sem a necessidade de recorrer a medicamentos sujeitos ao controle mais restritivo, como os benzodiazepínicos”, reforça o médico do Oswaldo Cruz. Publicidade

As notícias oriundas assim como as imagens tem como fonte de referência: https://saude.abril.com.br/ultimas-noticias

FONTE: https://saude.abril.com.br/medicina/generico-de-remedio-para-ansiedade-que-nao-causa-dependencia-chega-ao-brasil/
Notícias Relacionadas »