6 milhões de brasileiros já fizeram procedimentos estéticos com não médicos
Indicação de amigos, familiares e preços mais baixos estão entre os principais motivos para a escolha; especialistas alertam para os riscos das intervenções
Entre no nosso Grupo Whatsapp — Receba as principais notícias do diaParticiparCom a popularização de procedimentos como a harmonização facial e a ampliação de serviços estéticos oferecidos por diversas categorias profissionais, intervenções antes menos acessíveis (como toxina botulínica e até tecnologias) passaram a fazer parte da realidade de muitos brasileiros.
Mas até que ponto essa popularização vem acompanhada de informações sobre os riscos envolvidos?
Uma pesquisa inédita do Datafolha, encomendada pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), dimensiona essa situação: cerca de 6 milhões de brasileiros já realizaram procedimentos estéticos com profissionais não médicos.
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O levantamento, que ouviu 2.086 pessoas em todas as regiões do país, revela ainda que 26% das pessoas (vulgo 43 milhões de pessoas) conhecem alguém que já passou por esse tipo de intervenção.
Entre os principais motivos para recorrer a profissionais não médicos estão a indicação de amigos e familiares (34%), os preços mais baixos (28%) e a percepção de que os procedimentos são simples (22%).
“A indicação pessoal tem seu valor, mas não pode ser o único critério. O fato de um amigo ter obtido um bom resultado não significa que aquele procedimento seja adequado para outra pessoa, nem comprova que todas as condições de segurança estejam presentes”, alerta o cirurgião plástico Alexandre Piassi Passos, diretor da SBCP.
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Mas será que todos os procedimentos estéticos apresentam os mesmos riscos? E o que deve ser considerado antes de escolher um profissional?
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Procedimentos estéticos sempre oferecem riscos?
Sim, mas o nível de perigo muda conforme o tipo de técnica, a qualificação de quem realiza o procedimento e a saúde do paciente.
Por isso, é importante diferenciar os tipos de intervenção. O termo “procedimentos estéticos” pode abranger desde tratamentos superficiais, como limpeza de pele ou design de sobrancelhas, até técnicas que envolvem a aplicação de substâncias injetáveis, como os preenchimentos com ácido hialurônico.
“Uma limpeza de pele superficial e um preenchimento são intervenções muito diferentes, tanto em complexidade quanto em riscos”, afirma o médico. “A pesquisa é muito importante para entender como a população percebe e escolhe esses tratamentos, mas não permite estabelecer a segurança de cada procedimento individualmente.”
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Segundo o especialista, os injetáveis faciais são as intervenções mais subestimadas. “Existe uma ideia de que por serem realizados em poucos minutos, sem cirurgia ou internação, são procedimentos simples e praticamente sem riscos”, explica.
Mas, o que muita gente não sabe é que essas intervenções podem envolver regiões anatômicas complexas, com muitos vasos sanguíneos e nervos importantes. E cabe ao profissional alertar os pacientes sobre esses riscos.
A toxina botulínica pode provocar assimetrias ou queda temporária da pálpebra. Já os preenchimentos podem causar irregularidades, nódulos, infecções e reações inflamatórias, inclusive tardias. Os bioestimuladores de colágeno também podem desencadear nódulos persistentes e inflamações.
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O que mais preocupa, segundo Passos, são as complicações vasculares associadas aos preenchimentos. Quando o produto compromete a circulação sanguínea de determinada região, pode ocorrer necrose dos tecidos. Em situações extremamente raras, também há relatos de perda da visão e acidente vascular cerebral (AVC).
“São eventos incomuns, mas que exigem reconhecimento imediato. Não basta conhecer a técnica de aplicação. É preciso saber identificar uma complicação e ter preparo para agir rapidamente”, ressalta.
Preço e facilidade de acesso pesam na escolha
Além das recomendações de conhecidos e dos preços mais baixos, a facilidade de acesso também influencia a procura por profissionais não médicos. Segundo a pesquisa, 21% dos entrevistados mencionam a possibilidade de realizar procedimentos com menos consultas, exames e burocracia.
“Não podemos afirmar que um procedimento mais barato seja necessariamente mais perigoso, assim como um preço elevado não garante qualidade”, pondera o cirurgião plástico.
“Mas uma coisa que considero indispensável é uma consulta de verdade. O profissional precisa examinar, ouvir, explicar e, quando necessário, contraindicar. A relação com o paciente não pode ser substituída por uma propaganda nas redes sociais”, destaca.
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Entre os profissionais mais mencionados no levantamento estão dentistas (46%), esteticistas (44%) e biomédicos (22%), seguidos por enfermeiros (10%) e farmacêuticos (7%). O levantamento não especifica quais intervenções foram realizadas por cada categoria.
Lembrando que essa é uma questão complexa: apesar dos Conselhos Profissionais dessas profissões autorizarem suas atuações na área de procedimentos estéticos, o Conselho Federal de Medicina (CFM) afirma que técnicas que ultrapassam a barreira da pele ou mucosas, com riscos clínicos que demandem diagnóstico e capacidade de intervenção médica, são atos exclusivos dessa classe profissional, de acordo com a Lei do Ato Médico.
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Como escolher um profissional para fazer procedimentos estéticos?
Um dos achados mais expressivos da pesquisa é a diferença entre a percepção de segurança e o comportamento da população.
81% dos brasileiros defendam que apenas médicos deveriam realizar procedimentos estéticos, e até mesmo 38% daqueles que já recorreram a profissionais não médicos também compartilham dessa opinião.
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Isso aparece também na avaliação de segurança, confiabilidade e qualidade: em uma escala de zero a dez, os procedimentos realizados por cirurgiões plásticos receberam nota média 8, contra 3 dos realizados por não médicos.
“Quando perguntamos sobre segurança, a maioria reconhece a importância da formação médica. Mas, na hora de escolher, outros fatores pesam na decisão”, reitera Passos.
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Para reduzir os riscos, o especialista recomenda verificar a formação e a habilitação do profissional, consultar seu registro no respectivo conselho e conhecer os produtos utilizados. Também é importante avaliar as condições do estabelecimento e saber como eventuais complicações serão atendidas.
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