Entre no nosso Grupo Whatsapp — Receba as principais notícias do diaParticiparA preocupação com a alimentação saudável cresceu, assim como a oferta de produtos anunciados como naturais, integrais, proteicos ou funcionais. Mas há diferença entre parecer saudável e ter boa qualidade nutricional. Expressões na embalagem não bastam para avaliar um alimento. É preciso considerar sua composição, mesmo quando ele contém proteínas, fibras ou vitaminas adicionadas. Essa avaliação importa para a saúde metabólica: a qualidade da alimentação influencia o controle glicêmico, a saciedade, o peso e o risco de doenças crônicas. Oito grupos de alimentos que merecem atenção 1. Barrinhas de cereais e proteínas Práticas para lanches ou após exercícios, algumas contêm muito açúcar adicionado, xaropes, coberturas e gorduras saturadas. Uma barrinha com 15 ou 20 gramas de proteína pode ajudar a atender às necessidades diárias, mas não é necessariamente uma boa escolha. Compare proteínas, calorias, açúcares adicionados e gorduras saturadas. +Leia também: Barrinhas proteicas ajudam a emagrecer? Saiba quando incluir na dieta 2. Bebidas proteicas prontas Podem ser úteis quando é difícil obter proteína suficiente pela alimentação habitual. Verifique a quantidade por porção, os açúcares adicionados, as calorias e a composição geral. Continua após a publicidade Consumir proteína além do necessário não garante mais benefícios. 3. Granolas e cereais matinais Granolas com aveia, sementes e oleaginosas podem fornecer fibras e outros nutrientes, mas algumas versões industrializadas contêm muito açúcar adicionado e xaropes. Certos cereais anunciados como integrais ou enriquecidos também têm pouca fibra e muito açúcar. 4. Iogurtes saborizados e sobremesas proteicas O iogurte natural fornece proteínas e cálcio. Já versões saborizadas podem conter bastante açúcar adicionado, e sobremesas proteicas têm composições variadas. Uma opção é acrescentar frutas, aveia ou sementes ao iogurte natural sem açúcar. 5. Biscoitos integrais O termo “integral” não garante qualidade nutricional. Alguns biscoitos combinam farinhas integrais e refinadas, além de açúcares e gorduras. Mesmo com fibras, podem conter açúcar, sódio e gorduras saturadas em quantidades relevantes. 6. Sucos de caixinha e néctares de frutas Néctares podem ter açúcar adicionado e diferentes proporções de fruta. Mesmo sucos 100% fruta, sem açúcar adicionado, geralmente têm menos fibras que a fruta inteira e permitem ingerir rapidamente seus açúcares naturais. Para o consumo habitual, a fruta inteira costuma ser melhor escolha. Continua após a publicidade 7. Pães industrializados anunciados como integrais Pães integrais podem integrar uma alimentação saudável, sobretudo quando têm boa quantidade de fibras. Embora haja critérios brasileiros para a denominação “integral”, vale conferir a proporção de ingredientes integrais, as fibras e o sódio. 8. Snacks fitness e chips de vegetais Vegetais na embalagem não tornam o produto equivalente aos frescos. Conforme o processamento, chips podem ter muito sódio, gorduras e calorias. Podem ser consumidos ocasionalmente, mas não substituem os vegetais in natura. +Leia também: Olho no rótulo! Como reconhecer um alimento “falso saudável”? Como avaliar os rótulos Não considere apenas os destaques da frente da embalagem. Leia a lista de ingredientes, a tabela nutricional e confira a porção efetivamente consumida. Os valores diários de referência (VD) ajudam a interpretar as informações. Quadro prático: o que observar nos rótulos <span class="hidden">–</span>Reprodução/Reprodução Continua após a publicidade Essas são referências brasileiras de rotulagem para adultos, conforme a regulamentação da Anvisa, não recomendações individualizadas. Observe o percentual do valor diário (%VD): em geral, até 5% indica pequena contribuição por porção; 20% ou mais, contribuição elevada. Mais fibras pode ser desejável; já valores altos de açúcares adicionados, sódio e gorduras saturadas merecem atenção. Essa leitura é educativa, não uma classificação oficial da Anvisa. Atenção aos alertas na frente das embalagens A lupa da rotulagem frontal identifica alto conteúdo de determinados nutrientes. Os limites, por 100 g de alimentos sólidos ou semissólidos e por 100 ml de líquidos, respectivamente, são: Continua após a publicidade <span class="hidden">–</span>Reprodução/Reprodução Esses limites ajudam na escolha, mas estar abaixo deles não torna um alimento automaticamente saudável. A lupa tampouco significa proibição ou que o consumo ocasional represente necessariamente um risco. Por que a qualidade importa para o metabolismo? O efeito dos alimentos vai além das calorias. Fibras, qualidade das gorduras, estrutura e grau de processamento influenciam digestão, absorção, saciedade e respostas metabólicas. As fibras, por exemplo, podem modular a absorção de carboidratos e favorecer o controle glicêmico. Estudos populacionais associam o consumo frequente de ultraprocessados a maior risco de obesidade, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares. Isso não significa que todo alimento industrializado seja prejudicial nem que um produto isolado cause doenças. O padrão alimentar ao longo do tempo é o que importa. Continua após a publicidade Processamento industrial também não equivale a baixa qualidade nutricional. Vegetais congelados, leite pasteurizado, iogurte natural e leguminosas enlatadas sem excesso de sódio podem integrar uma alimentação equilibrada. +Leia também: Ultraprocessados podem “reprogramar” o cérebro e levar à compulsão alimentar Cinco recomendações para escolher melhor Priorize alimentos in natura ou minimamente processados, como frutas, vegetais, leguminosas, ovos, cereais integrais e oleaginosas; Leia ingredientes e tabela nutricional, não apenas as mensagens publicitárias; Compare produtos da mesma categoria, sobretudo fibras, açúcares adicionados, sódio e gorduras saturadas; Não escolha apenas pelos termos “proteico”, “integral”, “natural”, “zero” ou “fitness”; Considere variedade, equilíbrio, necessidades individuais e frequência de consumo. Conclusão Alimentação saudável é argumento comercial, e distinguir informação nutricional de marketing ajuda a escolher melhor. Não há alimentos milagrosos nem necessidade de demonizar todos os industrializados. O caminho é privilegiar a qualidade nutricional e o equilíbrio, sem fazer das promessas da embalagem o principal critério de escolha. * Filippo Pedrinola é endocrinologista e membro da Brazil Health (Este texto foi produzido em uma parceria exclusiva entre VEJA SAÚDE e Brazil Health) Publicidade
As notícias oriundas assim como as imagens tem como fonte de referência: https://saude.abril.com.br/ultimas-noticias