Câncer de mama tem cura: especialista explica como o diagnóstico precoce e os hábitos saudáveis fazem a diferença

Dra. Waldenice Viana, ginecologista, mastologista e cirurgiã, explica como a identificação precoce do câncer de mama aumenta as chances de cura, quais hábitos ajudam na prevenção e como os avanços nos tratamentos oferecem novas perspectivas às pacientes.

Por
15 6 Min

Ia

Minha trajetória na Mastologia foi marcada pela empatia e pelo interesse pela cirurgia

Sou formada em Medicina há 30 anos e sempre fui fascinada pelos procedimentos cirúrgicos. Ao longo da minha trajetória, vivenciei de perto as expectativas, os medos e os desafios enfrentados pelas pacientes diante de diferentes doenças.

Foi essa experiência que despertou minha empatia pelo tema do câncer de mama e me motivou a buscar a especialização em Mastologia, com o objetivo de aprofundar meus conhecimentos e oferecer um planejamento de tratamento cada vez mais adequado às necessidades de cada paciente.

O diagnóstico precoce aumenta significativamente as chances de cura do câncer de mama

O câncer de mama ainda carrega um estigma muito forte, sendo frequentemente associado a uma sentença definitiva. Entretanto, a Medicina mostra que essa realidade pode ser diferente, principalmente quando a doença é identificada precocemente.

Assim como acontece com a maioria das doenças neoplásicas, o câncer de mama apresenta chances de cura que podem ultrapassar 95% em determinados casos diagnosticados em estágios iniciais.

Por isso, considero fundamental a realização da mamografia, associada à atenção aos sinais suspeitos que possam surgir nas mamas. Quanto mais cedo identificamos a doença, maiores são as possibilidades de um tratamento eficaz.

Alguns fatores de risco para o câncer de mama podem ser modificados

Existem diferentes fatores que contribuem para o desenvolvimento do câncer de mama. Embora alguns não possam ser modificados, outros estão diretamente relacionados aos hábitos de vida e podem ser controlados ao longo dos anos.

Entre os principais fatores modificáveis, destaco:

  • Tabagismo;
  • Obesidade;
  • Sedentarismo;
  • Consumo de bebidas alcoólicas.

A adoção de hábitos mais saudáveis é uma medida importante para reduzir a exposição a esses fatores e contribuir para a prevenção da doença.

A mamografia e a atenção aos sinais suspeitos são fundamentais para a detecção precoce

Na minha orientação sobre o rastreamento, destaco a realização da mamografia a cada dois anos a partir dos 40 anos de idade, considerando também a avaliação individual de cada paciente.

Além dos exames de imagem, considero muito importante que a mulher conheça o próprio corpo e esteja atenta às mudanças nas mamas.

Sinais como irritação mamária que não melhora, nódulos persistentes ou que apresentam crescimento precisam ser investigados.

O autoexame e a observação das mamas ajudam a reconhecer alterações, mas não substituem a mamografia nem a avaliação médica.

Os hábitos de vida influenciam o risco de desenvolver câncer de mama e a resposta ao tratamento

Costumo destacar que o estilo de vida funciona como um modulador biológico, influenciando os hormônios, os processos inflamatórios e o funcionamento do sistema imunológico.

A obesidade, por exemplo, merece atenção especial. Após a menopausa, o tecido adiposo passa a ser uma importante fonte de produção de estrogênio no organismo. O excesso de peso também favorece processos inflamatórios crônicos, que podem contribuir para o desenvolvimento de determinados tumores.

O consumo de álcool é outro fator relevante, pois pode elevar os níveis de estrogênio circulante e favorecer a formação de acetaldeído, uma substância reconhecida como carcinogênica.

O sedentarismo e a falta de atividade física também prejudicam o metabolismo e podem favorecer alterações no funcionamento do organismo.

Da mesma forma, uma alimentação caracterizada pelo consumo frequente de produtos ultraprocessados pode contribuir para o estresse oxidativo e para o aumento de riscos à saúde.

Quando o câncer de mama já foi diagnosticado, a manutenção de hábitos saudáveis continua sendo importante. A alimentação adequada e a prática de atividades físicas, respeitando as condições clínicas de cada paciente, podem contribuir para a tolerância aos tratamentos oncológicos e para o controle de alguns efeitos colaterais.

O exercício físico, por exemplo, pode ajudar a reduzir a fadiga relacionada ao câncer e favorecer o bem-estar durante o tratamento.

Por isso, reforço que cuidar da saúde não deve ser uma preocupação apenas antes do diagnóstico, mas também durante e após o tratamento.

As opções cirúrgicas para o câncer de mama dependem das características de cada caso

Atualmente, contamos com diferentes possibilidades de tratamento cirúrgico para o câncer de mama. A escolha da abordagem depende principalmente do tamanho do tumor no momento do diagnóstico e da avaliação individual de cada paciente.

Entre as opções, estão as cirurgias conservadoras, que permitem retirar o tumor preservando parte da mama, e a mastectomia, que consiste na retirada da mama.

Cada caso precisa ser estudado individualmente, considerando também a possibilidade de reconstrução mamária.

Meu objetivo é buscar a abordagem mais adequada para cada paciente, respeitando suas necessidades e as características da doença.

O acompanhamento após o tratamento é essencial para a saúde e a qualidade de vida

O cuidado com a paciente não termina quando o tratamento do câncer de mama é concluído. O acompanhamento a longo prazo é fundamental para monitorar a saúde e identificar possíveis alterações.

Esse monitoramento envolve consultas médicas regulares, realização dos exames indicados, manutenção da atividade física e suporte psicológico.

Considero importante que a paciente continue recebendo atenção integral, tanto em relação à saúde física quanto ao bem-estar emocional.

O medo do diagnóstico não deve impedir a busca pelo tratamento precoce

Se eu pudesse deixar uma mensagem para as mulheres que ainda têm medo de procurar atendimento, seria esta: não permitam que o medo adie o cuidado com a própria saúde.

Entendo que o receio de receber um diagnóstico de câncer é perfeitamente humano e aceitável. Entretanto, esse medo pode atrasar a investigação e, consequentemente, o início do tratamento.

O diagnóstico precoce é um dos nossos maiores aliados no enfrentamento do câncer de mama, pois amplia significativamente as possibilidades de tratamento e cura.

Buscar ajuda médica diante de qualquer sinal suspeito é um gesto de cuidado com a própria vida.