Rabdomiólise: o que é, sintomas, causas, tratamento e como evitar

Condição que levou corredora à morte pode surgir após esforço intenso e afetar os rins; saiba como evitar

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A morte da norte-americana Rachel Apa, de 24 anos, durante a Maratona de Nova York chamou atenção para a rabdomiólise, problema que pode surgir após a realização de exercícios físicos intensos. A jovem corria sua primeira maratona no domingo (1º) e desmaiou no Central Park, a pouco mais de um quilômetro da linha de chegada. Socorristas e espectadores tentaram reanimá-la até a chegada da equipe médica da prova e ela foi levada ao hospital, mas não resistiu. Rachel corria os 42 km da prova para arrecadar recursos para o combate à doença de Parkinson, quadro com o qual viveu seu falecido avô. A rabdomiólise, determinada como causa da morte, não é sempre fatal e pode surgir não só após exercícios extremos. A seguir, entenda o que é a condição, quais os sintomas, as causas, como é o tratamento e como evitá-la. O que é rabdomiólise Os músculos são formados pelas fibras musculares, células compridas que se parecem com pequenos fios e se contraem e relaxam para produzir movimentos. Dentro delas ficam guardadas substâncias importantes para o funcionamento muscular, como a mioglobina, proteína que armazena oxigênio, o potássio e a creatinoquinase (CPK), enzima envolvida na produção de energia e usada como marcador de lesão muscular. A rabdomiólise acontece quando uma lesão intensa provoca o rompimento das paredes de muitas dessas fibras. Como consequência, as substâncias que estavam dentro delas “vazam” para a corrente sanguínea. Todo exercício físico gera algum grau de dano ao músculo. Em geral, o corpo consegue reparar essas pequenas lesões — e até voltar mais forte (hipertrofiar). É o que acontece quando sentimos dor muscular depois de um treino mais pesado. Continua após a publicidade O problema surge quando esse processo é excessivo e ultrapassa a capacidade de adaptação do organismo. Quais as causas da rabdomiólise O quadro pode aparecer depois de: Exercícios físicos extremos; Acidentes e pancadas fortes; Exposição ao calor excessivo; Infecções. No caso do exercício, o risco aumenta quando a intensidade ou a duração da atividade supera aquilo a que o corpo está habituado. “Há gente que corre uma maratona por dia e não vê problema, porque tem o corpo preparado para aquilo, mas outras podem desenvolver a condição após uma aula mais intensa”, pontua o médico do esporte Cadu Viterbo. Continua após a publicidade Foi o que aconteceu com a editora de arte Juliana Krauss, que teve rabdomiólise depois da primeira aula de spinning. Ela passou cinco dias e meio internada. “Se você realiza um exercício mais intenso, muito mais longo, em uma condição diferente de temperatura, ou de duração prolongada, isso pode ultrapassar a capacidade do seu corpo e a lesão de fibras ser maior”, explica Viterbo. Rabdomiólise pode acontecer com qualquer pessoa? Sim. Segundo o nefrologista Eduardo Freitas Hatanaka, do Hospital Samaritano Higienópolis, da Rede Américas, mesmo pessoas jovens, saudáveis e fisicamente ativas podem desenvolver rabdomiólise. “O risco aumenta quando há esforço físico muito intenso ou prolongado, principalmente associado a calor excessivo, desidratação, falta de adaptação ao treinamento ou predisposição individual”, diz. Isso vale tanto para sedentários que começam uma atividade muito intensa quanto para pessoas treinadas que se submetem a esforços excessivos que não faziam antes. Continua após a publicidade “As pessoas que estão mais condicionadas ou já estão acostumadas a determinados exercícios têm fibras mais fortes, mais resistentes àquele padrão de movimento”, explica Viterbo. Mas ele faz um alerta: “Estar fisicamente ativo não te protege 100%. Diminui o risco, sim, mas não elimina a chance de ter”. Quais exercícios oferecem mais risco Atividades que exigem muito esforço muscular, especialmente por períodos prolongados, podem aumentar o risco. É o caso de: Maratonas e ultramaratonas; Musculação muito pesada; Exercícios funcionais com muitas repetições. Isso não quer dizer que essas modalidades sejam perigosas por si só. Segundo Hatanaka, o principal fator de risco é a relação entre a intensidade, a duração do exercício e o preparo físico de quem o pratica. Ainda não há dados concretos no Brasil sobre a frequência da rabdomiólise. Mas as notificações têm sido impulsionadas pelo aumento de treinos físicos intensos, como crossfit e corridas, e por uma maior vigilância médica sobre o problema. Continua após a publicidade Quais os sintomas da rabdomiólise Os principais sinais de alerta são: Dor muscular intensa; Fraqueza; Dificuldade para realizar movimentos simples, como caminhar ou subir escadas; Inchaço nos músculos; Mal-estar, dor de cabeça e cansaço extremo; Urina avermelhada, marrom ou muito escura, com aparência de chá-preto ou refrigerante de cola. A mudança na cor da urina pode acontecer pela eliminação de mioglobina pelos rins e exige avaliação médica imediata. Nem todas as pessoas, porém, apresentam esse sintoma. Como diferenciar da dor muscular comum Sentir algum desconforto depois de um treino intenso, especialmente quando o corpo não está acostumado à atividade, é normal e frequente. Na rabdomiólise, no entanto, os sintomas podem ser muito mais intensos. “A pessoa fica mais letárgica e isso pode acontecer quase que imediatamente após o exercício”, explica Viterbo. “Já as dores normais costumam aparecer de 24 a 72 horas após o treino, e são bem localizadas”, completa. Continua após a publicidade “A grande diferença para a dor muscular comum é que a rabdomiólise tem um comprometimento sistêmico, principalmente renal, o que é o mais preocupante”, destaca o médico. Por que a rabdomiólise é perigosa A gravidade do quadro depende da quantidade de fibras musculares destruídas e de como o organismo reage à lesão. Em casos leves, a pessoa pode ter aumento das enzimas musculares no sangue, dores e fraqueza, mas se recuperar com tratamento e acompanhamento médico. Nos casos graves, a principal preocupação é com os rins, responsáveis por filtrar o sangue e eliminar resíduos pela urina. O acúmulo das substâncias liberadas pelos músculos, especialmente a mioglobina, pode sobrecarregar esses órgãos e danificar suas células. O resultado pode ser uma lesão renal aguda, a perda súbita da capacidade dos rins de faxinar o sangue. O quadro também pode levar grandes quantidades de potássio para o sangue, o que interfere no funcionamento elétrico do coração e provocar alterações perigosas nos batimentos cardíacos. “Nos casos mais graves, pode haver risco de morte”, resume Hatanaka. Como é feito o diagnóstico O diagnóstico é feito por avaliação clínica e exames de sangue, especialmente a dosagem de creatinoquinase (CPK), enzima liberada quando as células musculares são danificadas. Níveis muito elevados indicam lesão muscular. Como é o tratamento da rabdomiólise O tratamento depende da gravidade, mas geralmente envolve hidratação endovenosa (na veia), para manter uma boa circulação sanguínea nos rins e facilitar a eliminação das substâncias liberadas pelos músculos. O paciente também pode precisar ficar internado para acompanhamento médico. Quando os rins perdem a capacidade de filtrar o sangue, pode ser necessária a diálise, procedimento que substitui temporariamente parte da função desses órgãos. Como evitar a rabdomiólise A prevenção envolve, principalmente, evitar que os músculos sejam submetidos a esforços muito além da sua capacidade. Os especialistas recomendam: Começar uma nova modalidade de forma gradual e respeitar os limites do corpo; Fazer uma preparação física progressiva; Manter uma hidratação adequada; Respeitar os períodos de recuperação; Ter atenção especial em dias quentes e evitar exercícios extenuantes em ambientes muito quentes; Contar, de preferência, com a orientação de um profissional de educação física. Segundo Viterbo, a valorização da superação constante de limites também pode aumentar o risco de lesões, incluindo a rabdomiólise. “A gente tem que abandonar a ideia de que o treino só é eficiente quando a pessoa está exausta”, defende. Quando procurar atendimento médico Diante de dor muscular desproporcional ao esforço, fraqueza intensa, inchaço muscular importante ou alteração na cor da urina, interrompa o exercício e procure atendimento médico imediatamente. Ainda assim, a rabdomiólise não deve ser motivo para ter medo de se exercitar. Exercícios moderados também promovem adaptações positivas no organismo, e os benefícios da atividade física dependem, acima de tudo, da regularidade. “A atividade física é essencial para a saúde e deve ser incentivada”, afirma Hatanaka. Esse conteúdo foi reescrito com auxílio de ferramenta de inteligência artificial, com apuração e revisão feitas por humanos. Publicidade

As notícias oriundas assim como as imagens tem como fonte de referência: https://saude.abril.com.br/ultimas-noticias

FONTE: https://saude.abril.com.br/medicina/rabdomiolise-o-que-e-sintomas-causas-tratamento/
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