Entre no nosso Grupo Whatsapp — Receba as principais notícias do diaParticiparA dor crônica é um grande desafio da saúde pública. Estima-se que atinja 18% da população dos países desenvolvidos e esteja entre as principais causas de incapacidade no mundo.
No Brasil, segundo a Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED), mais de 60 milhões de pessoas convivem com o problema. Dores na cabeça, na coluna e nas articulações estão entre as queixas mais frequentes, com impactos na qualidade de vida, na produtividade e na capacidade de trabalhar.
Durante muito tempo, a dor foi compreendida principalmente como uma resposta a lesões nos tecidos. Hoje, sabemos que essa explicação é insuficiente.
A dor crônica, geralmente definida como aquela que persiste por mais de três meses, envolve mudanças na maneira como o cérebro recebe e interpreta os sinais do organismo.
O papel do cérebro na dor que não passa
Uma região cerebral importante nesse processo é a ínsula, responsável por integrar informações sobre o funcionamento do corpo, como batimentos cardíacos e respiração.
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Como demonstramos em estudo publicado na Neuroscience and Biobehavioral Reviews, quando seu funcionamento está alterado, o cérebro pode interpretar incorretamente esses sinais, permanecendo excessivamente atento às sensações dolorosas.
Isso não significa que a dor seja imaginária ou exclusivamente emocional. É uma experiência real, que envolve mecanismos biológicos complexos e pode persistir mesmo sem uma lesão que explique completamente os sintomas.
+Leia também: Dor crônica: como se livrar de vez dela? | VEJA e Cuide-se
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Três processos merecem atenção. O primeiro é a neuroinflamação, caracterizada por respostas inflamatórias que afetam o sistema nervoso.
O segundo envolve alterações metabólicas, como a resistência à insulina, que podem prejudicar a comunicação entre o corpo e o cérebro. O terceiro é o estresse prolongado, capaz de modificar a atividade hormonal e os circuitos cerebrais envolvidos na percepção da dor.
Esses mecanismos podem ser influenciados por fatores cotidianos, como alimentação rica em ultraprocessados, sedentarismo, privação de sono, horários irregulares de dormir, isolamento social, exposição a poluentes e tabagismo.
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Não são causas únicas, mas condições que podem aumentar a vulnerabilidade à dor persistente.
Um olhar mais amplo sobre o tratamento
Na prática clínica, considero fundamental ampliar o olhar sobre cada paciente.
Além de investigar as causas físicas, compreender o sono, a alimentação, a atividade física, o ambiente de trabalho e as condições emocionais e sociais permite construir estratégias individualizadas, combinando tratamentos médicos com intervenções não medicamentosas.
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Exercícios orientados, melhora do sono, alimentação equilibrada e cuidado com o estresse podem integrar essa abordagem. Um dos desafios futuros será identificar quais pacientes se beneficiam mais de cada intervenção e como melhorar a capacidade do cérebro de interpretar os sinais corporais.
O avanço no cuidado da dor crônica depende dessa visão integrada. Não basta perguntar onde dói, mas sim compreender por que a dor persiste, como ela modifica a vida das pessoas e quais fatores podem ser tratados para reduzir seu impacto.
*Leo Pruimboom é fisiologista e bioquímico de origem holandesa, doutor pela Universidade de Groningen e fundador do Instituto Pruimboom de Investigação em Psiconeuroimunologia Clínica (PNIc)
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As notícias oriundas assim como as imagens tem como fonte de referência: https://saude.abril.com.br/ultimas-noticias