A minha opção pela Nefrologia ocorreu durante a residência de Clínica Médica. A princípio, iniciei esta residência para futuramente fazer residência de endocrinologia. Porém, acabei me interessando muito mais pela nefrologia por conta de sua versatilidade no campo profissional, poder trabalhar em ambientes hospitalares, ambulatoriais e em clínicas de diálise ou mesmo na parte de ensino e pesquisa. Fiz, então, minha residência de Nefrologia na UNESP em Botucatu-SP.
Cada vez mais, vemos a importância e os resultados benéficos das campanhas de conscientização e a relevância do processo de educação em saúde. Esta não poderia ser diferente. Atualmente, temos como grande objetivo o diagnóstico precoce de doenças crônicas, especialmente do Diabetes, para que se previna complicações atuando de forma preventiva. Portanto, disseminar conhecimento para a população na forma de campanhas tem se mostrado uma ferramenta de grande utilidade e de fácil alcance com o advento das redes sociais e mídias digitais.
Esta data representa um marco para rememorar os riscos de um controle inadequado ou mesmo um diagnóstico tardio de diabetes. Doenças crônicas como diabetes promovem complicações graves de forma irreversível a nível de cérebro, olhos, coração, vasos sanguíneos, rins e outros órgãos. Portanto, propagar o conhecimento é a prevenção primária e o primeiro passo para evitarmos a evolução do Diabetes em nossa comunidade.
O Diabetes é a principal causa de doença renal crônica no mundo e a segunda maior no Brasil. Após anos de descontrole glicêmico e metabólico, o diabetes evolui com alterações micro e macrovasculares que determinam a saída de proteínas pela urina, o que chamamos de albuminúria. Este fator nos denota um dano presente pela doença renal do diabetes e quanto maior a albuminúria, mais rápida a progressão da doença.
Portanto, um dos pilares do tratamento é o controle metabólico e a redução de albuminúria. Quando este objetivo não é alcançado, a tendência é que o paciente evolua de forma mais rápida à falência renal e necessidade de início de terapias renais substitutivas, mais comumente a hemodiálise.
Isto pode ser explicado pela desinformação dos pacientes, mas infelizmente também é frequente que os próprios médicos negligenciem este cuidado. Portanto, é de suma importância o rastreio da doença renal do diabetes em pacientes com esta patologia. Um simples exame de creatinina e de urina já são suficientes.
Os pacientes costumam manifestar um aumento importante da espuma na urina, fato justificado pela alta presença de proteínas. Outros achados como edema de membros, face ou mesmo edema generalizado do corpo inteiro também podem se manifestar, especialmente em fases mais avançadas.
Por isso, é tão importante a realização de exames de sangue e urina para que alterações sejam detectadas em fases iniciais e possam ser tratadas, prevenindo piores complicações.
Felizmente, nos dias de hoje, as terapias medicamentosas têm evoluído de forma bastante interessante. O acompanhamento deve ser feito com rastreio de doença renal do diabetes com exame de sangue e urina iniciando a partir do momento do diagnóstico de DM 2 ou após 5 anos do diagnóstico de DM 1.
O tratamento atual perpassa por pilares terapêuticos incluindo medicamentos IECA/BRA, iSGLT2, Finerenone e agonistas do GLP-1. Este arsenal terapêutico visa inibir o cerne da progressão da doença promovendo o bom controle metabólico e controle estrito de albuminúria.
Há alguns anos atrás, infelizmente só dispúnhamos de IECA ou BRA como terapia para redução de albuminúria e estabilização de doença renal. Recentemente, com o advento de terapias modernas com iSGLT2, agonistas do GLP-1 e Finerenone, tivemos um grande avanço no controle clínico desta doença alcançando um objetivo almejado por muitos anos, que seria interromper a evolução da doença e estabilizar a função renal, impedindo com que este paciente tivesse desfechos piores como a falência renal e necessidade de terapia dialítica.
Estas medicações atuam de forma multissistêmica e a combinação delas promove desde perda de peso, controle glicêmico, estabilização de função renal, redução de pressão intra-glomerular até redução da albuminúria e menor progressão para doença renal crônica dialítica.
Aos pacientes portadores de diabetes, solicite ao seu médico o rastreio da doença renal do diabetes. O diagnóstico precoce faz total diferença na evolução da doença por nos permitir prevenir graves complicações no futuro.
Caso você note algum dos sintomas como espuma na urina, inchaço, fadiga ou fraqueza, procure um médico e faça seus exames regularmente.