O alerta da OMS sobre o aumento da perda auditiva em jovens
Dr. Guilherme Machado alerta que a exposição prolongada a sons intensos aumenta o risco de perda auditiva, especialmente entre os jovens.
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Meu nome é Guilherme Machado. Sou médico, formado pelo Centro Universitário do Pará (CESUPA). Tenho Residência Médica pelo Hospital Federal Bettina Ferro de Souza e sou membro e portador do título da Sociedade Brasileira de Otorrinolaringologia.
A escolha pela Otorrinolaringologia aconteceu simplesmente pelo fato de eu ser fascinado pelas três regiões que abrangem nossa área de atuação: nariz, ouvido e garganta. Além disso, é uma especialidade que me permite unir a parte ambulatorial e cirúrgica, trazendo mais dinamicidade para o dia a dia.
Por que a OMS está preocupada com a audição dos jovens?Esse é um cenário muito preocupante. Segundo a OMS, cerca de 1 bilhão de pessoas entre 12 e 35 anos correm o risco de ter prejuízos na audição justamente devido a hábitos sonoros inadequados, principalmente pela exposição prolongada a ruídos intensos.
O aumento dos casos já é percebido nos consultóriosSim, sem dúvida. Antes, a perda de audição era uma condição muito relacionada à idade e ao idoso, e ainda é. Porém, temos visto cada vez mais pacientes jovens chegando com essa queixa.
Na grande maioria das vezes, eles relatam o uso frequente de fones de ouvido em volumes elevados. Para se ter uma ideia, segundo dados da própria OMS, nos países desenvolvidos cerca de 43 milhões de pessoas entre 12 e 35 anos já possuem perda auditiva incapacitante.
O que os sons intensos causam dentro do ouvido?No ouvido interno temos as células ciliadas, que são responsáveis por converter as ondas sonoras em impulsos elétricos.
Quando somos expostos a sons de alta intensidade, acima de 85 decibéis, por períodos prolongados, ocorre lesão em parte dessas células ciliadas. Essa destruição celular é irreversível e pode resultar em perda auditiva permanente.
Os principais sinais de alerta para a perda auditivaOs sinais e queixas mais importantes são:
- Zumbido;
- Plenitude aural (sensação de ouvido abafado);
- Dificuldade para ouvir durante ligações telefônicas;
- Dificuldade para localizar a origem dos sons.
Esses sintomas merecem atenção e avaliação especializada.
Como funciona a avaliação auditiva especializada?Primeiramente, é necessária uma consulta com o otorrinolaringologista para interpretar os sinais e sintomas apresentados pelo paciente.
Realizamos uma anamnese detalhada seguida de um exame físico minucioso, incluindo a otoscopia, para visualizar e identificar possíveis fatores que possam causar perda auditiva. Em alguns casos, essas causas são reversíveis, como rolhas de cerume, infecções e perfurações timpânicas.
Cada situação deve ser analisada individualmente para uma melhor tomada de decisão, solicitação de exames e indicação do tratamento adequado.
Na avaliação inicial, geralmente solicitamos audiometria tonal, audiometria vocal e impedanciometria. Dependendo do caso, também podemos pedir exames mais específicos, como os potenciais evocados auditivos (PEATE) e exames de imagem.
O tratamento dependerá dos resultados dos exames, do tipo e do grau da perda auditiva e do impacto que essa condição causa na qualidade de vida do paciente, seja no trabalho, no convívio social ou no aprendizado. Quando há prejuízos importantes, indicamos a reabilitação auditiva com aparelho auditivo.
Hábitos que ajudam a proteger a audiçãoDiversas orientações podem ser repassadas ao paciente. Vale lembrar que a perda auditiva não ocorre exclusivamente pela exposição prolongada a ruídos intensos.
Entre as principais recomendações estão:
- Evitar a manipulação dos ouvidos com cotonetes, grampos ou qualquer outro material;
- Evitar proximidade com equipamentos de som;
- Evitar o uso de fones de ouvido em volumes elevados por longos períodos;
- Utilizar protetores auriculares em shows ou eventos com grande intensidade sonora;
- Manter consultas regulares com o otorrinolaringologista.
Sempre que possível, é importante incluir a saúde auditiva como parte da rotina das avaliações anuais.
Temos discutido bastante a exposição ao som, mas outros cuidados também contribuem para uma maior longevidade da saúde auditiva. Por isso, recomendo evitar a manipulação dos ouvidos, evitar banhos de imersão para reduzir as chances de otites externas, tratar doenças nasais como rinite, sinusite e hipertrofia de adenoide e, sem dúvida, proteger os ouvidos de ambientes excessivamente ruidosos.
Prevenir é o melhor remédio.