Rinofaringite: causas, sintomas e quando procurar ajuda médica

Dra. Regiane Matos Batista explica como identificar a inflamação do nariz e da garganta, quais fatores podem desencadear o problema e os sinais que indicam a necessidade de avaliação médica.

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  A rinofaringite é uma inflamação do nariz e da faringe

Quando utilizo o termo rinofaringite, estou me referindo à inflamação do nariz, representado pelo prefixo “rino” e da faringe, região localizada na parte posterior do nariz e da garganta. Por isso, é comum que os sintomas atinjam essas duas áreas simultaneamente, causando desconforto respiratório e irritação local.

A rinofaringite pode ocorrer tanto por infecções virais quanto por fatores não infecciosos. Embora geralmente seja um quadro leve e autolimitado, considero fundamental compreender suas causas e reconhecer quando é necessário procurar ajuda médica para garantir um cuidado adequado.

A forma mais conhecida é a rinofaringite viral, popularmente chamada de resfriado comum. Ela é provocada por diferentes vírus respiratórios e costuma apresentar uma evolução favorável em poucos dias.

Já as formas não infecciosas não são causadas por microrganismos, mas pela sensibilidade das vias aéreas superiores diante de estímulos ambientais ou processos inflamatórios, como aqueles relacionados às alergias respiratórias.

Apesar de apresentarem sintomas semelhantes, identificar o fator desencadeante é importante para que eu possa orientar os cuidados mais adequados para cada situação.

Vírus, alergias e fatores ambientais estão entre as principais causas

A rinofaringite viral é causada por diversos vírus respiratórios, sendo os rinovírus os mais frequentemente envolvidos. Outros agentes também podem provocar o quadro, especialmente em determinadas épocas do ano, quando existe maior circulação viral.

A transmissão acontece principalmente por meio do contato com secreções respiratórias. Isso pode ocorrer pelo contato direto entre as pessoas, pelas mãos contaminadas ou pela inalação de partículas eliminadas ao falar, tossir ou espirrar.

Por esse motivo, observo que ambientes fechados e aglomerados favorecem a disseminação dos vírus, tornando algumas estações do ano mais propícias ao aumento do número de casos.

A rinofaringite não infecciosa, por sua vez, está relacionada à exposição das vias aéreas superiores a fatores irritantes ou inflamatórios.

Algumas situações bastante comuns do cotidiano podem contribuir para o aparecimento dos sintomas, como permanecer por longos períodos em ambientes com ar-condicionado, enfrentar dias de clima excessivamente seco, entrar em contato frequente com fumaça, poeira ou poluentes ambientais e sofrer mudanças bruscas de temperatura.

Os processos alérgicos também merecem destaque. Pessoas mais sensíveis podem apresentar sintomas semelhantes aos do resfriado após o contato com ácaros, mofo, pelos de animais ou outros agentes presentes no ambiente doméstico ou profissional.

A resposta do organismo varia de pessoa para pessoa, o que explica por que alguns pacientes desenvolvem sintomas com maior facilidade do que outros.

Congestão nasal, coriza e desconforto na garganta são sintomas frequentes

Os sintomas podem variar em intensidade e duração, dependendo da causa da rinofaringite e das características individuais de cada paciente.

Em muitos casos, os primeiros sinais são a sensação de nariz congestionado e a coriza, que podem vir acompanhadas de espirros frequentes e desconforto na garganta.

A obstrução nasal costuma ser um dos sintomas mais incômodos. Ela pode interferir na qualidade do sono, na alimentação e até mesmo na disposição para realizar as atividades do dia a dia.

Também é relativamente comum o aparecimento de tosse provocada pelo gotejamento pós-nasal. Essa situação ocorre quando as secreções produzidas no nariz escorre para a parte posterior da garganta, causando irritação local.

Nas formas virais, pode haver mal-estar leve e febre baixa, especialmente nos primeiros dias do quadro. Já nas formas não infecciosas, predominam a sensação de ressecamento nasal, a irritação das vias aéreas superiores e o desconforto relacionado à exposição aos fatores desencadeantes.

Embora geralmente sejam leves, os sintomas podem variar significativamente entre os pacientes. Algumas pessoas apresentam apenas um desconforto nasal discreto, enquanto outras podem sentir um impacto maior em suas atividades habituais.

Sintomas persistentes ou intensos exigem avaliação médica

Na maioria das vezes, a rinofaringite apresenta uma evolução favorável e melhora progressivamente com medidas simples de suporte. Ainda assim, algumas situações merecem avaliação médica.

Recomendo procurar assistência quando os sintomas persistirem por mais de sete a dez dias, apresentarem piora progressiva ou forem intensos o suficiente para comprometer o bem-estar e a qualidade de vida.

Febre elevada, dificuldade importante para respirar pelo nariz e desconforto significativo também justificam uma avaliação mais cuidadosa.

Outro ponto importante é a recorrência dos sintomas. Episódios frequentes podem indicar a presença de fatores ambientais ou inflamatórios que precisam ser investigados, permitindo que eu indique um tratamento mais direcionado.

A orientação médica também é importante quando existirem dúvidas sobre a causa do quadro, especialmente em crianças, idosos e pessoas mais sensíveis às alterações respiratórias.

O tratamento depende da causa e da intensidade dos sintomas

O tratamento dependerá da causa da rinofaringite e da intensidade dos sintomas apresentados pelo paciente.

Em muitos casos, medidas simples são suficientes para proporcionar conforto durante o período de recuperação. Manter uma boa hidratação, respeitar a necessidade de repouso quando houver indisposição e adotar cuidados ambientais adequados estão entre as principais recomendações.

Quando necessário, posso indicar medicações destinadas ao controle dos sintomas.

Entre as medidas auxiliares mais importantes, destaco a lavagem nasal com solução salina. Além de contribuir para a higiene das vias aéreas superiores, ela auxilia na remoção de secreções, partículas inaladas e agentes irritantes presentes no ambiente.

A lavagem nasal pode favorecer a melhora da obstrução e reduzir o desconforto provocado pelo ressecamento das mucosas.

Essa prática possui um papel relevante tanto na prevenção quanto no auxílio do tratamento da rinofaringite. Quando realizada corretamente e conforme orientação profissional, pode contribuir para manter as vias respiratórias mais saudáveis, especialmente durante períodos de maior circulação viral ou em épocas do ano caracterizadas pelo clima mais seco.