Formei em 2003 pela Universidade Federal do Pará e entrei na Residência em Cirurgia Geral no Hospital Ophyr Loyola, em Belém do Pará. Desde que tirei meu primeiro plantão como acadêmico no Pronto Socorro, me apaixonei pela cirurgia por tudo que envolve a especialidade: os desafios diagnósticos e a capacidade de resolução da mesma.
A apendicite, de modo geral, se desenvolve dependendo das características anatômicas do apêndice cecal, assim como fisiológicas do paciente. Desde o diagnóstico, a apendicite é uma patologia que representa risco de vida, sendo que este aumenta na medida que o processo avança e a terapêutica não é iniciada.
Com os meios diagnósticos atuais, a apendicite só deixa de ser diagnosticada quando ela não é suspeita. Hoje em dia, essa situação tende a acontecer com colegas médicos que banalizam a patologia, assim como não realizam uma correta anamnese e exame físico.
Os critérios clínicos, como a classificação de Alvarado, auxiliam tanto no diagnóstico quanto na terapêutica. Assim como existem critérios tomográficos bem estabelecidos.
A estabilidade clínica do paciente, principalmente o parâmetro hemodinâmico, estabelece se o paciente deve ser operado imediatamente ou deve aguardar estabilização clínica para diminuir a resposta orgânica ao trauma cirúrgico, principalmente por se tratar de um procedimento de urgência.
As contraindicações para a escolha da laparoscopia na apendicectomia são as mesmas de qualquer laparoscopia, sendo que a principal é a familiarização da equipe cirúrgica com o método. A laparoscopia é sempre o método de escolha.
Uma observação mais criteriosa da cavidade inteira em busca de coleções, além de uma lavagem mais abrangente da cavidade, devem ser usadas no caso de perfuração do apêndice, já que a perfuração aumenta em muito o risco de peritonite difusa.
Um acompanhamento mais de perto pela equipe cirúrgica, assim como cuidados com antibioticoterapia, analgesia adequada e atenção à nutrição do paciente, devem ser realizados em quadros de apendicites complicadas.
As fístulas, lesões inadvertidas e os abscessos intracavitários são complicações que o cirurgião deve estar sempre atento, e uma simples elevação da frequência cardíaca pode demonstrar o início dessas complicações.
Não deixe de lado uma dor abdominal, principalmente se ela for intensa. Caso seja possível, procure um cirurgião para avaliar a mesma o mais rápido possível. Tempo é primordial para evitar complicações na maioria das patologias abdominais.