Minha trajetória como Cirurgião Geral e Endoscopista
Minha trajetória na Medicina começou no Centro Universitário do Estado do Pará, onde me formei. Em seguida, fiz residência em Cirurgia Geral no Hospital de Clínicas Gaspar Vianna e residência em Endoscopia no Hospital Ophir Loyola.
Durante a residência de Cirurgia Geral, tínhamos muito contato com a endoscopia para avaliar diversos casos cirúrgicos. Isso foi despertando meu interesse e apreço pela área, e acabei escolhendo a Endoscopia como subespecialidade.
A endoscopia é feita sob sedação. O aparelho é introduzido por via oral e permite avaliar o esôfago, o estômago e o duodeno.
O paciente não sente dor ou desconforto. É um exame seguro, com baixos índices de complicações, e dura em torno de 10 minutos. Após estar bem acordado, o paciente já é liberado para casa e pode se alimentar.
Podemos destacar como principais indicações a idade igual ou superior a 45 anos, perda de peso, disfagia — dificuldade para engolir —, sintomas dispépticos refratários e/ou persistentes e anemia em investigação da causa.
Vale ressaltar que, apesar de o exame auxiliar no diagnóstico da doença do refluxo e, principalmente, de suas complicações, como esôfago de Barrett e estenoses, é comum vermos exames normais ou com alterações sutis em pacientes com refluxo, sendo o seu diagnóstico principalmente clínico.
Na investigação do câncer gástrico e da hemorragia digestiva alta, a endoscopia é crucial tanto para o diagnóstico quanto para a terapêutica dessas afecções. Isso ocorre, por exemplo, nas varizes esofágicas e nas úlceras gástricas e duodenais, tornando o exame um importante aliado na prática médica.
A endoscopia avalia diretamente a mucosa do trato gastrointestinal. Portanto, permite identificar, diagnosticar e tratar diversas alterações no esôfago, estômago e duodeno.
Isso torna o exame único quando avaliamos esse aspecto, pois conseguimos observar desde alterações benignas, como gastrites e esofagites, até lesões pré-malignas, como pólipos, e neoplasias, como a neoplasia gástrica.
Pacientes com histórico familiar importante de neoplasias no trato gastrointestinal e com idade igual ou superior a 45 anos podem se beneficiar do exame, pensando no diagnóstico e tratamento de lesões pré-malignas, como os pólipos, que costumam aumentar sua incidência com o envelhecimento.
Para a endoscopia digestiva alta, o jejum de oito horas para alimentos sólidos é fundamental, assim como o jejum de água, devido ao fato de o exame ser realizado com sedação. Um estômago cheio aumenta o risco de broncoaspiração.
Também não podemos esquecer que pacientes que fazem uso de canetas emagrecedoras devem ter atenção especial e suspender o uso por quatro semanas para realizar o exame com segurança.
Os principais riscos, apesar de raros, devem ser evitados ao máximo em todo e qualquer exame.
Podemos destacar o sangramento digestivo, que pode ocorrer pelo atrito do próprio gastroscópio, pelo uso de pinças de biópsia e após procedimentos, como dilatações, polipectomias e mucosectomias. Esses sangramentos podem cessar de forma espontânea ou necessitar de esclerose e uso de endoclips para serem controlados.
A perfuração também é uma complicação rara e mais comum durante ou após procedimentos. Esses riscos são minimizados por meio da técnica adequada e da experiência do profissional que realiza o exame. Além disso, pelo fato de termos visão direta da mucosa, conseguimos identificar e intervir imediatamente caso seja necessário.
Meu recado para quem apresenta sintomas digestivos recorrentes e ainda adia a realização da endoscopia é: não deixe seus sintomas se agravarem. Faça o exame e busque o tratamento adequado de acordo com o resultado.
A infecção por H. pylori é um fator de risco importantíssimo para o câncer de estômago, e a endoscopia, com a realização de biópsias, permite identificar a presença da bactéria e também realizar o controle após o tratamento medicamentoso.
Priorize a sua saúde. Ela é o seu maior bem.