Graduei-me em Medicina pela Universidade Federal do Pará, em 1989, e, logo em seguida, fui aprovado para o programa de Residência Médica em Neurologia e Neurocirurgia oferecido pela então Escola Paulista de Medicina, hoje Universidade Federal de São Paulo, onde permaneci entre 1990 e 1995.
Meu R5, último ano da residência, foi dedicado completamente à área de tumores do sistema nervoso, o que me levou a realizar um fellowship (estágio) em Microneurocirurgia e Neurocirurgia Minimamente Invasiva no Serviço de Neurocirurgia da Philipps Universität, em 1996, na cidade de Marburg, Alemanha, sob a supervisão do professor Dr. Bernhard Bauer, pioneiro nessa área.
De volta ao Brasil, fui aprovado em concurso público para atuar como neurocirurgião da Rede Sarah de Doenças do Aparelho Locomotor, entre 1997 e 1999, operando quase exclusivamente pacientes com doenças da coluna vertebral e da medula espinhal.
Em 2000, retornei à Europa para realizar um fellowship em Neurocirurgia Oncológica no Hospital Ramón y Cajal, onde formatei a tese de doutoramento “Significado da fenda cisternal em 45 casos de meningiomas cisternais”.
Retornei, no ano seguinte, para minha cidade natal, Belém do Pará, onde fui admitido no Hospital Universitário João de Barros Barreto, da Universidade Federal do Pará, e no Hospital Ophir Loyola, referência estadual em câncer. No HOL, assumi o cargo de neurocirurgião oncológico e operei, entre 2001 e 2012, aproximadamente 1.500 pacientes com tumores do sistema nervoso.
Em 2012, iniciei a carreira como professor de Neurologia da UFPA. Ao longo da trajetória, publiquei dez artigos científicos, cursei a especialização em Neuro-Oncologia do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, em 2015, e desenvolvi o mestrado sobre os “Efeitos inibitórios do Pisosterol em cultura de Glioblastoma”.
Também concluí o doutorado em Ciências Médicas e Oncologia pela UFPA e contribuí para a implementação dos serviços de residência médica em Neurocirurgia do Hospital Ophir Loyola e da Beneficente Portuguesa. Ao todo, contabilizo mais de cinco mil cirurgias realizadas em pacientes com aneurismas, tumores cerebrais, tumores da medula e lesões da coluna vertebral.
Atualmente, estou cursando o pós-doutorado em Nanomedicina e desenvolvendo o projeto terapêutico sobre os “Efeitos do Metotrexato conjugado a Nanopartículas Lipídicas em sequelas de AVC isquêmico” pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo(FMUSP).
Nos últimos anos, a doença cerebrovascular passou a ocupar a segunda colocação entre as principais causas de mortalidade no mundo, sendo superada apenas por sua congênere, a doença vascular do miocárdio.
Além disso, os AVCs lideram todas as causas de incapacidade permanente decorrentes de sequelas na população adulta. Esses fatores justificam a decisão da Organização Mundial da Saúde de priorizar a assistência, a prevenção, o tratamento e as pesquisas nessa área.
Infelizmente, uma parcela significativa da população não possui acesso ostensivo às informações de saúde, principalmente às orientações relacionadas às medidas capazes de reduzir a incidência ou prevenir a doença cerebrovascular.
Assim, distúrbios comuns, como diabetes, hipertensão arterial, alterações do colesterol e dietas inadequadas, acabam sendo relegados a segundo plano. Isso ajuda a explicar os elevados índices da doença entre nós.
É sabido que as células do tecido nervoso suportam por apenas 4,5 horas a privação da glicose e do oxigênio transportados pelo sangue. Depois desse período, essas células morrem.
O início do tratamento em até 4,5 horas para desobstruir a artéria ocluída aumenta expressivamente as chances de recuperação sem sequelas. Por isso, o reconhecimento dos sintomas e a busca imediata por atendimento médico são fundamentais.
Até 10% dos AVCs isquêmicos evoluem com um aumento importante da pressão no interior do crânio. Essa complicação pode agravar o quadro inicial, provocando estado de torpor e coma.
Nessas situações, a intervenção cirúrgica imediata torna-se necessária para salvar a vida desse grupo de pacientes.
O diagnóstico precoce por meio da ressonância magnética, especialmente com a sequência de difusão, permite comprovar lesões isquêmicas de um centímetro de diâmetro até uma hora após o início dos sintomas.
Essa possibilidade favorece o início mais precoce do tratamento e aumenta as chances de recuperação do paciente.
Nos últimos anos, também tem havido grande interesse da comunidade científica por terapias-alvo que utilizam recursos da nanotecnologia. Essas abordagens estão sendo estudadas tanto para o tratamento de lesões em fase aguda quanto para lesões subagudas ou crônicas, já em fase de sequelas.
O diagnóstico é uma etapa essencial em qualquer situação da vida. Por isso, reconhecer as pessoas que apresentam critérios de inclusão nos grupos de risco para desenvolver um AVC é a medida isolada mais eficaz em termos de prevenção da doença.
Apesar de o Ministério da Saúde publicar e divulgar protocolos bem definidos para a prevenção e o tratamento dos AVCs, infelizmente, na prática cotidiana, essas medidas muitas vezes deixam de acontecer.
Isso ocorre devido à precariedade dos serviços públicos de saúde, que nem sempre dispõem de equipes treinadas e de todas as ferramentas necessárias para a instituição precoce do tratamento.
A prevenção é e sempre será o melhor tratamento.